Brasil

“Miller & Fried” é um delicioso passeio pela origem do futebol paulista

Falar de Charles Miller e Arthutr Friedenreich sem se apoiar em clichês é um desafio para todos que contam a história do futebol brasileiro. O filme “Miller & Fried – As Origens do País do Futebol” estreia nesta quinta e consegue com classe falar sobre dois grandes personagens que foram fundamentais nos primeiros anos de futebol no Brasil, conduzido por uma trilha sonora encantadora.

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O espectador é levado a um passeio delicioso pela história de São Paulo e sua mistura de comunidades e imigrantes que transformaram o povoado do final do século 19 na metrópole do século 20. Foi nessas origens estrangeiras de Miller e Friedenreich que o futebol em São Paulo foi moldado, influenciando, claro, a criação de um jeito de jogar brasileiro.

Um dos grandes méritos da produção é ter revelado ao público imagens raras do início do século 20, especialmente de um jogo entre França e Paulistano, que na época contava com Friedenreich. A vitória suntuosa por 7 a 2 chamou a atenção do mundo. O brasileiro de origem alemã já brilhava para se tornar o primeiro grande ídolo da história do futebol brasileiro.

Um dos artifícios do filme é tentar recriar as jogadas de Miller e Friedenreich, de forma a tornar mais visual os relatos dos entrevistados. A ideia é boa, mas não funciona em todos os momentos. É, porém, um recurso importante no ápice do filme, quando fala do Campeonato Sul-Americano de 1919, no Rio de Janeiro.

O filme se inspirou nos relatos de John Mills, biógrafo de Charles Miller, e Luiz Carlos Duarte, biógrafo de Arthur Friedenreich. Os dois são personagens centrais do filme e desmistificam algumas lendas sobre ambos. A trajetória dos dois é bem diferente uma da outra, mesmo que ambos sejam descendentes de estrangeiros. Simbolizam dois momentos distintos do futebol em São Paulo e no país que ajudam a entender como o futebol se tornou um traço cultural do brasileiro.

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A divisão entre o esporte de clubes, de uma elite, para o esporte do povo também é bem trabalhada no filme. Charles Miller participa de um momento onde o futebol é jogador e mostrado apenas para a classe social alta, dentro dos limites dos clubes e com um corte social muito claro. Friedenreich viveu um outro momento, a transição de um futebol cercado por muros para o futebol dos campos de terra, da várzea e da origem popular.

O trio de ferro paulista também é falado de um jeito divertido no longa metragem. Os três maiores clubes de São Paulo atualmente são retratados em suas origens. Corinthians, Palmeiras e São Paulo estão presentes naquele início de história do futebol paulista e brasileiro, especialmente quando se fala sobre o início da seleção brasileira e a conquista dos primeiros títulos.

Quando se fala em seleção brasileira, por sinal, há um grande momento que merece ser destacado: o relato de Luiz Carlos Duarte sobre a forma como os adversários descreveram o futebol praticado pelo Brasil na conquista do título. Ao contrário dos uruguaios e argentinos, com seu jogo de calma e cadência no passe, o Brasil era veloz, com lançamentos e “movimentos de enganação”, o chamado DIBRE de forma diferente como os rivais faziam. Vejam só: na sua origem, o Brasil era bem diferente do tiki-taka tão falado atualmente.

O filme é da Olé Produções, tem direção de Luiz Ferraz, e estreia neste dia 28 de julho no Cine Belas Artes, em São Paulo, e no Cine Odeon, no Rio de Janeiro. Assista ao trailer:

“TRAILER”- Miller & Fried – As Origens do País do Futebol from Olé Produções on Vimeo.

Ficha técnica:
Direção: Luiz Ferraz
Produção executiva: Gal Buitoni
Produção: Olé Produções
Roteiro: Guilherme Aguilar
Coordenação de pesquisa: Camila Camargo
Pesquisa: Luiz Gustavo Soares e Eduardo Biaia
Montagem: Jaime Queiroz
Direção de Fotografia: Alexandre Samori
Som Direto: Jorge Rezende
Direção de Arte: Ricardo Fernandes
Colorista: Rogério Moraes
Pós-Produção: Quanta Post
Trilhas Sonoras Originais: Gustavo Garbato e Guilherme Garbato
Edição e Mixagem de Som: Casa da Sogra Soluções Sonoras

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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