A rodada que teve a pior média de gols desde que começou o sistema de pontos corridos, em 2003, já suscita debates. O que causou isso? Baixo nível técnico? Falta de ataques efetivos? Coincidência? Talvez a resposta seja mais simples e o motivo seja mais casual do que estrutural. Os ataques tiveram índices altos de incompetência nos jogos. Alguns times tiveram números ofensivos maiores que suas médias, mas não conseguiram concretizar em chances de gol. As estatísticas não explicam, mas dão uma ideia de alguns aspectos importantes de cada um dos jogos.

Vitória 0x0 Grêmio

O Grêmio fez um jogo abaixo da sua média. Literalmente. Isso porque o tricolor teve menos chutes a gol com 10 no jogo contra média de 11,7 por jogo no campeonato e especialmente menos desarmes, quesito que lidera no Brasileirão com 24,7 por jogo, mas só conseguiu fazer 18 na partida. Não por acaso, o melhor jogador da partida foi o zagueiro Bressan.

Corinthians 0x0 Cruzeiro

O encontro da melhor defesa com o melhor ataque acabou sem gols. Colocando assim, parece que a defesa levou vantagem e os números dão certa razão a esse pensamento. O Corinthians conseguiu fazer mesmo mais desarmes que a sua média. Foram 27 durante a partida, sendo que em média o time faz 21,9. O Cruzeiro ficou abaixo da sua média: fez 22 durante o jogo e faz, em média, 23,6.

O Corinthians é o time que menos permite que o adversário chute a gol, com 9,1 chutes em média. No jogo, o Cruzeiro só conseguiu chutar 9 vezes e tem média de 17,3 por jogos. Ou seja: o time conseguiu fazer praticamente metade do que faz nos outros jogos. O Corinthians, por sua vez, chutou mais que a sua média, 15 chutes, quando tem média de 11,3. O problema é que o Corinthians só acertou o gol três vezes nos seus 15 chutes, menos até que a sua média de quatro chutes no alvo por jogo, que já é baixa. O Cruzeiro só chutou nove vezes a gol, mas acertou cinco, ainda menos que a sua média, de 6,9 por jogo.

O Corinthians, portanto, fez um jogo acima da sua média defensivamente, o que foi suficiente para frear o melhor ataque do campeonato. O problema continua sendo um índice de finalização muito ruim, o que impede o time de vencer os seus jogos. Aliás, tem impedido mais: está difícil até para marcar gols.

Náutico 0x0 Flamengo

O Náutico esteve na sua média em vários aspectos nessa partida, enquanto o Flamengo esteve acima em vários deles. Mesmo assim, o jogo terminou 0 a 0. O time pernambucano permite, em média, 16 chutes a gol do adversário. Permitiu 21 no domingo. Um número de chutes maior que a média do próprio Flamengo, que é de 14,6. Dos 21 chutes a gol, o Fla acertou sete no gol. Entre os nove que foram para fora, Elias perdeu a maior chance, dentro da pequena área.

O Náutico faz, em média, 21,5 desarmes por jogo. Fez 25 nesta partida, um dos poucos quesitos que ficou melhor. Faltou ao Flamengo competência mesmo. Tanto que o melhor do jogo foi o goleiro Gideão.

Internacional 0x1 Portuguesa

O Inter perdeu para um time que luta contra o rebaixamento. Para quem quer ir além da tradicional Taça Sétimo lugar, é preciso mais. Contra a Lusa, o Inter chutou 20 vezes a gol, mais do que a sua média, de 14,3. Acertou sete vezes no gol e não marcou. O mesmo aconteceu com a Portuguesa, que chutou 15 vezes a gol, sendo que sua média é de 11,7. A diferença é que se esperava que o time rubroverde tivesse dificuldades, dado que seu time é pior que o colorado. E conseguiu marcar um gol e sair com a vitória.

Botafogo 1×2 Bahia

O Botafogo esteve muito abaixo da sua média contra o tricolor baiano. Foram só 11 chutes a gol, sendo que a sua média é de 14,3 por jogo. Já o Bahia chutou 23 vezes a gol e tem média de 11,8. O jogo teve poucos desarmes dos dois times, mas o Botafogo ficou muito abaixo da sua média. Foram só 12 desarmes, sendo que a sua média é de 21,1. O Botafogo é o time que mais faz gols com a bola rolando, mas não conseguiu ter um desempenho condizente para conseguir mais gols e, consequentemente, o resultado.

Goiás 1×0 São Paulo

O Goiás venceu um jogo que parecia que não teria vencedor no Cerrado graças a um gol no final, que contou com alguma dose de sorte.  Mas a atuação foi para vencer. Foram 21 chutes a gol do Goiás, bem mais do que a média de 13,8 gols por jogo. Vale lembrar que o Esmeraldino tem Walter, o jogador que mais vezes chuta a gol no campeonato – média de 4,4 chutes por partida. O São Paulo, por sua vez, só chutou sete vezes a gol, bem menos que a sua média de 12,1 por jogo. O jogo também teve poucos desarmes. Foram oito do Goiás, que tem média de 22,4 por jogo, e 12 do São Paulo, que tem média de 23,7.

Atlético Paranaense 1×0 Ponte Preta

As condições do gramado do estádio Durival de Brito pelas fortes chuvas impossibilitou o jogo de ter muitos lances de ataque. Foram só 10 chutes a gol para cada time, sendo que o Atlético Paranaense tem média de 15,3 chutes por partida, a segunda melhor do campeonato. A Ponte Preta tem média de 11 chutes a gol por jogo, então ficou pouco abaixo da média.

Apenas uma rodada

Olhando para os dados, não dá para chegar a uma conclusão que o nível técnico do Campeonato Brasileiro é baixo apenas porque a rodada teve poucos gols. Assim como uma rodada repleta de gols pode não significar que o nível aumentou.

A rodada teve um bom desempenho defensivo de alguns clubes e, principalmente, um baixo desempenho ofensivo de outros. As duas coisas estão ligadas, já que um time enfrenta o outro. Por isso, é preciso relativizar quando falamos só de uma rodada. Há vários fatores que influenciam rodada a rodada e é preciso tomar cuidado ao tomar conclusões tão gerais tomando como amostra algo tão restrito.