Brasil

O problema do Vasco não são os jogadores, mas a forma como o time foi montado

Foi mais um dia daqueles para o vascaíno. Nesta quarta-feira, o Vasco enfrentou o Internacional, no Beira-Rio, e foi derrotado por 6 a 0. Mais um placar para a coleção de humilhações impostas este ano. São apenas três vitórias, quatro empates e oito gols marcados, que foram convertidos em 13 pontos. A cada rodada, o clube fica com mais cara de que, além de ser rebaixado, ainda terá uma das piores campanhas da história dos pontos corridos, o que não condiz com sua grandeza e, por pior que eles sejam, nem com os jogadores que formam o elenco.

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Não preciso deixar claro que o time do Vasco não é bom. As 15 derrotas em 22 partidas e os 41 gols sofridos fazem isso por mim. Assim como os últimos oito jogos do Brasileirão no qual o time não fez nenhum gol. Em condições normais de temperatura e pressão, seria um dos candidatos ao rebaixamento da mesma forma. Mas, no papel, o elenco não é tão ruim a ponto de chegar ao começo de setembro passando a sensação de que a queda à segunda divisão é irreversível.

Jogadores como Martín Silva, Rodrigo, Júlio César, Guiñazu, Julio dos Santos, Andrezinho, Diguinho, Dagoberto, Riascos, Herrera, Nenê, Jorge Henrique e Éder Luis já fizeram bons papéis com outras camisas, e mesmo com a do Vasco, debaixo de menos pressão. Já foram campeões brasileiros, conquistaram prêmios individuais e chamaram a atenção com ótimas partidas. Têm as suas qualidades. O problema foi juntar todos eles, ainda mais da forma atrapalhada como isso foi feito.

Afinal, no começo do segundo turno, Eurico Miranda ainda anuncia contratações, e o time, como coletividade e filosofia de futebol, não passa de vários fragmentos que a terceira comissão técnica do campeonato tenta juntar da alguma maneira coerente. A cada semana chegam jogadores novos, super-heróis diferentes para carregarem o Vasco nos ombros tabela acima. A cartilha do desastre, junto com a frequente mudança de comando. Mais do que isso, o erro da direção foi ter ignorado a fase dos jogadores que contratava e se guiado apenas pelos nomes.

Andrezinho passou quase dois anos na China antes de voltar ao Brasil, e os jogadores geralmente saem de centros menos competitivos precisando de algum tempo, às vezes vários meses, para se adaptar a uma nova intensidade. Quem, dentro do Vasco, acompanha muito o futebol chinês? Ou do Kuwait? Éder Luis passou 17 meses sem jogar por causa de problemas físicos até enfrentar o São Paulo, em São Januário. Jogou mais alguns minutinhos contra o Grêmio e voltou a se machucar. Não tem previsão de volta.

Julio dos Santos cumpria seu papel no Cerro Porteño, mas muitas vezes fico com a impressão que acompanham menos o futebol sul-americano que o chinês. Ele pode fazer parte de um elenco, como fez no Atlético Paranaense sem causar grandes danos, desde que não tenha que jogar muito. Além disso, aos 32 anos, com a carreira já bem arredondada, não tem muita coisa a provar no Brasil. Guiñazu, 37, menos ainda, e mesmo se estivesse no auge da técnica e da motivação, o “volante pegador” perde cada vez mais espaço no futebol brasileiro.

Riascos fez uma boa Libertadores pelo Tijuana, mas estava atuando muito pouco no Cruzeiro. Não passava por uma boa fase na sua carreira, e não poderia estar na reserva do 15º colocado do Campeonato Brasileiro o homem para liderar o ataque do Vasco. Uma dica: um atacante com fama de não fazer gols também não era esse cara. Herrera conquistou a torcida do Corinthians pela sua garra e força de vontade. Definitivamente, não foi pela sua capacidade de empurrar a bola às redes.

Nenê também tem bola para ajudar, como têm Jorge Henrique e Dagoberto, mas ambos aproximam-se do final das suas carreiras. Eles poderiam ser contratados, por exemplo, para dar suporte a uma equipe de garotos. Mas o Vasco nem revela mais. Não existem esses garotos. A principal promessa é Jhon Cley – que está quase sendo vendido. O plano não foi misturar a experiência dos velhinhos com a vitalidade dos jovens. Não há um plano, nem um fio condutor na montagem do elenco, uma ideia para se guiar. Há apenas um empilhamento de nomes e reputações prestes a desabar.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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