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O Castelão lotou, tremeu, consagrou: o Nordestão é do Ceará, o Brasil é do Nordeste

Os 63,9 mil torcedores, que quebraram o recorde de público do Brasil desde a Copa do Mundo e do próprio estádio, já seriam o suficiente para fazer a grande ocasião. Mas o Castelão não atingiu 100% de ocupação sem motivos. A multidão estava lá para ver uma decisão. A maior decisão do futebol brasileiro neste primeiro semestre. Afinal, a Copa do Nordeste se consolidou no calendário e, diante de estaduais que nem sempre empolgam, dá um exemplo de organização e de força junto à torcida. Para consagrar nesta quarta o Ceará, em seu primeiro título regional. Depois de vencer na Fonte Nova por 1 a 0, o Vozão repetiu a dose e bateu o Bahia por 2 a 1. Não desapontou a enorme torcida que estava lá para festejar.

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O próprio calendário, desta vez, beneficiou a Copa do Nordeste. Nada de jogos de Libertadores e só dois da Copa do Brasil. Ainda que a partida no Ceará não fosse transmitida em rede nacional pelas principais emissoras, se tornou o grande jogo da noite de quarta-feira. Mesmo quem não conseguia assisti-lo, tentou acompanhá-lo pela internet. E antes mesmo de a bola rolar, a torcida cearense fez o seu papel para impressionar, com uma grande recepção ao ônibus do Vozão na entrada do estádio.

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O Castelão demorou um pouco para descarregar as suas tensões na decisão. Enquanto a torcida fazia as arquibancadas tremerem e fogos estouravam na beira do campo, o Bahia se atrasou na chegada ao estádio. A bola começou a rolar cerca de 20 minutos depois do que deveria. E não foi por ter chegado em cima da hora que o Tricolor se sentiu perdido em campo. Pelo contrário, os baianos exerceram enorme pressão nos minutos iniciais, já querendo virar a desvantagem. O gol só não saiu logo de cara porque o Luis Carlos operou um milagre, em cobrança de falta de Rômulo. Na sequência, o goleiro apareceu de novo para salvar o gol de Souza. Já do outro lado, Magno Alves respondeu e Jean evitou o primeiro tento.

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Assim como os alvinegros vibravam nas arquibancadas, o Ceará se contagiava em campo. A vontade do time em campo era evidente, visível em cada chutão ou carrinho comemorados pelos próprios jogadores. E, por mais que o Bahia tenha começado melhor, o Vozão mostrou que a taça era sua aos 15 minutos. Ricardinho cruzou e Charles completou de cabeça no contrapé de Jean, abrindo o placar.

O gol que dava ainda mais vantagem ao Ceará também esfriou o Bahia. O Tricolor até podia ter mais posse de bola, mas tinha muitas dificuldades para abrir espaços na defesa alvinegra. Pior, ainda sofria com a velocidade dos contra-ataques cearenses. Ricardinho quase fez o segundo logo na volta do intervalo, parando na trave. Mas não demorou muito para a festa ficar completa. Dois minutos depois, o craque do campeonato cobrou falta e Gilvan subiu mais alto que a zaga tricolor para estufar as redes. Os baianos precisariam de três gols para reverter a situação. Já àquela altura, nada parecia tirar a taça do Vozão.

Com a diferença consolidada, coube ao Ceará se resguardar. A equipe de Silas amarrou o jogo, se defendeu bem e não se arriscou tanto nos contra-ataques. Magno Alves teve a chance de anotar o dele, mas acabou desarmado quase na pequena área. Não fez falta. Enquanto o Bahia incomodava pouco, os alvinegros não deixavam de olhar para o relógio. Aos 40 minutos, os gritos de campeão já ecoavam nas arquibancadas. Uma falha de Luis Carlos ainda permitiu ao Bahia diminuir, com um lindo gol de Maxi Biancucchi por cobertura. Nada que diminuísse o feito do Vozão, para a comemoração que se desencadeou ao apito final.

Coube ao capitão Magno Alves, pela primeira vez na sua carreira, erguer a taça de campeão. O veterano coroou a campanha invicta dos alvinegros, donos de sete vitórias e cinco empates. Do outro lado, apesar das duas derrotas na final, o Bahia também era digno de aplausos. Por não deixar de acreditar e, especialmente, pelo grande desempenho que teve nas fases anteriores – em especial, na vitória cardíaca sobre o Sport no segundo jogo das semifinais.

Além do título inédito, o Ceará também garantiu a vaga na próxima Copa Sul-Americana e R$ 1,5 milhão de premiação. Acima de tudo, fica o exemplo. Não só dos campeões, mas do Nordestão como um todo. Os recordes de público não vieram à toa, mas graças à excelente organização da copa. As competições regionais talvez não sejam a solução para todo o Brasil. De qualquer forma, a Lampions League mostra como é possível fazer um torneio enxuto, competitivo e atrativo. A conquista do Vozão, com o Castelão lotado, serve para ressaltar o sucesso do modelo em meio à baixa dos estaduais – que não precisam ser extintos, mas têm que mudar com urgência. A Copa do Nordeste deverá desfrutar de seu auge por bons anos.

* Os melhores momentos da vitória do Ceará sobre o Bahia no Castelão podem ser conferidos na página do Esporte Interativo, transmissor oficial da Copa do Nordeste.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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