Brasil

O Leão ruge alto

São 16 jogos na temporada, com 15 vitórias e apenas 1 empate. No Campeonato Pernambucano, em que é tricampeão, o Sport caminha ainda a passos largos para o tetra e ganhou, nada mais nada menos que os últimos seis turnos disputados. Precisa do sétimo para confirmar o Estadual de maneira antecipada – seria apenas o segundo tetra na história do clube, que foi 11º colocado no Brasileiro que não tinha objetivos e, claro, venceu a Copa do Brasil.

Muita gente se apressa ao dar para o Sport o título de principal clube do país na atualidade, ignorando a força do tricampeão São Paulo e o momento bastante especial do Cruzeiro, que ainda ao lado do Corinthians, também não perdeu jogos em 2009 entre os clubes da Série A. Ainda assim, é impossível não notar o momento consistente dos rubro-negros de Recife.

É importante dizer que, ao contrário do que pode se dizer, o Sport tem hoje uma condição financeira bastante interessante. Além de pertencer ao Clube dos 13, o que já lhe garante uma receita acima de boa parte dos rivais regionais, o Leão da Ilha disputa a Copa Libertadores, ampliando ainda mais o orçamento para montar um time forte. Com isso, foi possível pagar um bom salário para Nelsinho Baptista, que tem contrato de dois anos com o clube, e ainda atrair Paulo Baier, que dispensou outras grandes equipes para vestir rubro-negro.

Outra vantagem de poder ter uma folha salarial razoável foi a montagem de um elenco amplo e que dá a Nelsinho Baptista a possibilidade de fazer um rodízio médio nos jogos do Pernambucano. Ainda que mexa pouco no sistema defensivo, desde o ano passado liderado pelo experiente goleiro Magrão e pelo trio de zagueiros Igor-César-Durval, Nelsinho dá oportunidades a vários jogadores do meio para a frente, preservando a condição física do elenco e mantendo um bom nível de qualidade.

Uma característica em especial do elenco do Sport, aliás, chama a atenção. Boa parte do elenco está acima dos 26 anos, o que se tornou marcante para a disputa de jogos duros e eliminatórios, como na Copa do Brasil e agora na Copa Libertadores. O que poderia ser sinônimo de falta de motivação mudou de figura: o time rubro-negro tem uma rigidez tática absurda e um ótimo preparo físico.

Apesar da experiência do elenco, outra característica marcante do Sport em outros tempos voltou à tona nessa boa fase: o surgimento de jogadores a partir das categorias de base, que vive um bom momento e foi vice-campeã no último Campeonato Brasileiro Sub-20, disputado no Rio Grande do Sul.

O primeiro nome dessa linhagem a aparecer foi o franzino e tímido meia Kássio, lançado por Nelsinho Baptista e que, em razão desses dois problemas, especialmente, ainda não se afirmou. Na seqüência dele, porém, vem um furacão que atropela em 2009 e atende pelo nome de Ciro.

Indubitavelmente, o jovem atacante é a maior promessa que surge na Ilha do Retiro desde Juninho Pernambucano e já sofreu assédio de diversos empresários importantes, que tentaram o levar de Recife. Dono de uma estréia pelos profissionais, em 2008, ao melhor estilo Alexandre Pato no Parque Antártica, o menino recebeu cuidados especiais de Nelsinho Baptista, que apesar dos pedidos da torcida, demorou a lançá-lo de vez entre os titulares.

Com contrato renovado e uma muito boa participação no último Brasileiro Sub-20, Ciro deixou os concorrentes para trás e é titular absoluto do Sport. Em 15 jogos na temporada, foi às redes em 11 oportunidades, sendo duas delas marcantes. A primeira, vindo do banco, evitou a derrota no clássico contra o Santa Cruz. Já a segunda, na estréia da Libertadores, na vitória por 2 a 1 sobre o Colo-Colo, em Santiago, onde foi o melhor em campo.

O próximo nome dessa galeria deve ser o grandalhão goleiro Saulo, de 1,95 m e 19 anos, que se destacou no Brasileiro Sub-20, em que foi a principal figura rubro-negra.

Apesar de tudo isso, ainda não é possível apontar o Sport como candidato a títulos mais expressivos, como a Libertadores. O próprio Nelsinho Baptista, um dos maiores responsáveis por essa grande fase do clube, admite que o correto é ir um passo de cada vez, afinal a camisa também tem peso na maior competição do continente. Mas, já é notório vislumbrar o clube entre os 16 finalistas.

O que, diga-se, não é possível com o Palmeiras de Vanderlei Luxemburgo, que precisa desesperadamente vencer na Ilha do Retiro para manter suas chances de classificação ainda vivas. A tarefa é delicadíssima, pois a “Bombonilha” tem sido o matadouro favorito do Sport: somando 43 jogos entre 2008 e 2009, são só duas derrotas em casa – para Botafogo e Flamengo, no último Brasileiro.

Pressão sobre Celso Roth

Celso Roth não é e nunca foi unanimidade no Olímpico, mas a pressão com a qual tem que conviver é desumana. Apesar de ter tido uma atuação realmente ruim no Gre-Nal que decidiu o primeiro turno do Gaúchão, Roth conviveu nos últimos dias com a ameaça de poder perder seu emprego. Dois meses após levar o Grêmio a um improvável vice-campeonato brasileiro.

Apesar do empate em casa na estreia na Libertadores, é necessário uma análise do que produziu a equipe gremista contra a Universidad do Chile. O que, aliás, se repetiu na boa e salvadora vitória desta quarta-feira contra o Boyacá Chicó, na Colômbia. Muitas chances criadas e bola na rede, que é bom, nada.

O trabalho de Roth é muito bom e merece créditos. Até porque, diga-se, não há outro grande nome à disposição e, mesmo Renato Gaúcho, apesar do vice-campeonato da última Libertadores, não demonstra uma carreira tão sólida quanto Celso Roth.
Até mesmo pelo frágil grupo que tem pela frente, o Grêmio tem tudo para se reencontrar rapidamente e avançar às fases agudas. E neste momento, diga-se de passagem, jogar de igual para igual contra o timaço do Inter é uma ilusão que poucos clubes brasileiros podem sustentar.

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Equipe Trivela

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