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Nunca o campeão paulista foi melhor de São Paulo no Brasileiro de pontos corridos

Foram quatro longos meses de futebol abaixo da média nos campeonatos regionais, com uma ou outra cruel exceção (clássicos, Libertadores e Copa do Nordeste) para lembrar o que estamos perdendo enquanto gastamos tanto tempo com esse tipo de torneio. No último domingo, os principais estados consagraram os seus campeões e pelo menos deram ao torcedor a esperança de uma grande campanha no Campeonato Brasileiro, que começa no próximo final de semana. Certo? Bom, às vezes sim, às vezes não, quase que em uma proporção de uma vez para cada lado.

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Juntando os campeões de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Pernambuco e Bahia desde 2003, quando o sistema de pontos corridos foi implantado no Brasileirão, e considerando apenas as edições em que houve pelo menos dois times de cada estado na mesma divisão, ou seja, com uma concorrência direta entre eles (exceto os casos em que houve um colega em uma divisão superior), apenas 49% das vezes o campeão estadual também foi o melhor time de seu estado no Campeonato Brasileiro.

Isso não significa que ganhar o estadual não valha nada. Ganhar um título sempre é válido para sua torcida, e todos os que comemoraram neste domingo têm bons motivos para fazê-lo. Além disso, fazer uma boa campanha nos primeiros meses do ano é um medidor da capacidade da equipe para o resto da temporada (como apontou o jornalista Paulo Vinícius Coelho em seu blog, dos últimos seis campeões brasileiros, cinco deles haviam chegado à decisão estadual antes do torneio começar). A questão é que não há uma relação direta entre superar os rivais locais em maio e repetir o feito em novembro.

Vamos falar de caso a caso no nosso especial da semana, começando por São Paulo, porque apresenta a maior anomalia desse levantamento: em nenhum dos últimos 12 anos o campeão paulista foi o melhor time do estado no Campeonato Brasileiro.

Pegamos a era dos pontos corridos como base para a comparação por dois motivos. Primeiro, porque segue a mesma dinâmica cronológica, com o Brasileirão depois de estaduais “curtos” (ou seja, com menos de um semestre). Segundo, porque esse formato é o mais preciso que já inventaram para avaliar qual time é melhor que o outro, embora, claro, não seja infalível.

São Paulo

Se você acredita em estatísticas e quer que seu time faça um bom Campeonato Brasileiro, melhor trair o seu coração durante o Paulistão. De 2003 para cá, não houve nenhuma vez que o campeão estadual foi o melhor time paulista no nacional. O que não significa que o Santos não o fará, apenas que o Peixe tem um grande desafio para o segundo semestre. Um desafio para o qual ele já esteve dos dois lados.

Em 2003 e 04, os santistas tinham uma grande equipe e conquistaram um título e um vice brasileiros. No entanto, não haviam vencido o estadual no começo da temporada, tendo até uma eliminação contundente contra o São Caetano em 2004 no caminho.

No entanto, o Santos tem sido hegemônico no estado nos últimos anos. Os alvinegros estiveram presentes nas últimas sete finais (se for à decisão em 2017, o clube iguala seu próprio recorde, estabelecido entre 1955 e 62, de Paulistões seguidos terminando nas duas primeiras posições), mas mesmo na época em que tinha Neymar e foi campeão da Libertadores, ele não conseguiu uma campanha digna de nota no Brasileirão. Nesse período, o Peixe conquistou o estadual nos anos em que os rivais São Paulo e Corinthians levaram o nacional.

tabelinha São Paulo

Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, aconteceu mais vezes, exatamente metade. O campeão coincidiu com o melhor time do Brasileirão seis vezes. Houve um período de dominação do Flamengo entre 2007 e 2009. O Fluminense conseguiu esse feito duas vezes, e o Botafogo, uma. Uma rápida olhada na tabela deixa claro que o futebol carioca é um pouco mais democrático: três clubes diferentes fizeram a melhor campanha nacional nos últimos quatro anos.

tabelinha rio 02

Minas Gerais

Em um estado com apenas dois clubes grandes, a tendência é que a coincidência aconteça mais vezes, e de fato isso se comprovou em Minas. Mas nem tanto. Porque entre 2003 e 2010, o Cruzeiro foi soberano em relação ao Atlético no Campeonato Brasileiro, porém o Galo conseguiu beliscar dois Mineiros, sem falar do título do Ipatinga em 2005. Ainda assim, a taxa é de 55%, com seis ocasiões em 11 campeonatos, porque em 2006 o Atlético estava na segunda divisão.

tabelinha minas

Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, o Internacional foi dominante nos quatro primeiros anos dos pontos corridos, mas não levou o estadual em 2006. Motivo justo: estava brigando pelo título da Libertadores e acabou conquistando-o. De lá para cá, os dois gigantes gaúchos dividiram as boas campanhas nacionais, com cinco a favor do tricolor e três para o colorado. Mas o Inter está dominando o Gauchão, com sete dos últimos oito títulos nas suas prateleiras.

Observação: em 2005, o Grêmio estava na segunda divisão, mas o Juventude disputou a elite.

tabelinha rs

Paraná

Mesmo antes de não dar a mínima para o estadual, o Atlético Paranaense perdia para o Coritiba. Levou apenas dois títulos desde 2003. O Coritiba foi campeão e conseguiu a melhor campanha do estado no Nacional ao mesmo tempo em 2003, 2008 e 2011. O Atlético conseguiu isso em 2005, quando teve aquele bom que time chegou à final da Libertadores, e em 2009. O outro foi o Paraná, campeão de 2006 e classificado à Libertadores um pouco depois.

tabelinha pr

Pernambuco

Os confrontos diretos entre pernambucanos no Brasileirão aconteceram mais na segunda divisão, e enquanto Sport e Santa Cruz dominaram o campeonato estadual desde o último título do Náutico, em 2004, foi o Timbu quem conseguiu melhores campanhas nacionais recentemente.

tabelinha pe

Bahia

A porcentagem é alta, mas a mostragem é muito pequena. Bahia e Vitória caíram e subiram como se tivessem apostado quem conseguiria somar mais acessos e descensos. Apenas cinco vezes estiveram na mesma divisão desde 2003, e em três delas o Vitória foi campeão baiano e ficou à frente do rival. Mas nem sempre teve muito do que se vangloriar. Em 2005, por exemplo, os dois foram rebaixados para a Série C juntos. O time rubro-negro pelo menos ganhou dois pontos a mais que o rival tricolor.

tabelinha ba

Essa foi nossa cobertura das finais dos estaduais:

>>>> A semana nobre do futebol cearense terminou com um jogo maluco e violência no Castelão

>>>> Operário ganhou seu primeiro título estadual. Agora quem será o próximo a quebrar o tabu?

>>>> No time dos meninos, foram os vovôs que decidiram o título a favor do Santos

>>>> Vasco acabou com a seca com protagonistas acostumados a serem coadjuvantes

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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