Brasil

Ordem e progresso

Se o Vasco vai brigar ou não pelo título do Campeonato Carioca é uma questão secundária. A boa nova é que a nau cruzmaltina caminha em mares seguros pouco tempo depois do rebaixamento, como ficou provado e comprovado na segura vitória sobre o Flamengo no domingo. Hoje, já é possível prever um time que vá brigar bem na Série B e esse é o ponto para o torcedor vascaíno.

A figura serena e dedicada de Dorival Júnior é o ponto central para essa mudança que já se vê no time do Vasco. Mesmo precisando vencer vários problemas extra-campo, o treinador mantém o grupo imune às crises e faz seu trabalho ser sentido dentro das quatro linhas.

Como ficou provado nas vitórias sobre Botafogo e Flamengo, o Vasco é totalmente outro em relação ao time que caiu, bagunçado, sob o comando de Renato Gaúcho. A organização em campo dos vascaínos é evidente e se vê uma equipe que sabe se defender e atacar, encarando sempre as partidas com fome.

Na defesa, se vê um time que conta com dois bons jovens pinçados ao Internacional: Titi é um leão na quarta-zaga e Ramon um lateral que o Vasco não tinha há várias temporadas no lado esquerdo. Paulo Sérgio é um jogador sem brilhos, mas linear e eficiente nas bolas paradas. A eficiência é marca também de Amaral, o cão-de-guarda para três meio-campistas que sabem jogar. Até Fernando, misturando liderança e bom posicionamento, vai se saindo um zagueiro seguro nos momentos agudos de 2009. Esse sistema só sofreu seis gols em 12 jogos, uma das melhores médias do Brasil.

O meio-campo, armado em losango, tem Nílton e Jéferson fazendo um papel híbrido pelos dois lados do campo. O ex-corintiano é um gigante na marcação e oferece opções no ataque, seja pelos chutes de longa distância ou pela força na bola aérea. Já o canhoto, ex-Santo André, é o termômetro da equipe. Pensa o jogo e se desloca para encostar em Carlos Alberto, que a despeito da expulsão contra o Fla, mostra uma evolução em seu comportamento. Apesar dos gols que tem feito, Élton ainda precisa provar que é o centroavante ideal em outros momentos, mas parece um jogador em franco crescimento.

Em comparação com o Corinthians de 2008, o Vasco está até em um momento superior na sua caminhada ao longo da temporada. É possível vislumbrar que a equipe de Dorival Júnior brigue pelo título do estadual, algo que passou longe no trabalho de Mano Menezes em seu momento incipiente. A questão é se a direção vai parar de arranjar problemas, pois em campo, as coisas têm fluído de maneira bastante razoável para o 2009 em São Januário.

Seleção volta a Quito

Desde a estréia nas Eliminatórias para a Copa do Mundo, em 13 de outubro de 2007, o Equador não perde jogando em casa pela competição. Para o Brasil, uma derrota em território equatoriano não vem há mais tempo ainda – desde agosto de 1983. Por fim, as últimas duas visitas verde-amarelas em Quito, pelas mesmas Eliminatórias, nos colocaram duas derrotas na bagagem. Tudo isso para mostrar o quão complicado é o compromisso dos homens de Dunga no próximo domingo.

A despeito de todos esses dados, a condição parece favorável à Seleção Brasileira, que encontrará um cenário parecido com o das vitórias no Chile e na Venezuela. Os equatorianos jogam em casa com um futebol agressivo, que não permite muita espera na defesa ou prioridade no toque de bola, justamente quando o time de Dunga se sente mais confortável.

Foi sempre dessa forma que o Brasil se saiu de suas situações mais difíceis sob o comando do treinador gaúcho: fechado na defesa e saindo pelos lados no contra-ataque, o que deve fazer com que Dunga, que já anunciou a intenção de usar Ronaldinho Gaúcho pela beirada esquerda, opte pelo 4-2-3-1 que fez sucesso nos últimos jogos fora de casa pelas Eliminatórias.

Utilizando as costas dos meias-externos – o Equador sempre joga com duas linhas definidas -, Ronaldinho Gaúcho e Robinho podem se valer da capacidade técnica que têm, ainda que longe da melhor fase técnica, para dar a vantagem ao Brasil nos contra-ataques, o que ficará ainda melhor se Kaká se recuperar a tempo de atuar com 100% de suas condições, o que não parece algo exatamente simples.

Para conseguir um resultado expressivo e vencer em Quito após 26 anos serão necessários cuidados com a parte física dos atletas brasileiros em um momento chave da temporada européia, quando seus corpos já pedem descanso. Com a formação que se desenha, irá faltar ao Brasil jogadores com característica de administrar o jogo. E nos 2.850 metros de altitude da capital equatoriano, “gelar a bola”, como diria René Simões, é fundamental.

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Equipe Trivela

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