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Ex-presidentes ainda influenciam muito as eleições de Corinthians, Palmeiras e Santos

Três dos quatro grandes clubes do estado de São Paulo vão às urnas entre o fim do ano e o começo do próximo para definir os seus próximos presidentes. E algo chama a atenção: a influência que ex-presidentes, seja nos bastidores, ou mesmo integrando as chapas, ainda têm na política interna desses clubes. Se Andrés Sánchez é necessário para costurar as alianças da situação no Corinthians, Luiz Gonzaga Belluzzo resolveu reviver sua carreira política no Palmeiras para fortalecer a chapa da oposição, encabeçada por Wladimir Pescarmona. Descendo a serra, Marcelo Teixeira puxa as cordinhas para eleger o filho de Modesto Júnior (mandatário dos anos 1970) e, embora muito improvável, sua presença no pleito ainda é possível.

TEMA DA SEMANA: O seu clube também terá eleições para presidente, e você sabe o que esperar?

Palmeiras

É sempre difícil entender o cenário político do Palmeiras porque os grupos internos são muito volúveis e mudam de lado três vezes por semana, aproximadamente. Mas as eleições deste ano, em 29 de novembro, quando os sócios do clube terão pela primeira vez a oportunidade de votar diretamente para presidente, estão menos nebulosas. O atual presidente Paulo Nobre concorre à reeleição apostando na sua principal bandeira: corte de gastos. Uma proposta que não é das mais atrativas para os torcedores, convenhamos.

Contra ele, estão a incapacidade de conseguir um patrocinador máster para a camisa em dois anos de presidência e a possibilidade real de rebaixamento. É muito difícil convencer qualquer um a dar mais um mandato para quem pegou o clube na segunda divisão e o devolveu na mesma situação. Além disso, ele tem Mustafá Contursi como padrinho dentro do Palmeiras, considerado pela torcida o responsável pela primeira queda, em 2002. Nobre disse que ouve Mustafá como ouve “qualquer outro dirigente experiente do clube”, enquanto o ex-presidente considera o ex-piloto de Rali o seu “filho político”.

O outro lado do pleito, não por coincidência, tem candidatos que fundaram um grupo de oposição a Mustafá nos anos 1990, o Muda Palmeiras. Wladimir Pescarmona é o principal adversário de Paulo Nobre, principalmente depois que conseguiu convencer Luiz Gonzaga Belluzzo a ser o primeiro vice-presidente da sua chapa. Os dois também estavam juntos durante a presidência do notório economista.

Belluzzo passa mais credibilidade e força para a candidatura do ex-diretor de futebol que apenas colecionou polêmicas na sua época. O professor foi o arquiteto do projeto da nova Arena e do último time que disputou títulos. No entanto, fez investimentos irresponsáveis, principalmente nos retornos de Kléber e Valdivia, e teve as contas rejeitadas pelo conselho. Ainda hoje, o cofre do Palmeiras sofre por causa da sua gestão. A principal proposta do grupo até agora é a formação de um grupo de empresários, com palmeirenses notáveis, para administrar o clube e reconstruir a imagem dele junto ao mercado financeiro. Entre os nomes, estão o cientista Miguel Nicolelis, empresários do mercado da celulose e um conselheiro econômico do ex-presidente Fernando Collor de Melo.

A terceira via da eleição será Luiz Carlos Granieri, outro que ajudou a fundar o Muda Palmeiras, e integra o Conselho de Orientação Fiscal do clube. Aposta justamente na independência porque tem trânsito nos dois grupos e pode representar uma conciliação. Para participar do pleito, cada chapa precisa ter pelo menos 15% do total dos votos do Conselho Deliberativo, em apuração que será realizada em 13 de outubro. Pescarmona e Belluzzo não devem ter problemas, mas Granieri, se passar, será mais apertado.

Corinthians
Andrés Sánchez, ex-presidente do Corinthians
Andrés Sánchez, ex-presidente do Corinthians

Mário Gobbi bem que tentou, mas não conseguiu antecipar as eleições presidenciais do Corinthians para o final deste ano, porque o estatuto do clube proíbe essa manobra. Logo, haverá um buraco negro no planejamento no mês de janeiro. O próprio Gobbi afirmou em entrevista à SporTV que provavelmente não haverá treinador nesse período porque o contrato de Mano Menezes termina em dezembro e ele “não pode assinar por 12 meses e dar (um novo técnico) para o presidente que chegar”.

