A 24ª rodada do Campeonato Brasileiro deixou mais claras quais as disputas ainda abertas. Na parte de cima, poderia se esperar mais acirramento, porque o líder tinha um confronto difícil e times do G4 poderiam se aproximar. O que se viu foi uma queda em série dos concorrentes e o Cruzeiro vencendo mais uma. Mais: teve o Corinthians recebendo um choque de realidade forte demais para quem ainda falava em Libertadores, o São Paulo entendendo que a sua disputa é contra o rebaixamento, Náutico e Ponte Preta respirando em meio ao desespero e times voltando à forma, como o Atlético Mineiro e o Fluminense. Confira:

Eficiência no ataque, força na defesa

Goiás 1×2 Fluminense

Se não foi um grande jogo, o Fluminense conseguiu uma vitória fora de casa contra um time que vinha muito bem no campeonato.Walter, um dos destaques do Brasileirão, não conseguiu ir bem graças à boa atuação do volante Edinho e do zagueiro Gum,  destaques do tricolor na partida. Jean, volante que atuou com liberdade para chegar ao ataque, fez um gol e foi um dos melhor do jogo. O Goiás agora é 10º, enquanto Fluminense é oitavo.

A tão esperada vitória

Náutico 3×0 Coritiba

O Náutico conseguir vencer não é algo comum nesse campeonato. O time é o pior do Brasileirão, mas mesmo assim conseguiu fazer 3 a 0 no Coritiba na Arena Pernambuco. A última vitória foi contra o Internacional, no dia 28 de julho, no mesmo estádio e pelo mesmo placar, 3 a 0. Foi só a terceira vitória do time no campeonato. E o Coritiba, que chegou até a liderar a competição no início, já está mais perto do rebaixamento do que da parte de cima. É o 14º, com 31 pontos. O Náutico continua em último, com 14.

O inesperado no Maracanã

Botafogo 0x1 Ponte Preta

Olhando para os números da partida, é difícil entender como o Botafogo perdeu da Ponte Preta. Foram 21 chutes a gol, 65% de posse de bola… Mas assistindo ao jogo, esses números foram irrelevantes. Ou melhor, outros números mostram como o time foi ineficaz: só dois dos 21 chutes foram no alvo. A derrota veio em um pênalti inexistente. Uma ode à incompetência, porque agora o Botafogo está em terceiro, com 42 pontos, e a 11 do Cruzeiro. A Ponte tenta respirar, mas é 19ª com 22 pontos.

Atlético Mineiro da Libertadores

Atlético Mineiro 3×1 Santos

Quando o Atlético Mineiro joga o seu futebol, é difícil segurar. Foi o que se viu diante do Santos, que até vinha bem no campeonato. Sem Ronaldinho, um reserva foi destaque: Luan, que entrou justamente pela ausência do craque. Foram 19 chutes a gol do Galo, que aproveitou para fazer 3 a 1 de virada com boa atuação de Luan, Réver e Marcos Rocha.

O Santos mostrou ser um time organizado, mas diante do Atlético, também organizado, mas tecnicamente superior, não conseguiu se impor. Mesmo assim, destaque para Alison, volante que fez nove desarmes na partida.

Campeão mundial no chão

Portuguesa 4×0 Corinthians

Sofrer quatro gols em um só jogo está longe de ser rotina no Corinthians. A paulada veio da Portuguesa, em um jogo que os rubro-verdes foram amplamente superiores. Criou muitas jogadas de ataque, quase sempre em jogadas trabalhadas, envolveu a defesa alvinegra e construiu uma vitória que ficará na história.

Gilberto, grande destaque da partida com três gols, e Lauro, que defendeu um pênalti de Paolo Guerrero, foram os melhores. O Corinthians até chutou a gol 15 vezes, mas não conseguiu converter, algo que tem sido frequente. De quebra, o time ainda viu a Lusa ficar à frente na tabela pelos critérios de desempate.

