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O destaque é coletivo, mas o futebol de Luan na seleção olímpica enche os olhos

A ascensão da seleção masculina nos Jogos Olímpicos é marcante. Do time que passou em branco nas duas primeiras partidas ao que massacrou Honduras na semifinal, houve um processo claro. Uma evolução especialmente do coletivo, que passou a funcionar com suas constantes transições para construir as jogadas. Ainda assim, algumas peças específicas são fundamentais. E, individualmente, se ressalta o papel desempenhado por Luan. A entrada do ponta (que, com Rogério Micale, faz um pouco de tudo na linha de frente) no lugar de Felipe Anderson ajudou demais a equipe. Não à toa, o camisa 7 desponta como um dos protagonistas, e com um futebol que dá gosto de se ver.

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Ao lado de Walace, Luan foi uma das mudanças pontuais para o jogo de vida ou morte contra a Dinamarca. No início da competição, já tinha saído do banco e melhorado o time, mas sem resolver muita coisa. Contudo, sua capacidade potencializou a Seleção, que também ganhou com o entendimento entre os seus outros três homens de frente. O camisa 7 parece onipresente, tanto para ajudar na armação, quanto para definir, e também para oferecer o combate sem a bola. Contribuiu com um gol e uma assistência diante dos dinamarqueses, além de fechar a conta contra a Colômbia. Até voar no gramado do Maracanã, no duelo com os hondurenhos.

Obviamente, os outros também participaram de maneira decisiva, especialmente Neymar, Gabriel Jesus e Renato Augusto. De qualquer maneira, a inteligência de Luan se sobressai. O gremista consegue ler o jogo como poucos, antecipar movimentos, ocupar espaços. Com a bola, exibe sua qualidade técnica. E as virtudes acabam auxiliando demais em um ataque de mobilidade e combatividade. O entendimento do camisa 7 com Neymar é marcante.

Dá até para falar que Luan perdeu algumas chances de gol contra Honduras, duas vezes de frente para o goleiro. Acabou sem fazer falta, muito porque o paulista contribuiu demais. Participativo nas tabelas, deu o passe decisivo para o segundo tempo, apareceu para concluir o quinto e ainda sofreu o pênalti para o sexto. Em uma equipe que careceu de ligação no início da campanha, Luan preenche espaços e faz o jogo fluir de maneira decisiva.

O desafio, agora, será bem maior. Tanto Nigéria quanto Alemanha apresentam uma consistência que o Brasil ainda não enfrentou nestas Olimpíadas. E, por isso mesmo, Luan será ainda mais importante. Ao lado de Neymar, Gabriel Jesus e Gabigol, forma um ataque com “organização entrópica”, que finalmente chega ao seu melhor afinamento. Mas que também dependerá do empenho de todos eles sem a bola, na movimentação e na marcação, durante a final. Por sua lucidez, a postura do camisa 7 é exemplar neste sentido. E se resume em grandes atuações.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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