Brasil

O jogo da seleção brasileira em que Pelé e Garrincha estiveram mais próximos de perder

O melhor resultado esportivo da Bulgária foi o quarto lugar da Copa do Mundo de 1994. Não chega a ser uma potência. Tem, no entanto, uma importância histórica que é mais uma curiosidade do que qualquer outra coisa: foi a primeira adversária da dupla invencível, formada pelos camisas 7 e 10, por Pelé e Garrincha, que juntos nunca perderam uma partida pela seleção brasileira. Foi, também, a última, exatamente 50 anos atrás.

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Em 12 de julho de 1966, o Brasil enfrentou os búlgaros pela primeira rodada da Copa do Mundo da Inglaterra, na qual teve uma campanha trágica, eliminada na fase de grupos. Mas a estreia foi animadora – e simbólica. Com vitória por 2 a 0, um gol de Pelé e outro de Garrincha, encerrou-se a história dos dois craques atuando juntos pelo Brasil, depois de 40 partidas (36 vitórias e quatro empates). Pelé marcou 44 vezes nesses jogos. Garrincha, 11.

O Brasil perdeu as outras duas partidas da campanha, ambas por 3 a 1. O jogo contra a Hungria, pela segunda rodada, ficou marcado como o último de Garrincha pela Seleção e também como a sua única derrota em 60 aparições vestindo a camisa amarela (52 vitórias e sete empates). Os dois ainda se reencontrariam, em 1973, em um amistoso no Maracanã, contra um combinado de estrangeiros, que foi oficialmente a despedida de Mané do time nacional.

A maioria das partidas em que o Brasil pode apelar e escalar Pelé e Garrincha juntos terminou com vitórias tranquilas ou poucos empates travados. No entanto, na rodada final do Sul-Americano de 1959, a dupla ficou a um apito do árbitro de perder da Argentina.

A partida já teve gosto de derrota porque os donos da casa jogavam pelo empate para conquistarem o campeonato e conseguiram. Redimiram-se (um pouco) de uma campanha horrível no Mundial de 1958. Os argentinos foram os lanternas do grupo na Suécia, depois de perderem para a Alemanha Ocidental e para a Tchecoslováquia, que aplicou implacáveis 6 a 1.

O time foi muito reformulado para o Sul-Americano que o país sediaria no ano seguinte. Apenas Juan Francisco Lombardo e Eliseo Mouriño foram convocados para a Copa e estavam em campo contra o Brasil naquela partida. A Argentina havia vencido todos os cinco confrontos anteriores, com destaque para goleadas contra Chile e Uruguai. O Brasil pecou na estreia, empatando com o Peru, e precisava ganhar dos anfitriões para ser campeão.

A Argentina abriu o placar, no final do primeiro tempo, com um cabeceio de Pizzuti, que passou entre as pernas de Gilmar. Pelé empatou, depois do intervalo, e o Brasil fez um segundo tempo até melhor que o do adversário. Mas, aos 30 da etapa final, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, “a Argentina perde uma oportunidade para marcar quando Cardoso chuta violentamente e a bola passa perigosamente perto da meta de Gilmar”. Poderia ser gol da vitória argentina.

Ou poderia ser este, dez minutos depois, que o árbitro Carlos Robles anulou. Temos certeza que a Argentina colocou a bola na rede e que o tento não foi computado. Agora, sobre as circunstâncias do lance, as versões divergem. O Estado de S. Paulo afirmou, em sua matéria sobre a partida, que o gol foi marcado por Nardielo, que estava impedido. O livro Todos os Jogos do Brasil, no entanto, afirma que a anulação, “legítima”, foi por um lance em que J. J. Rodríguez marcou com a mão.

Curiosamente, o Brasil também ficou a um apito do árbitro de vencer. No último lance da partida, Garrincha driblou o goleiro Negri e chutou para o gol vazio, mas Robles encerrou a partida antes de a bola entrar.

Para a história, entrou o placar de 1 a 1, que representa um dos quatro únicos jogos que Pelé e Garrincha não conseguiram vencer atuando juntos. Os outros três terminaram em 0 a 0, contra a Tchecoslováquia (Copa de 1962), Argentina novamente (1965) e Portugal (1966).

FICHA TÉCNICA

Argentina 1 x 1 Brasil

Local: Estádio Monumental de Nuñez (Buenos Aires, Argentina)

Data: 04/04/1959

Árbitro: Carlos Robles (Chile)

Torneio: Última rodada do Sul-Americano

Gols: Pizzuti (40’/1T) e Pelé (13’/2T)

Argentina: Negri; Griffa (Cardoso), Murúa, Lombardo (Simeone) e Cap; Mouriño e Nardiello; Pizzuti, Sosa, Callá (J.J. Rodríguez) e Belén. Técnicos: José Della Torre, Victorio Spinetto e José Barreiro

Brasil: Gilmar; Djalma Santos, Bellini, Orlando e Coronel; Dino Sani e Didi; Garrincha, Paulo Valentim (Almir), Pelé e Chinesinho. Técnico: Vicente Feola

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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