Brasil

Os dribles desconcertantes que fizeram Júlio César se consagrar como o Uri Geller da bola

Júlio César nasceu da Silva Gurjol, mas o talento com a bola nos pés lhe deu outro sobrenome. O ponta esquerda tinha uma facilidade imensa para os dribles. Parava na frente dos marcadores e logo os entortava com cortes impressionantes. Ganhou o apelido de Uri Geller, ilusionista que fazia fama nos anos 1970 por entortar talheres “apenas com a força do pensamento”. Assim, o camisa 11 se celebrizou. Mais do que isso, fez por merecer a alcunha por participar de equipes históricas do Flamengo.

Cria das categorias de base rubro-negras, Júlio César se firmou na equipe principal durante a virada da década de 1970. Ao longo dos seis anos que esteve entre os profissionais, chegou a ter rápidas passagens pelo America e pelo Remo. Deu sua contribuição para as conquistas do Campeonato Carioca de 1979 e também da edição especial do estadual, realizada no mesmo ano, além de contribuir no título do Brasileirão de 1980. Deixou a Gávea em 1981, rumando para o Talleres da Argentina, sem participar da Libertadores e do Mundial. Ainda assim, gravou o seu nome na história com 133 partidas e os dribles estonteantes na lateral esquerda do Maracanã, que arrancavam os gritos da geral. Depois disso, rodou por diversos clubes sem repetir o mesmo sucesso.

Depois que pendurou as chuteiras, Júlio César manteve as suas raízes no Flamengo. E hoje o ponta continua humilhando os laterais na equipe de veteranos dos rubro-negros. Se muitos flamenguistas consideram o dia 3 de março como o seu “Natal”, por causa do nascimento de Zico, não podem se esquecer também de outro ídolo histórico que nasceu na data. Uri Geller está distante dos feitos do camisa 10, mas seus dribles renderam gargalhadas de milhares de torcedores. Sem ser aquele craque decisivo, valia por aquela malícia que também faz o futebol. Merece a lembrança em seu aniversário de 60 anos.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo