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O teste da Arena Corinthians foi satisfatório para a torcida, mas o foco da Fifa é outro

Ele aparece ao fundo, grandioso, imponente. E, assim que isso acontece, todos os passageiros se amontoam em um lado do trem para ter essa primeira visão. Para muitos, só naquele momento a notícia de que o Corinthians tinha seu próprio estádio pareceu real. Começam os “Vai, Corinthians!”, que se estendem da plataforma do trem até a porta do estádio. Tudo bem organizado, tudo bem sinalizado, tudo bem orientado, tudo como se imagina para a Copa do Mundo.

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A primeira impressão da maioria dos torcedores que foram à Arena Corinthians pelo Expresso Copa (trem que liga o centro à estação Itaquera) foi das melhores. O trajeto respeitou britanicamente os 19 minutos prometidos (para a reportagem da Trivela, das 13h51 às 14h10), a operação de entrada foi eficiente e, salvo pelo escoramento nas arquibancadas provisórias, a imagem era a de um estádio relativamente pronto.

Obs.: quem foi ao estádio de carro sofreu um pouco com os bloqueios nas avenidas que levavam ao estádio, e uma crítica comum era a falta de informação dos guardas de trânsito.

Para muitos alvinegros, a ideia de um estádio quase pronto era a que prevalecia, mesmo com algumas concessões (lanchonetes) ainda não operando. Mas essa era a Arena Corinthians do setor Leste e Norte, para onde se dirigiu a maior parte dos 37 mil torcedores que foram à partida contra o Figueirense. Claro que não é o público total da arena, e a realidade com 65 mil pode ser outra. Mas a sensação é de que o esquema era suficiente para comportar uma vazão ainda maior de pessoas.

O problema não é a quantidade de gente, mas o que acontecia do outro lado da obra, uma área que passou longe dos olhares dos torcedores que vinham de Itaquera. Os setores Oeste e Sul ainda estão em obras, simples assim. Canteiro montado, materiais e equipamentos posicionados para o serviço, passarelas provisórias. O torcedor que desceu na estação Arthur Alvim do metrô viu tudo isso, mas perdeu o que realmente deve estar assustando a Fifa: o interior do prédio.

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Basta entrar no corredor de acesso da imprensa para se sentir o cheiro de gesso fresco, que acabou de ser feito. O elevador de imprensa a autoridades ainda precisa de vários ajustes. O interior ainda está com adesivo protetor, como se tivesse acabado de ser instalado. A numeração de andares está bagunçada: o visor mostra de -3 a 5, os botões vão de a 1 a 9.

Fica confuso saber por onde se sai. O térreo (0 em uma marcação, 4 na outra) é a área de imprensa, com zona mista e sala de coletiva. O andar mais alto (5 em uma marcação, 9 na outra) é a tribuna de imprensa, onde os jornalistas iam para ver o jogo e sofrer com a instabilidade da internet, as goteiras da cobertura e a falta de uma proteção extra devido ao fato de que não ter um vidro de tom verde é mais importante do que estar com o estádio pronto.

Obs.: se o Corinthians não quer um estádio com elementos verdes, direito dele. Mas a gestão da obra deveria ter identificado esse problema a tempo de mudar a especificação do material e não chegar à Copa com partes inacabadas.

Entre um andar e outro ficam as áreas VIP, onde a Fifa levará autoridades, celebridades e clientes. Vários pisos estão fechados para a circulação. Foi possível dar uma passada rápida neles: todos têm poeira para todo lado, plásticos no chão, escadas, falta de instalações. Apesar de parecer muita coisa ainda por fazer, o estágio já é de acabamento. O problema é que dificilmente os menos de 30 dias que separavam esse teste da abertura da Copa serão suficientes para estar tudo pronto. É esse tipo de coisa que ainda assusta muito a Fifa, e que faz que Jérôme Valcke ainda declare tanta preocupação com o Itaquerão, por mais que Ricado Trade, diretor-executivo do COL, tenha considerado o Corinthians x Figueirense um sucesso.

No final, não dá para dizer que foi um fracasso o evento teste da Arena Corinthians. Há pontos positivos, e é injusto ignorá-los porque é ignorar uma das questões mais importantes ao torcedor: a chegada e a saída do estádio. Mas ainda há muito trabalho a ser feito, sobretudo em questões muito delicadas para a Fifa.

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Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

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