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Há 70 anos nascia Alcindo, o gaúcho que acabou com a “panela” de Rio-SP em Copas

Alcindo sempre será lembrado como um ídolo do Grêmio. O garoto dispensado após alguns meses na base do Internacional se vingou com a camisa Tricolor. Maior artilheiro da história gremista, o Bugre se tornou também o segundo que mais balançou as redes no Gre-Nal. Porém, a grandeza do atacante vai além da rivalidade ou dos 231 gols que anotou pelo clube no qual se consagrou. Ele também representa demais para a seleção brasileira. Especialmente, por romper as barreiras de Rio de Janeiro e São Paulo, não apenas para os gaúchos.

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Alcindo estreou pela seleção brasileira quando já era adorado pela torcida do Grêmio, protagonista do time pentacampeão do Campeonato Gaúcho na década de 1960. Era mais um dos 44 testados por Vicente Feola às vésperas da Copa de 1966, em um misto de desorganização na preparação e politicagem de João Havelange na CBD. Contudo, o que atrapalhou o desempenho do time na Inglaterra, na verdade, deu espaço para o atacante conquistar o seu espaço na convocação final. Disputou cinco amistosos antes do Mundial e anotou um gol, na vitória sobre a Polônia por 4 a 1 no Mineirão.

O fato de estar na lista, por si, já era uma façanha para Alcindo. Durante três décadas, a Seleção se resumiu praticamente a Rio de Janeiro e São Paulo. Até 1940, apenas quatro jogadores que atuavam em outros Estados haviam entrado em campo pela equipe “nacional”. Em 1942, aconteceu o inédito jogo com dois atletas de fora do eixo no time titular, o goleiro Caju (Atlético Paranaense) e o atacante Paulo (da Siderúrgica, de Minas Gerais). Tesourinha, craque do Inter, foi o primeiro a se tornar efetivamente titular durante a segunda metade da década de 1940. Já em Copas do Mundo, até 1962, só quatro convocados atuavam por clubes de outros estados: dois “contratados” no amadorismo marrom de 1934, além de Nena e Adãozinho, cedidos pelo Inter em 1950. Mesmo assim, nenhum chegou a entrar em campo.

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Primeiro jogador do Grêmio em uma Copa do Mundo, Alcindo fez história em 12 de julho de 1966. O gaúcho compôs o ataque ao lado de Pelé, Garrincha e Jairizinho na vitória por 2 a 0 sobre a Bulgária. Pela primeira vez na história dos Mundiais, um clube brasileiro de fora do Eixo Rio-São Paulo tinha um atleta em campo. Já o gol inédito não seria marcado pelo Bugre Xucro, mas sim por Tostão. O atacante do Cruzeiro entrou no lugar de Pelé e fez o de honra na derrota por 3 a 1 para a Hungria, três dias depois. No último jogo da fase de grupos, ante Portugal de Eusébio, Silva substituiu Alcindo entre os titulares.

Alcindo só disputou mais uma partida pela seleção depois daquela Copa, um empate contra o Uruguai em 1967. De qualquer maneira, o seu nome já estava na história. Ajudou a abrir caminho para outros, como o colega Everaldo. Ao lado de Tostão e Piazza, o lateral representava a força além de Rio e São Paulo no esquadrão que conquistou o tricampeonato mundial em 1970. Não à toa, a presença do gremista naquela conquista rendeu uma estrela sobre o escudo do Tricolor.

Já Alcindo permaneceu acumulando gols pelo Grêmio. Mesmo passando pelo Santos e pelo futebol mexicano, foi mesmo em Porto Alegre que o atacante gravou o seu nome. Para ser relembrado neste 31 de março, quando completa 70 anos. Unanimidade entre os gremistas, mas também simbólico para o restante do futebol brasileiro.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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