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O passado de Marcelo Oliveira como camisa 10 e ídolo do Atlético Mineiro

Habilidoso, inteligente, goleador. Não eram poucos os predicados que acompanhavam os relatos sobre Marcelo Oliveira em seus tempos de atleta. Marcelo, como era conhecido, quase sempre acabava chamado de craque pela crítica e por seus treinadores – mesmo que sua fase não fosse das melhores. Assim, o camisa 10 refinado despontou como um dos grandes ídolos da torcida do Atlético Mineiro na década de 1970. A ponto de seu passado alvinegro causar rejeição quando foi anunciado para treinar o Cruzeiro, em 2013. Nesta sexta, de qualquer forma, o técnico retorna à Cidade do Galo. Chega para comandar o clube onde começou a sua carreira à beira do gramado, embora sua importância como jogador permaneça incomparável.

Levado ao Atlético ainda na adolescência, Marcelo causou impacto nas categorias de base, ganhando o Campeonato Mineiro entre os juvenis por três vezes. Não demorou muito para despontar no time principal. E, bastante promissor, começar a integrar também a seleção brasileira. Em 1975, fez parte da equipe baseada no futebol mineiro para a disputa da Copa América, entrando em campo três vezes. Além disso, compôs o time olímpico nos Jogos Pan-Americanos da Cidade do México. Voltou com a medalha de ouro no peito.

O retorno ao Galo, todavia, esteve aquém do esperado. Marcelo atravessou um dos piores momentos da carreira, constantemente vaiado pela torcida por conta das más atuações e em litígio com o técnico Barbatana. Chegou a permanecer no banco, mesmo com improvisações, e ouviu do treinador que só disputou a semifinal do Brasileiro de 1976, contra o Internacional, por falta de opções. Estava arrasado. E quase foi parar no América Mineiro, em troca por um tal de Éder Aleixo – que só vestiria a camisa atleticana em 1980, após passar pelo Grêmio. Além disso, também sofria com a renovação de seu contrato, já que, para fazer parte da seleção olímpica amadora, não se profissionalizou a pedido da CBD.

A volta por cima de Marcelo aconteceu a partir de 1977. Em excursão à Ásia, diante da ausência de Paulo Isidoro, o jovem retomou a posição e terminou como destaque nos amistosos do Atlético, autor de 10 gols em 12 jogos. Naquele momento, também deixaria de atuar mais centralizado para virar ponta esquerda. “O Marcelo sempre foi um craque. Mas, convenhamos, no ano passado estava em péssima fase. Muita gente disse que eu estava contra ele e até o próprio Marcelo pensou assim. Bobagem. Como é que eu iria ficar contra um jogador que eu conheço e sei que, em forma, pode levar o time a vitórias sensacionais? Eu seria muito burro”, declarou o técnico Barbatana, em entrevista à revista Placar.

A boa fase de Marcelo era tamanha que ele voltou à Seleção em junho. Disputou três amistosos, além de um jogo contra a Bolívia pelas Eliminatórias, quando substituiu Zico e fechou a goleada por 8 a 0. O problema para o camisa 10 é que, mesmo no Atlético Mineiro, sua concorrência era duríssima: Paulo Isidoro, também cria da base. Ambos até chegaram a jogar juntos e Marcelo desempenhou papel notável na campanha até a decisão do Brasileiro de 1977, perdida para o São Paulo. Fez boas participações na Libertadores de 1978, quando o Galo caiu para Boca Juniors e River Plate no triangular semifinal. Contudo, o técnico Procópio declarou publicamente sua preferência por Paulo Isidoro. Alternando períodos entre titular e reserva, Marcelo rumou ao Botafogo em julho de 1979, trazido como grande reforço.

Foram quatro anos no Rio de Janeiro, além de uma rápida passagem pelo Nacional de Montevidéu, até voltar ao Atlético Mineiro em 1983. Mas os melhores anos de Marcelo já haviam ficado para trás e sua estadia foi curta. Encerrou sua trajetória como jogador do Galo com 285 partida e 104 gols, além de quatro títulos do Campeonato Mineiro. Agora, resgata o seu passado para tentar uma passagem tão marcante quanto como treinador.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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