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Ídolo eterno, morte precoce: quando Leonardo assombrou o Atlético-MG no Mineirão

Ser veloz e ter bom drible não são características tão raras. Os pontas que correm e não pensam são uma entidade mística do futebol brasileiro. O grande desafio geralmente é conciliar com uma boa finalização, um faro artilheiro e muitos gols para decidir as partidas. Quando isso acontece, o caminho para a idolatria da torcida está pavimentado, e Leonardo o percorreu como poucos, de cabeça erguida, e com muito amor pelo Sport, até morrer nesta terça-feira de neurocisticercose, aos 41 anos.

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Atacante rápido e habilidoso, Leonardo fazia o demônio pelos lados do campo e entrava na área para finalizar a jogada. Assim, marcou 136 gols pelo Sport, em 367 partidas, e se tornou o terceiro maior artilheiro da história do clube pernambucano em suas duas passagens pela Ilha do Retiro. A primeira começou em 1992. A última terminou em 2001. Também foi o maior goleador do Leão na Série A do Brasileirão, com 33 gols.  Venceu sete vezes o Campeonato Pernambucano e duas o Nordestão. Jogou ao lado de Chiquinho e Juninho Pernambucano em uma das melhores equipes do Sport.

Qualidades e poder letal que levaram-no à seleção brasileira em 1995, quando defendia o Vasco. Foi artilheiro do Corinthians na Libertadores do ano seguinte e ainda passou pelo Palmeiras. Mas nunca foi tão perigoso quanto na época em que vestia vermelho e preto. Depois de tentar a sorte no Sudeste, voltou ao Sport no final do século passado e teve uma das suas maiores apresentações contra o Atlético Mineiro, em pleno Mineirão.

Era a última rodada do módulo azul da Copa João Havelange. O Sport fazia ótima campanha e estava classificado à próxima fase. O Atlético Mineiro, muito pelo contrário, não tinha chance de avançar e teve uma participação medíocre no campeonato. Mas se despedia em casa e certamente queria entrar nas férias com alguma dignidade. Leonardo garantiu que isso não acontecesse. Marcou cinco vezes e decretou a vitória dos pernambucanos por 6 a 0, placar que confirmaria a segunda posição na tabela, atrás apenas do líder Cruzeiro.

O conto de fadas do Sport terminou nas quartas de final da Copa João Havelange. A história de Leonardo como craque do time também chegaria ao fim. No ano seguinte, tentou novamente a sorte no Sudeste, desta vez no Cruzeiro. Não deu muito certo, e ele passou a circular por diversos clubes do Brasil, entre eles o rival Santa Cruz, até encerrar a carreira, aos 38 anos, em 2012.

Voltou para casa e dava início a sua carreira como técnico sendo auxiliar das categorias de base do Sport, com o gostinho amargo, talvez, de nunca ter tido um jogo de despedida com a camisa rubro-negra. E nunca terá. Morreu no começo de uma nova jornada, com apenas 41 anos. Foi embora como um ídolo eterno da torcida leonina. Mas cedo demais.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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