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Aumento de estrangeiros é medida eleitoral, diz oposição

Um exercício de memória: quantas vezes seu clube teve dificuldade de contratar um jogador porque já havia atingido o limite de três estrangeiros numa partida? Acontece algumas vezes. O Palmeiras enfrentou isso nesta temporada, com Valdívia, Mendieta e Eguren ocupando todas as vagas permitidas. Em 2011, Ortigoza perdeu espaço no Cruzeiro pela concorrência com Montillo, Farías e Victorino. Ano passado, o Fla chegou a ter quatro estrangeiros, com Cáceres, González (que é nascido no Brasil, mas é filho de chilenos e foi criado no Chile), Maldonado e Bottinelli. Na época dos estranhos milhões da MSI, o Corinthians teve Mascherano, Sebá Domínguez, Tévez e Johnny Herrera. Mas são momentos raros.

As exceções nesse cenário são Grêmio e Internacional. Os dois grandes gaúchos tradicionalmente têm estrangeiros no elenco e vira e mexe estão no limite. Atualmente, o Tricolor tem quatro: o volante paraguaio Riveros, o meia uruguaio Maxi Rodríguez e os atacantes Barcos, argentino, e Vargas, chileno. No Colorado, são outros quatro: Forlán, atacante uruguaio, os argentinos D’Alessandro, meia, Scocco, atacante, e Bolatti, volante.

Por isso, há gente no próprio Rio Grande do Sul que desconfiou quando surgiu a notícia no site da ESPN Brasil de que a CBF aumentaria para quatro o limite de estrangeiros a partir de 2014. “Eu entreguei essa proposta ao Ricardo Teixeira há uns três ou quatro anos. Deveria ser no mínimo cinco estrangeiros por time. O ideal era liberar, como na Europa [em relação aos países do Mercosul]”, afirmou Francisco Novelletto, presidente da Federação Gaúcha, em entrevista à Trivela.

A questão não seria a medida em si, mas o momento. “Mudar a regra agora tem a ver com a sucessão da CBF”, comentou Novelletto. O dirigente é tido como um possível adversário de Marco Polo Del Nero (braço-direito de José Maria Marin) nas próximas eleições da CBF, marcada para abril de 2014. A suspeita é que a CBF teria mudado o limite para agradar aos clubes, sobretudo os grandes gaúchos, e desestabilizar a oposição. A Trivela contatou a assessoria da CBF, mas não obteve resposta.

Segundo o jornalista Luiz Zini Pires, do jornal Zero Hora, a chapa de oposição tem apoio das federações de Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Bahia, e, claro, do próprio Rio Grande do Sul. Com Andrés Sánchez como integrante da oposição, é de se supor que o Corinthians seja um clube que apoie uma eventual candidatura de Novelletto. Além, é claro, dos dois grandes do Rio Grande do Sul. E aí que estaria uma chave da questão. A corrida eleitoral parece que está a todo vapor. Ao menos nos bastidores.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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