Lado B de Brasil

Votar em Wendell Lira é premiar a melhor história de vida em meio às pompas da Bola de Ouro

Atualização, 11/01/2015: E Wendell Lira ganhou mesmo o prêmio! A votação pela internet fez com que o brasileiro levasse o prêmio e superasse Messi e Florenzi. Veja a lista dos vencedores da Bola de Ouro aqui.

Há menos de um mês, Wendell Lira convivia com o ciclo de ansiedade comum a boa parte dos jogadores de futebol no Brasil. Mais um profissional fadado a ter emprego por poucos meses, enquanto durassem os estaduais. Encerrado o contrato com o Goianésia, o jeito era manter a forma por conta própria e esperar a ajuda da família. Afinal, 2015 já parecia encerrado ao atacante. Torcia para que os dois últimos meses do ano passassem rápido, reiniciando a luta: procurar um novo clube, disputar o estadual e, com sorte, atrair a atenção de um grande.

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No entanto, a vida de Wendell sofreu uma reviravolta em 6 de novembro. E tudo por um gol marcado em março, no Goianão. O belíssimo voleio garantiu a vitória do Goianésia sobre o Atlético Goianiense, bem como a liderança do Grupo B no estadual. Mas valeria muito mais oito meses depois. Alguém na Fifa viu o gol do atacante, e gostou. Mais do que isso, a principal entidade do futebol achou que a pintura estava entre as 10 mais bonitas do ano, digna de concorrer ao Prêmio Puskás. Destino generoso com o jogador desempregado de 26 anos.

A plasticidade da obra-prima de Wendell Lira é evidente. Mas é difícil encontrar uma resposta para o acaso que o levou a ser mencionado nos corredores da Fifa. Poderia ser Jô, do São José, que pegou uma linda bicicleta de primeira contra o Internacional no Gauchão. Ou mesmo um gol mais badalado, como o chutaço de Robinho do Palmeiras contra o São Paulo no Paulistão. Nenhum dos dois, porém, teve a sorte do atacante goiano. A oportunidade de ter seu nome divulgado em todo o mundo. De estar entre os 10 concorrentes, o que lhe garantiu uma oportunidade no Vila Nova, recém-promovido à Série B do Brasileirão. De, quem sabe no futuro, ainda ter reconhecimento para ganhar uma bolada no Catar ou na China.

Viria mais. Que fosse passível de debate a indicação de Wendell, parecia improvável que ele figurasse entre os três finalistas. Mas talvez a legião de adoradores do futebol brasileiro profundo não seja tão bem dimensionada quanto deveria. O goiano contou com campanhas a seu favor. Conseguiu superar Tevez, o Milan e até um gol do meio-campo na final da Copa do Mundo Feminina. Ao lado de Messi e Florenzi, Wendell Lira aparecerá no palco da cerimônia de gala da Fifa. Acompanhará Neymar, Cristiano Ronaldo, Guardiola e outras lendas.

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Quando tiver uma brecha do assédio e olhar para trás, Wendell Lira poderá perceber o caminho tortuoso que sua carreira percorreu. Há uma década, era uma das promessas das seleções de base e, segundo suas palavras, chegou a ser especulado pelo Milan. Permaneceu no Goiás, mas nunca vingou como se esperava. E, a partir de 2010, tornou-se o andarilho da bola, como tantos outros jogadores brasileiros. Passou por nove times e quatro estados diferentes em cinco anos. Rodou também por Fortaleza, Atlético Sorocaba, Trindade, Novo Horizonte, URT, Anapolina e Tombense. E em sua segunda passagem pelo Goianésia, fez história quando nem sabia que estava fazendo.

Agora, em 11 de janeiro, Wendell Lira vestirá trajes de gala em Zurique. Seu gol, mais uma vez, aparece como azarão na disputa. Messi tem a seu favor todo o seu apelo junto aos eleitores, ainda mais pelo peso de seu tento em uma temporada espetacular do Barcelona. Enquanto isso, Florenzi fez o mais difícil, e justo contra o Barcelona na Champions. O goiano não tem trunfos tão midiáticos ao seu favor. Nem Messi ou Florenzi, contudo, possuem uma história melhor que a de Wendell. Em uma eleição que nem sempre segue critérios estritos, já é um bom motivo para o voto. Ver o rapaz que há três semanas sequer tinha emprego desbancando Messi seria uma impagável. A sorte que representa a batalha de tantos no futebol brasileiro.

Para votar no Prêmio Puskás, basta clicar na imagem abaixo:

wendell

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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