Brasil

O pacificador

Com ele em campo nas Eliminatórias, três vitórias e três empates. Sem ele, só uma vitória, a única derrota, e outros três empates. A diferença de aproveitamento, de 66,6% para 40%, não traduz tudo o que Kaká representa para a Seleção Brasileira neste momento. Com ele em campo nesta quarta-feira contra o Peru, é provável que a camisa verde-amarelo amplie seu bom retrospecto. 

A questão é que Kaká é a liderança que o Brasil precisa dentro de campo. O espírito aglutinador que o milanista desenvolveu nos últimos anos, a ponto de criticar Ronaldo com naturalidade na última Copa do Mundo, ou sentar no banco de reservas sem causar tumulto no início da Era Dunga, são mostras de como o melhor do mundo amadureceu. Hoje, as braçadeiras de Milan e Seleção Brasileira parecem questão de tempo para Kaká. 

Outro ponto a favor do meia é a empatia que tem com os torcedores. As outras referências técnicas do time, especialmente Ronaldinho, Robinho e Luís Fabiano, não são unanimidades perante o grande público. Kaká chega perto disso.
 

Parte dessa reputação também se deve ao seu discurso diante dos microfones. Enquanto é comum ver Ronaldinho fugindo de repórteres e Robinho falando as mesmas coisas de sempre, Kaká responde o que precisa ser respondido. Sem rodeios, sem agressividade, mas de forma que acrescente algo para o público, para as entrevistas e para o crescimento do futebol em si.

Não há como não atrelar esse amadurecimento fora de campo com o que Kaká representa como jogador. A personalidade se reflete em campo, com um meia-atacante que volta até a intermediária para dar combate, se desloca pelos flancos para abrir espaço no meio e, claro, faz um ataque vertical e objetivo como ninguém no futebol mundial.

Quando não tem Kaká em campo, o Brasil perde porque não tem outro jogador com suas características. Com Ronaldinho em Quito, no domingo, a bola não parava no ataque e, tampouco, não se concretizava um contra-ataque sequer. O ex-Barcelona já não serve para a Seleção. Ao menos como um jogador referência. Hoje no máximo compõe o grupo.

É pertinente notar que Kaká não é o jogador que põe o pé em cima da bola e faz o time girar diante de uma defesa fechada. A falta desse meia é uma das explicações para os resultados ruins nos últimos jogos com essa característica, especialmente contra Bolívia e Colômbia, no Rio de Janeiro. Daí a necessidade de Hernanes ganhar um lugar no meio-campo.

Curiosamente, Hernanes é um jogador com características idênticas às de Kaká fora de campo. Prova disso é o interesse da Adidas pelo atual camisa 10 são-paulino, visto como um ser humano exemplar e indicado pelo próprio milanista para a empresa alemã. Mais um sinal de seu prestígio. 

CBF racha com a FBA

Não é novidade que a Série B se tornou um produto extremamente viável, bastante diferente do que era há alguns anos. Parte disso também se deve à própria valorização da Série A, com apenas 20 clubes, o que fez com que equipes mais fortes e especialmente tradicionais passassem a disputar a segundona. Daí o fato de a CBF ter anunciado, na última segunda-feira, que rompeu de maneira unilateral o contrato que tinha em vigor desde 2002 com a Futebol Brasil Associados.

Sem anúncios prévios, a CBF se reuniu com representantes dos 20 clubes da Série B, além de um diretor da Rede Globo, para tirar a FBA do negócio. José Neves Filho, ex-presidente do Santa Cruz, dos quais foi um dos piores presidentes, se vangloriava da proximidade com Ricardo Teixeira, e por isso se sentiu tão frustrado quando soube, subitamente, que havia sofrido um duro golpe. Meio pelas costas. 

Nos últimos anos, em razão da própria evolução do futebol brasileiro, a FBA ganhou poder de barganha com a força que adquiriu a Série B, mas especialmente o papel do Corinthians provou que a segunda divisão já tinha vida própria para caminhar sem a gestão de um terceiro, cuja relação com parceiros da CBF estava bastante desgastada.

Como diz o blog do Erich Beting, a FBA não se alinhava com a Sport Promotion, agência ligada à CBF e com quem dividia os trabalhos de gerir a Série B. Nem com o Vasco, que naturalmente se tornou a “bola da vez” em 2009 e queria ser valorizado por isso.
 

Dentro desse cenário, foi interessante para a CBF tirar a FBA do negócio. Se a Série B tem vida própria sem um terceiro, nada melhor que repartir o bolo em menos partes. A ex-gestora da segunda divisão promete fazer barulho nos próximos dias e José Neves Filho, que está longe de ser santo, garante que vai jogar a sujeira no ventilador. Há de se aguardar os próximos capítulos da história. 

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Equipe Trivela

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