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Seedorf, Forlán e os investimentos

Seedorf, holandês, no Botafogo. Forlán, uruguaio, no Internacional. Contratações inegavelmente noticiosas e que podem ser analisadas sob diversos aspectos: técnico, emocional, financeiro, etc. Na coluna de hoje, a ideia é abordar os investimentos feitos e as expectativas de retorno, considerado o que foi divulgado pelos dirigentes, o que poderia ter sido perguntado e as lições do caso Ronaldinho.

Seedorf, 36, é uma grande personagem do futebol europeu. Muito admirado, tem na bagagem passagens por clubes como Ajax, Real Madrid e Milan. É carismático, grande meiocampista e avesso à polêmicas. Daquele tipo de atleta sem rejeição.

Vai chegar ao Botafogo custando R$ 700 mil por mês, grana altíssima para os padrões de qualquer liga. Em entrevistas, o presidente do clube Maurício Assumpção disse que o aumento do número de sócios torcedores ajudará o clube a pagar o jogador. Dias após o acerto, quatro mil sócios aderiram ao programa (que agora tem doze mil pessoas). Os planos têm preços relativamente interessantes, que vão de R$ 25 à R$ 120 mensais.

No Internacional, Forlán, 33, receberá R$ 415 mil reais mensais. Um salário alto porém mais plausível que o do holandês. O clube também espera aumentar o já alto número de sócios-torcedores, mas o vice de futebol do Inter, Luciano Davi, declarou que empresas vão ajudar a pagar as remunerações. A imprensa divulgou que a diretoria pretende trabalhar na exploração da imagem – atrair recursos e novos parceiros com a imagem de Forlán – e no quase sempre lembrado licenciamento de produtos.

As contratações são barulhentas e ótimas para o futebol nacional. Mesmo assim, falta explicar a conta. Ambos falam em engenharia financeira, sócios-torcedores e licenciamento de produtos. Mas o planejamento, apesar de sério, não apresentou ao público o retorno do investimento. “Investiremos x, esse percentual de recursos será captado com as ações y e o restante com as ações z”, por exemplo. Alguns podem alegar que empresas particulares também não divulgam seu planejamento com tantos detalhes, mas futebol é uma atividade muito particular. Além dos sócios, torcedores comuns funcionam como acionistas informais e há interesse em saber como as finanças do clube estão sendo utilizadas.

Como essa conta detalhada não é apresentada, o torcedor tem o direito de ter a pulga atrás da orelha. Ainda mais se lembrarmos de um episódio recente.

Ronaldinho

Como pagar Ronaldinho? Não é um investimento arriscado? Essas eram as indagações quando Ronaldinho Gaúcho foi contratado pelo Flamengo. Perante o clima de oba-oba, bem maior do que as contratações dos estrangeiros, diga-se, a resposta era simples: com o marketing. Produtos, parcerias, patrocinadores para o uniforme, diziam os dirigentes. Como dar errado?

Pois é, deu errado. Desempenho em campo à parte, o Flamengo não conseguiu o patrocinador master para o uniforme com os valores esperados, teve empecilhos com a Traffic, outrora parceira do clube para trazer o jogador e o resultado nós sabemos qual foi. Na época, a conta também não foi apresentada, e os argumentos (e perguntas) eram uma mistura de euforia com expectativa.

Seedorf e Forlán parecem ser contratações menos arriscadas. A imagem dos jogadores tem credibilidade e o fato de serem estrangeiros traz também o ineditismo. Cabe esperar que esses cálculos mesmo não apresentados, tenham sido feitos. E que a tal engenharia financeira vá além de licenciamento de produtos e captação de empresas parceiras, mas que também utilize a criatividade na ativação dos patrocínios já existentes e busque oferecer bom tratamento ao torcedor, cliente do clube, às vezes esquecido.

A ousadia e repercussão das contratações são notáveis. Daí a generalizar e dizer que todo o futebol brasileiro é exemplo de competência, já é um pouco demais.

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Equipe Trivela

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