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Malcom, Gabriel Barbosa e o amadurecimento que ajuda a firmar boas promessas no Brasileirão

Em tempos dos “anjos do apocalipse do 7 a 1”, o Campeonato Brasileiro deste ano traz consigo gratas surpresas. Aspectos positivos para o futebol do país, ao menos em campo (porque, fora dele, não dá para se esperar tanto assim), que contribui nas melhorias que tanto se pede. Os jogos, por exemplo, têm sido em sua maioria bem mais francos e há visivelmente ideias abertas entre os técnicos. E, algo menor, mas que dá para incluir neste bolo, é a maturidade das jovens promessas da competição. Se a categoria de base é o principal caminho para a evolução, é interessante observar como alguns garotos tem lidado com o protagonismo. Mais concentração e menos marra, como em Malcom e Gabriel Barbosa, aos 18 anos.

Os atacantes do Corinthians e do Santos podem não ser as principais revelações deste Brasileirão. Entretanto, já se colocam entre as principais referências de suas equipes, apesar da pouca idade. E o que mais chama a atenção não é exatamente isso. É sim a maneira como os dois prodígios demonstram capacidade de assumir a responsabilidade. Em tempos nos quais muitos jogadores da base costumam receber tratamento de estrelas dos profissionais, é importante manter os pés no chão durante esta transição. Não saber se perder. Os dois jovens respondem a isso de maneira bastante positiva.

Por mais que Vágner Love tenha sido o nome do jogo contra o Cruzeiro, por decidir com dois gols quando muito se cobrava, Malcom esteve entre os melhores em campo. Participou bastante dos lances ofensivos e, não à toa, ajudou na construção de dois tentos, dando um lindo passe para o camisa 9 fechar a vitória por 3 a 0. Desde que voltou do Mundial Sub-20, o garoto ajuda a dar velocidade pelos lados de campo, mantendo a consistência do time de Tite. Tornou-se titular absoluto e também um elemento a mais para decidir, como fez de maneira fundamental no confronto direto diante do Atlético Mineiro.

Já na Vila Belmiro, em um time que volta a apostar mais nos garotos, Gabriel tem despontado entre eles. Depois de já ter vivido oscilações, diante de todas as expectativas que se colocam sobre suas costas, o atacante parece estar bem mais com os pés no chão neste momento. Tanto que tem ajudado Ricardo Oliveira no ataque, trazendo para si parte do peso de decidir os jogos. Nesta semana, em especial, contribuiu com gols importantes. Abriu o placar contra o Corinthians na Copa do Brasil e deixou o seu na goleada sobre o Avaí, em que se movimentou bastante e ajudou a abrir espaços para os companheiros.

A cobrança de chegar ao time principal se deu de maneiras diferentes para Malcom e Gabriel. O corintiano, apesar da predileção da torcida, teve que lidar com a desconfiança interna se era mesmo o nome para se firmar na posição. Ganhou mais espaço com Mano Menezes, embora viva hoje um momento ainda melhor com Tite. E, apesar das tentativas de vendê-lo para a Europa de maneira precipitada, supera mostrando que isso não o prejudicou – o que lhe valoriza ainda mais. Enquanto isso, o santista começou a ser visto como o “herdeiro de Neymar”, o que pareceu lhe deixar perdido por alguns momentos. Mas já está pronto para enfrentar o desafio de ser apenas Gabriel, e tem se saído muito bem nas últimas semanas. O trabalho para se afirmar vem em primeiro lugar.

Os dois são os exemplos mais latentes, mas não únicos, de um Brasileirão que tem trazido à tona ótimos jovens jogadores. Entre os bons nomes estão, por exemplo, Rodrigo Dourado e Valdívia (Inter, ainda melhores na Libertadores), Tiago Maia (Santos), Marlon (Fluminense), Douglas Santos (Atlético Mineiro), Jorge (Flamengo), Hernani (Atlético Paranaense), Luan (Grêmio) e Renê (Sport), para ficar apenas em alguns deles. Todos lidando bem com a confiança que lhes é depositada. Podem até ser que não virem craques mundiais, como todos sonham ser. Mais importante, neste momento, é se tornarem jogadores prontos para a equipe principal, capazes de decidir e sem qualquer desculpa sobre a experiência que ainda estão ganhando. Como Malcom e Gabriel vêm fazendo, apesar da pouquíssima idade: ganhando importância somente pela bola.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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