Foi dia do cravo

Flamengo 4×1 Criciúma

Menos posse de bola, mas muita velocidade na transição. Esse foi o Flamengo no jogo contra o Criciúma. Foram dois gols de escanteio, um terceiro em contra-ataque rápido que resultou em um pênalti e o quarto veio, já no segundo tempo, em uma jogada trabalhada pelo lado do campo.

O Flamengo foi eficiente, como nem sempre consegue ser. Destaque para Elias, principal jogador do Flamengo, e Luiz Antonio, que mostrou grande capacidade, mais uma vez, no meio-campo. O Flamengo é o time de um dia no cravo, outra na ferradura. Foi dia do cravo.

Quando ser melhor não é suficiente

Bahia 0x0 Vasco

A fase do Vasco é tenebrosa, é bem verdade. O time vinha de quatro derrotas consecutivas, afundado em 18º lugar e enfrentava o Bahia fora de casa. Conseguiu ser melhor, criar mais chances, mas esbarrou na própria incompetência.

Dos 16 chutes a gol, só quatro acertaram a meta. Mesmo com um alto número de desarmes e trabalhando a bola, o vascaíno saiu de campo com a sensação que podia ter ganhado os três pontos. Porque nessa fase de brigar contra o rebaixamento, ser melhor não é suficiente. É preciso vencer. Pior para o Vasco, que segue em 18º, enquanto o Bahia é 11º.

Azar (e incompetência) de time da rabeira no Morumbi

São Paulo 0x1 Grêmio

Não foi um dia normal no Morumbi. O São Paulo enfrentava o Grêmio, um dos times que ainda sonha com o título e era terceiro colocado, e conseguiu dominar o adversário. Trabalhou muito a bola, com muitos passes curtos e chegando até dentro da área. Dos 16 chutes a gol do time da casa, 11 acertaram o alvo. O time terminou com 64% de posse de bola. Dida foi o melhor da partida enquanto o São Paulo não finalizou bem. Luís Fabiano continua em uma fase ruim.

Vale também dizer que o árbitro não marcou um pênalti a favor do São Paulo em um lance que Kléber colocou os braços acima da cabeça em uma cobrança de falta de Reinaldo, quando formava a barreira dentro da área. O time do Morumbi parece ainda longe de ter um alívio no Brasileirão.

Loucura de gols na Vila Capanema

Atlético Paranaense 3×5 Vitória

Pior que a sensação de perder é a sensação de quase ganhar. A torcida do Atlético sentiu isso na pele na noite de domingo. O time tomava 3 a 0 no primeiro tempo do Vitória, em casa, e deixou o campo vaiado. Voltou para a segunda etapa voando, chegou ao empate por 3 a 3 e, quando tudo parecia destinado a um final feliz para o time da casa, o Vitória foi lá e mandou mais duas bolas na rede.

O 5 a 3 mostra que as duas defesas falharam mais do que deveriam. Éderson brilhou com dois gols, mas o desempenho dos quatro jogadores atrás e do goleiro do Atlético ficaram abaixo da média. Com isso, o Vitória aproveitou para vencer e vencer bem. Os dois times são surpresas no campeonato. O Atlético segue em quarto, com 41 pontos, enquanto o Vitória é sexto com 34.

Não tem para ninguém

Internacional 1×2 Cruzeiro

Eficiência pode resumir bem a atuação do Cruzeiro em Novo Hamburgo. O time fez bem menos chutes a gol do que está acostumado, oito (sua média é 16,9 por jogo, mais do que o dobro). Mesmo assim, venceu por 2 a 1, atuando de forma muito compacta e impediu que o Inter criasse muito. Nílton foi destaque do jogo, marcando um gol e ajudando muito na bola aérea. Dedé também foi importante na bola pelo alto, impedindo que o Inter conseguisse sucesso. Não foi um jogo brilhante, mas foi suficiente para vencer. Típico de time que caminha para o título.

Já o Inter terá mais contestação do técnico Dunga, que preferiu deixar Alex, Leandro Damião e Diego Forlán no banco. Tudo bem, nenhum deles vem bem, mas sem Andrés D’Alessandro, o time ficou só com garotos em campo em campo do meio para frente e não foi páreo para o Cruzeiro tão eficiente.