Brasil

Vasco acabou com a seca com protagonistas acostumados a serem coadjuvantes

Entre todas as finais deste domingo, a que tinha o palco mais famoso era a do Campeonato Carioca. O Maracanã um público enorme, estádio cheio para ver a decisão entre Botafogo e Vasco. Se o palco era o da final da Copa do Mundo, o futebol foi digno do estadual disputado ali. Muita luta, é verdade, os dois times fizeram um jogo bem aberto, mas tecnicamente fraco. Para os torcedores dos times, isso pouco importava. A sede era de taça. O Botafogo, rebaixado no Brasileiro de 2014, queria voltar a levantar um título. O Vasco lidava com um jejum de 12 anos sem este título, que mesmo sem ter o mesmo peso de anos atrás, ainda pesa na rivalidade. Entre os seus protagonistas, dois jogadores que se acostumaram a ser coadjuvantes.

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O Botafogo, que precisava vencer, tentou, mas o Vasco é quem tinha as melhores chances. E foi com um jogador dos menos badalados que o Vasco conseguiu vencer de novo e ficar com a taça. Renê Simões surpreendeu na escalação trouxe Luís Ricardo no meio, vestindo a camisa 11. Não funcionou. O ex-jogador do São Paulo e Portuguesa tocou pouco na bola, escondido a maior parte do jogo. Tomas, outro que entrou para compor o meio, também não funcionou. Rodrigo Pimpão foi o único que funcionou no ataque do Botafogo, dando algum trabalho à defesa vascaína. O Vasco se acertou, e o Botafogo não conseguiu levar mais perigo no primeiro tempo.

Pelo lado vascaíno, Doriva escalou Rafael Silva, que fez o gol no jogo de ida vindo do banco. Jogou ao lado de Júlio dos Santos e Dagoberto, com Gilberto à frente dos dois. Desde o começo, o Vasco foi melhor, aproveitando o espaço que o time dava para o contra-ataque. Faltava qualidade tanto no passe final quanto nas finalizações. O jogo era de quem errava mais. Até que um erro acabou sendo fatal. Marcelo Mattos errou no passe na saída de bola. Gilberto fez o desarme, tocou para Guiñazú, que abriu para Rafael Silva, sozinho no lado esquerdo. O camisa 11 chutou cruzado de pé esquerdo e mandou para a rede.

Rafael Silva, que chegou ao clube há cerca de um ano, depois de ter sido campeão paulista pelo Ituano, justamente com Doriva. Se o ano de 2014 não foi grande coisa para o atacante, 2015 vem sendo muito melhor. Foi dele o gol da vitória no primeiro jogo, aos 46 minutos do segundo tempo. Um gol fundamental para criar a vantagem para este jogo de volta. Um jogador que teve sua maior glória pelo Ituano, sem nem ser o protagonista do time. Um coadjuvante que se tornou protagonista na final, com um gol em cada jogo.

Um gol que fazia jus ao que era o jogo. O Vasco dominava a partida, mas o intervalo serviria para equilibrar novamente o jogo. Renê Simões brigou com o time, que tinha dado chutões demais na opinião do técnico. O Botafogo voltou melhor. Também porque veio com duas mudanças, Diego Jardel e Sassá entraram nos lugares de Tomas e Luís Ricardo. O time melhorou. Com Diego Jardel, o Botafogo empatou o jogo aos 30 minutos, quando a torcida começava a se desiludir.

O Vasco, então, passou a ter campo livre para o contra-ataque. Perdeu várias chances de matar o jogo, enquanto o Botafogo, no desespero, ia para cima dando muito espaço. Até que veio a pá de cal. Aos 47 minutos do segundo tempo, Gilberto recebeu, chutou forte, cruzado, e sacramentou o fim da seca vascaína. Depois de 12 anos de espera, o Vasco levantaria de novo a taça do Campeonato Carioca. Gilberto, talvez o maior destaque individual do Vasco, assumiu um papel de protagonista que ele pouco viveu. Brilhou pelo Santa Cruz, mas não conseguiu repetir o sucesso no Internacional, onde foi só um reserva. Jogou pelo Sport e pela Portuguesa, onde voltou a ser protagonista. Pasosu pelo Toronto, time canadense que joga a MLS, mas não conseguiu ser o protagonista que se esperava. No Vasco, assumiu a camisa 9 e correspondeu.

Diante de 66.156 pessoas, a grande maioria de vascaínos, comemorou um título merecido. O Vasco foi quebrando a desconfiança aos poucos. O futebol não foi atraente, mas Doriva merece o reconhecimento por ter feito um time competitivo em pouco tempo de trabalho. Não quer dizer que o trabalho está feito, muito pelo contrário.

O Vasco é um time que precisa melhorar bastante para o Campeonato Brasileiro. O título ajuda na confiança, no apoio da torcida e nos créditos que o técnico recebe. Há muito o que comemorar. O Vasco é o time de Rafael Silva, que mostrou estrela nos dois jogos da final, e também de Gilberto, artilheiro e destaque do time. Dagoberto, um dos maiores medalhões contratados pelo elenco, também contribuiu. Como a torcida colocou no mosaico atrás do gol, “O Maraca é nosso desde 1950”. O Vasco recupera a sua história de conquistas. E neste domingo, o Maracanã foi do Vasco.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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