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Muller, 50 anos: o atacante veloz que virou um garçom genial

Era cedo, mas as pessoas se prepararam, acordaram cedo e se reuniram, vestindo o seu orgulho e a sua fé. Bandeiras de três cores, mãos unidas para o ato de fé. Vai dar, vai dar. Os olhos atentos, o coração bate acelerado, a boca seca. Não era missa de domingo, mas podia ser. Tensão, nervosismo e muitos não resistiam e roíam as unhas. Veio, então, a explosão. Explosão em três cores.

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Cores representadas por Luís Antônio Corrêa da Costa, naquele 12 de dezembro de 1993, quando ele tocou na bola de calcanhar, quase sem querer, e viu a bola entrar mansa no gol. O gol da vitória. O gol do bi mundial. O gol que marcou a vida daquele camisa 7, que embora tenha o nome de Luís, sempre ficou conhecido como Müller.

Luís Antônio Corrêa da Costa completa 50 anos neste domingo como um dos grandes jogadores do futebol brasileiro. Um ídolo eterno da torcida do São Paulo, tendo sido um dos grandes nomes da série de conquistas que o time enfileirou no final dos anos 1980 e início dos 1990. Um jogador que apareceu como um dos Menudos de Cilinho. Um ponta veloz, habilidoso, letal. Um camisa 7 difícil de parar, porque também era forte.

Entre 1984 e 1987, Müller defendeu o São Paulo, seu primeiro clube como profissional. Enfileirou títulos. Foi campeão paulista em 1985 e 1987, além do Brasileiro de 1986. Fez dupla com Careca, se entendeu muito bem com Silas, foi destaque de um time que marcou época. Com o destaque que teve, acabou vendido ao forte futebol italiano. Foi defender o Torino em 1987. Ali, Müller era um jogador muito rápido, de trato fino com a bola. A velocidade era incrível e era difícil um jogador conseguir segurá-lo.

Aquele jogador, porém, foi mudando de estilo ao longo da carreira. Depois de três anos jogando pelo Torino, voltou ao São Paulo para uma nova passagem. Foi, mais uma vez, destaque. Conquistou mais os Paulistas de 1991 e 1992, o Brasileiro de 1991, a Libertadores e o Mundial em 1992 e 1993, além da Supercopa da Libertadores e da Recopa, também em 1993. Muitos títulos, sempre como um jogador fundamental. Müller ainda era um jogador de muita velocidade, mas já mostrava que era inteligente ao jogar. Ainda abusava das arrancadas que deixava os marcadores comendo poeira, mas também sabia mostrar categoria em finalizações.

O time do Palmeiras de 1996
O time do Palmeiras de 1996

Em 1995, o jogador deixou o São Paulo novamente para defender o Kashiwa Reysol. Não ficou muito tempo e voltou para jogar pelo Palmeiras. Ali, aos 30 anos, foi que a transição de Müller e do seu estilo de jogo foi completa. O jogador veloz pelas pontas não existia mais. Müller recuou e passou a trocar passes, mostrar categoria em deixar os companheiros na cara do gol. Naquele ataque palmeirense de mais de 100 gols, foi genial ao lado de Djalminha, Rivaldo e Luizão. Conquistou o título do Campeonato Paulista de 1996 como um dos maiores esquadrões da história do Palmeiras. O ponta veloz se tornou um gênio dos passes, das tabelas, das jogadas rápidas fazendo a bola correr.

O desentendimento sobre a renovação o deixou fora da final da Copa do Brasil daquele ano e o Palmeiras perdeu o título para o Cruzeiro de Marcelo Ramos. Müller voltaria ao São Paulo mais uma vez. Reestreou em um amistoso no Pacaembu, no dia 15 de junho, em um amistoso contra o Real Madrid de Redondo e Illgner. Formou o ataque ao lado de Valdir Bigode. E marcou um dos gols do time na vitória por 3 a 0.

Só que o bom início não durou. O São Paulo fez um segundo semestre ruim, não se classificou entre os oito primeiros colocados no Brasileirão e, no fim do ano, Müller deixaria o time novamente. Desta vez, o destino era o Perugia, da Itália. Jogou por pouco tempo na Itália antes de voltar ao Brasil. Desta vez, para o Santos.

Naquele ano de 1997 e primeiro semestre de 1998, Müller viveu uma das melhores fases da carreira. Garçom, inteligente e dono de muita categoria. Marcou golaços pelo time da Vila e, mesmo sem títulos, marcou época. O próprio Müller disse, em entrevista ao UOL Esporte em 2010, que foi um dos períodos mais felizes da sua carreira.

A passagem pelo Cruzeiro, de 1998 a 2001, já veterano, também foi muito importante. Lá foi campeão Mineiro e da Recopa Sul-Americana, em 1998, da Copa do Brasil em 2000 e da Copa Sul-Minas em 2001. A passagem pelo Cruzeiro acabou naquele ano, quando Müller foi para o Corinthians. Ficou pouco tempo e não teve sucesso. Ainda jogou por São Caetano, Tupi, Portuguesa e Ipatinga, onde se aposentou, em 2004, aos 38 anos.

Müller e Careca brilharam no São Paulo e na Seleção. Formaram a dupla de ataque titular na Cpa de 1990
Müller e Careca brilharam no São Paulo e na Seleção. Formaram a dupla de ataque titular na Cpa de 1990

A sua passagem pela Seleção também foi marcante. Aos 18 anos, foi para a Copa do Mundo de 1986. Jogou ainda a Copa do Mundo de 1990, como titular, e a de 1994, como reserva. Jogou a sua última partida pela Seleção em 1998, em um amistoso. Ele queria jogar a Copa, mas acabou deixado fora por Zagallo, técnico na época.

Aquele atacante muito veloz que surgiu nos Menudos do Morumbi soube se adaptar às mudanças físicas ao longo da carreira. Deixou de ter a explosão e usou o seu talento para jogar poupando energia, correndo menos, mas com ótimos passes. Foi um gênio com a bola nos pés, que soube se reinventar. Um craque que marcou época.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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