Brasil

Um futebol de Dunga

Apesar de ser um início de Eliminatórias fora de casa, contra a Colômbia, o Brasil poderia ter tido uma noite tranqüila, A seleção cafetera está longe de ser uma potência e salvo poucas exceções, como Falcão e Rentería, tem pouco para mostrar que realmente amedronte. Ainda assim, arrancou um ponto do Brasil com um 0 a 0 medonho.

Só que não foi. A dificuldade do Brasil já tinha começado na convocação – mais uma vez – equivocada de Dunga, se agravou na semana de treinos toscos em Teresópolis e se consolidou na armação do esquema com um 4-4-2 que engessou Kaká na parte direita do campo, deixando um esquálido Robinho na frente, ao lado de um nada entusiasmante Vágner Love.

Entre as muitas perguntas que se cabe fazer é por que razão a Seleção treinou com um tridente ofensivo na serra fluminense (com Robinho ou Vagner Love, Kaká e Ronaldinho) e subiu ao estádio El Campin com um esquema que sacrificava os dois últimos.

Robinho talvez não devesse nem ter viajado. Passou toda a semana machucado na Granja Comary e se tivesse ficado se recuperando, garantiria uma melhor e mais segura atuação contra o Equador. Ao contrário, estava amarrado na esquerda, visivelmente sem condições físicas.

O ataque não é o único problema a ser resolvido na Seleção. Como bem apontou Paulo Vinicius Coelho, na transmissão da ESPN Brasil, os laterais colombianos só não fizeram estrago maior porque o resto da seleção não era fantástica. Dunga não instrui seus jogadores a marcar adequadamente durante os treinos e o resultado fica nítido durante o jogo.

Para impedir a descida dos laterais colombianos, Dunga achou uma saída genial: colocou Robinho e Ronaldinho para marca-los, deixando Kaká e Vagner como únicas opções ofensivas em um time que jogou parado o tempo todo. Brilhante!

Mesmo com os jogadores que estavam em Bogotá, Dunga poderia ter imposto maiores dificuldades à Colômbia. Em Teresópolis, com Kaká pelo meio e Ronaldinho na esquerda, o time jogava mal – mas jogava. Vagner Love recuava bastante para ajudar na composição e deixava Kaká livre para aparecer como surpresa, da mesma forma que faz no Milan. Na Colômbia, contudo, o milanista e o barcelonista ficavam escravos da confusão tática dos apoios vindos dos laterais e da falta de mobilidade dos atacantes.

Objetivamente: o Brasil de Dunga não soube passar a bola, não soube marcar, atacar e nem se movimentar. Em suma, não jogou. Dunga virá dizer que o empate foi um grande resultado. Não foi. Ele pode chiar à vontade e seus defensores podem criticar a imprensa como sendo parcial. Se eles viram um jogo bom, sorte deles. Talvez tivessem imagens de uma partida que só aconteceu na cabeça deles.

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