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Quando as pernas cansaram, Cruzeiro arrancou as suas vitórias e foi campeão incontestável

Houve um momento no Campeonato Brasileiro, entre setembro e outubro, que o Cruzeiro pareceu fraquejar. Aparentava cansaço, os passes não eram mais tão precisos, nem as finalizações, e o bicampeonato que parecia garantido passou a ser ameaçado pelo São Paulo. Mas mesmo nos momentos em que as jogadas rápidas e o espírito ofensivo abandonaram-no, o time de Marcelo Oliveira soube vencer os seus jogos, do jeito que fosse, e por isso conquistou, neste domingo, o segundo título seguido do Campeonato Brasileiro com todos os méritos e nenhuma contestação.

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É a velha máxima de que para ser campeão precisa aprender a vencer jogando feio. O Cruzeiro não chegou a ser um time agressor aos olhos, mas arrancou algumas vitórias na marra. Como contra o Bahia, no Mineirão, com os dois gols da virada no segundo tempo. Ou no Couto Pereira, diante do Coritiba, quando abriu 2 a 0 e ficou se segurando até o apito final. No Barradão, Dedé marcou aos 39 minutos do segundo tempo o gol que rendeu o Vitória.

Essa partida contra o clube baiano foi o início de uma sequência invicta de oito jogos, com seis vitórias. Cinco desses triunfos foram por apenas um gol de diferença, inclusive o deste domingo sobre o Goiás, por 2 a 1. Abriu o placar com Ricardo Goulart bem no começo da partida e sofreu o empate em uma vacilada da defesa. Na metade do segundo tempo, voltou a ficar à frente com Éverton Ribeiro. Fábio executou um punhado de grandes defesas para segurar o resultado.

Não foi o Cruzeiro mais brilhante do ano, mas representou bem como Marcelo Oliveira conseguiu condicionar os seus jogadores a buscarem a vitória mesmo quando as pernas começassem a pesar, a cabeça a se desconcentrar e o gol adversário a parecer pequeno demais. Mais simbólico ainda que os dois gols do título tenham sido marcados por Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart, a dupla de pouca estatura e muito futebol que liderou o clube desde a primeira rodada como se jogasse juntos há muitos anos.

O título, de fato, foi conquistado no meio de semana, com uma virada na base do coração para cima do Grêmio. O trabalho deste domingo era quase protocolar. Havia vários cenários que dariam o título e, mesmo que não fosse agora o momento, haveria duas rodadas pela frente. Mas o Cruzeiro quis tirar isso da frente de uma vez porque na próxima quarta-feira o desafio é ainda maior, e a Raposa vai precisar de pernas, cabeça e muito coração para reverter a derrota por 2 a 0 para o Atlético Mineiro, vencer a Copa do Brasil e completar a sua segunda Tríplice Coroa.

 

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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