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Vale a pena escalar o time inteiro reserva na estreia do Brasileiro?

O calendário do futebol brasileiro tem um problema sério. O Campeonato Brasileiro, principal torneio do país, estreia quando nós já nos esgotamos e nos emocionamos com os estaduais e já vivemos as primeiras emoções da Libertadores. Culpa de um excesso de datas datas ao estadual e um aperto que a Conmebol faz na Libertadores para ser jogada em um semestre. Quando o Brasileirão chega, é como aquele cara que chega na festa quando todo mundo já está um pouco bêbado. E aí a prioridade é outra. No caso dos cinco times vivos na Copa Libertadores, a prioridade é justamente o torneio continental. Então, os técnicos rodam o elenco para não desgastar todo o time para o jogo do meio de semana. Normal, certo? Certo. Só que aqui no Brasil, parece que não há como rodar elenco. É só time titular ou time reserva. E foi assim com Atlético Mineiro, Corinthians, Cruzeiro, Internacional e São Paulo.

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Destes, Atlético Mineiro, Corinthians, Cruzeiro e Internacional jogaram com praticamente o time inteiro reserva. No Galo, Victor foi o único titular contra o Palmeiras. No Corinthians, apenas Cássio. O internacional, assim também só teve o goleiro Alisson como titular contra o Atlético Paranaense. O Cruzeiro teve cinco titulares que atuaram no meio de semana em campo contra o Corinthians, na Arena Pantanal: Fábio, Manoel, Willians, Marquinhos e Willian. Durante o jogo, o lateral Mayke entrou em campo no lugar de Leishmann, que começou jogando. O time teve uma atuação muito ruim e acabou perdendo para o Corinthians.

No São Paulo, também foram cinco jogadores que entraram em campo neste domingo e que começaram jogando também na quarta-feira contra o Cruzeiro: Rogério Ceni, Lucão, Reinaldo, Souza e Wesley. Além deles, Dória, que não jogou na quarta por estar suspenso, voltou ao time, assim como Hudson e Luís Fabiano. Se somarmos esses jogadores, são oito jogadores que são titulares do time, ou ao menos têm sido titular na maior parte do tempo. Os poupados, de fato, foram o lateral Bruno – que nem foi para o banco -, Paulo Henrique Ganso e Alexandre Pato, sendo que os dois últimos entraram em campo no segundo tempo. Aliás, mais do que entrar em campo, foram decisivos. Pato participou do primeiro gol, de Luís Fabiano, e depois marcou o segundo, em passe de Ganso.

Ganso (nº 10), Pato, Luís Fabiano e Reinaldo (fundo) comemoram gol do São Paulo (Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)
Ganso (nº 10), Pato, Luís Fabiano e Reinaldo (fundo) comemoram gol do São Paulo (Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)

Manter uma base do time e trocar só os jogadores mais desgastados parece uma estratégia mais acertada do que jogar com um time totalmente reserva. Até porque não são todos os titulares que estão fisicamente desgastados. É possível manter uma espinha dorsal que deixe o time mais forte. É raro vermos times europeus, por exemplo, rodaram o elenco colocando todos os reservas, a não ser em competições pouco relevantes, como a Copa da Liga. Estrear no Campeonato Brasileiro poupando tantos jogadores parece um pouco demais.

A vitória do São Paulo teve a ver com o fato de não ter poupado todos os jogadores, porque o time manteve um certo padrão de jogo, ainda que com algumas modificações. O Corinthians venceu, mas fez um jogo horroroso contra o Cruzeiro, que, mesmo sem colocar um time todo reserva, apresentou os problemas que o time titular tem mostrado – e, portanto, jogou mais uma vez mal. O Atlético Mineiro conseguiu encaixar um bom jogo contra o Palmeiras, mas muito também por um mau jogo do time paulista. O Internacional fez um jogo péssimo contra o Atlético Paranaense e acabou perdendo merecidamente. Mesmo com um elenco forte, quando se troca todos os jogadores de linha, o risco do time sofrer mais em campo é maior.

Talvez seja o caso dos técnicos repensarem essa estratégia de poupar todos os jogadores. Claro que aqui no Brasil o calendário é muito mais cruel do que na Europa, com muito mais jogos ao longo do ano, e essa pode ser uma forma de lidar não só com o jogo do próximo meio de semana, mas também com toda a temporada. Mesmo assim, é preciso repensar. Usar todos os reservas, um time que costuma não ter padrão ou entrosamento, acaba sendo um risco grande, sendo que nem todos os jogadores estão precisando de descanso.

Como bem dizem, vemos os times usar os titulares muitas vezes durante os estaduais, para depois poupar no Campeonato Brasileiro. Talvez fosse o caso de readequar as prioridades, já que é preciso dosar as energias em relação ao ano todo. Mas, como no Brasil os técnicos têm sempre um medo terrível de um resultado negativo – justificadamente, porque aqui os técnicos já caem no estadual, como Cristóvão Borges no Fluminense ou Enderson Moreira no Santos -, vivemos essa situação ridícula. Situação que tem a ver com um calendário capenga, que já falamos tantas vezes, já que o Brasileirão teria que começar muito antes e a Libertadores acabar muito depois, no fim do ano. Mas aí é conversa para outro post.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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