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Há 25 anos, Zetti estreava pelo São Paulo para colecionar grandes atuações embaixo das traves

“Zeeeeeetti!” Era um grito comum nos anos 1990. Os são-paulinos costumavam valorizar muito o seu goleiro, capaz de atuações memoráveis e protagonista de um período repleto de conquistas do clube do Morumbi. Um período que, para o goleiro, começou há exatamente 25 anos, quando ele entrou no lugar de Gilmar no meio de um amistoso do São Paulo contra o Pouso Alegre.

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Na época, não parecia algo importante. Zetti era um goleiro encostado no Palmeiras. Teve um início de carreira espetacular (ficou mais de mil minutos sem sofrer gol no Paulista de 1987), mas quebrou a perna em uma dividida com Bebeto em um jogo contra o Flamengo no Maracanã e nunca mais teve espaço no Alviverde. Passou a jogar no time de aspirantes para manter a forma, até que teve a chance de ir ao Morumbi.

Foram 432 jogos pelo São Paulo, o último deles em 24 de novembro de 1996, pelo Campeonato Brasileiro (aliás, o o clube fez um e-book com a lista de todos os jogos de Zetti pelo clube que vale a pena ver). O Tricolor ficou no empate por 1 a 1 com o Paraná e acabou eliminado. O goleiro iria para o Santos no ano seguinte, abrindo espaço para a entrada do seu reserva, Rogério, no time titular, onde está até hoje.

Rogério Ceni se tornou o maior jogador da história do São Paulo por tudo que representa como jogador, ídolo e por seus títulos e atuações em campo. Mesmo assim, embaixo das traves, Zetti viveu anos de um nível tão alto no São Paulo que muitos o consideram tecnicamente melhor que Ceni como goleiro (sem considerar a liderança, relação com a torcida e habilidade com a bola nos pés).

De qualquer forma, Zetti marcou época no São Paulo e fez uma geração inteira de são-paulinos gritarem “Zetti!” a cada defesa nas peladas pelas ruas e campos improvisados, com chinelos marcando as traves em meio ao asfalto. Chegou à Copa do Mundo de 1994 em uma fase melhor que a de Taffarel, por exemplo, que acabou escolhido como titular por Carlos Alberto Parreira por confiança – ele vinha de uma temporada como titular do Reggiana, depois de passar algum tempo no banco do Parma nos anos anteriores. Mesmo reserva, Zetti foi campeão do mundo.

O goleiro também fez parte do time que conquistou duas Libertadores e dois Mundiais e é esse o assunto que ele comenta no vídeo abaixo, gravado pelo próprio São Paulo, sobre estas conquistas. Zetti considera que aquela defesa no pênalti de Gamboa, que definiu o título do São Paulo na Libertadores de 1992 contra o Newell’s Old Boys, como a mais importante da sua carreira, “talvez da história do São Paulo, pelo que representou”. Sim, ele tem razão: é uma das grandes defesas da história do São Paulo, porque marcou a primeira conquista do clube na Libertadores, o que mudaria a sua história e a ajudaria a transformar a forma como os brasileiros olhavam a competição.

A defesa contra o Newell’s valeu pela relevância, pelo momento. Mas houve outras que se destacaram pela dificuldade e agilidade. A mais lembrada é a sequência de quatro intervenções no jogo de ida da final da Libertadores de 1993, contra a Universidad Católica no Morumbi.

Mas a maior atuação de Zetti em Libertadores não foi contra o Newell’s em 92 ou contra a Universidad Católica no ano seguinte. Foi em 1994, na que talvez talvez tenha sido a maior atuação do goleiro com a camisa tricolor. O empate por 0 a 0 contra o Palmeiras pelas oitavas de final da Copa Libertadores foi fundamental para o São Paulo se classificar no segundo jogo, com uma vitória por 2 a 1 no Morumbi.

Aquele jogo no Pacaembu ficou marcado porque o São Paulo vinha de uma maratona de jogos. Jogou em 3 de abril contra o Botafogo pela Recopa, no Japão, em  5 de abril contra o South China, em amistoso em Hong Kong, e depois fez quatro jogos seguidos pelo Paulistão no Morumbi, enfrentando Santos no dia 10, União São João no 12, Rio Branco no 14 e Portuguesa no 17. Em 22 de abril, pegou o América em São José do Rio Preto. Por fim, no dia 27, enfrentou o Palmeiras no Pacaembu. Zetti fechou o gol.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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