E quem deve chegar? Tão longe das eleições, os candidatos ainda não estão definidos. Um deles, porém, é inevitável. Roberto de Andrade, ex-diretor de futebol, tem tudo para representar a situação, embora tenha deixado a gestão de Gobbi no começo da temporada (assim como Duílio Monteiro Alves). Oficialmente, por “falta de tempo”, mas teria também discordado da decisão de contratar Mano Menezes. Por isso, com ou sem vaga na Libertadores, o gaúcho precisaria convencer o novo chefe a acreditar no seu trabalho.

Roberto de Andrade gosta de Oswaldo de Oliveira e quer tentar trazer Tite de volta, um nome que também é música para os ouvidos da oposição (aparentemente, para agradar gregos e troianos no Corinthians basta ser campeão brasileiro, sul-americano e mundial). O problema é saber quem será o principal adversário dele no pleito de fevereiro. Os dois nomes mais fortes são os de Paulo Garcia, que faria sua quarta candidatura à presidência do Corinthians, e Antônio Roque Citadini, dirigente notório da administração de Alberto Dualib.

E ainda tem os candidatos, que se fosse a eleição presidencial, seriam chamados de nanicos pelos comentaristas políticos, e eis que entra em jogo a figura de Andrés Sánchez. Segundo o jornal LANCE!, a sua eleição para deputado federal deve atrapalhar a situação porque o candidato mais votado do Partido dos Trabalhadores (PT) em São Paulo era essencial para apaziguar as brigas internas e manter os diversos grupos unidos.

Talvez seja apenas uma coincidência, mas Ilmar Schiavenato, do grupo de Gobbi, anunciou sua candidatura um dia depois do pleito que levou Andrés à Câmera Federal. Sua promessa de campanha dele é um hotel de 22 andares no Parque São Jorge, “sem um centavo do Corinthians”. Outro confirmado foi Wilson Bento Júnior, conhecido como Bentinho Júnior, que vai disputar como independente. Osmar Stábile tem grupo político próprio nos bastidores e pode ser mais um candidato.

Santos
Marcelo Teixeira, ex-presidente do Santos
Marcelo Teixeira, ex-presidente do Santos

A eleição do Santos não terá mais Augusto Pinochet e Al Capone, mas esses serão praticamente as únicas ausências em 6 de dezembro. Porque com o atual presidente Odílio Rodrigues fora do pleito, parece que todo mundo acredita que pode tirar uma casquinha e, neste momento, há cinco candidatos ao comando do Santos.

A situação (Eu Sou Santos) vai de Nabil Khaznadar, apoiado por Odílio e pelo mesmo grupo de empresários influentes que participou do primeiro mandato de Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro, em 2009. Ele é dono de uma grife de roupas e mora em São Paulo, o que não deve soar muito bem aos ouvidos dos sócios mais ortodoxos do Santos. É considerado um conselheiro influente.

A principal oposição é liderada pelo ex-presidente Marcelo Teixeira. O candidato oficial é Modesto Roma Júnior, o Modestinho (porque seu pai foi presidente do clube entre 1975 e 1978). Entre 2004 e 2009, participou da administração de Teixeira como supervisor do futebol feminino e montou as Sereias da Vila, com Marta e Cristiane.

Entre seus principais apoiadores está o ex-lateral esquerdo e para sempre falastrão Léo, que deixou o clube brigando com a atual diretoria. Ainda há, porém, um fiapo de expectativa sobre uma candidatura surpresa do próprio Marcelo Teixeira pelo grupo Santos Gigante, mas isso não parece provável no momento, até porque Modestinho está com o apoio de mais grupos políticos que qualquer outro candidato.

Pela chapa Nosso Santos Gigante, que peca pela falta de criatividade no nome, concorrerá Fernando Silva, outra figura influente da presidência de Luis Álvaro. O Resgate Santista, que chegou a ser base de governo de Laor, mas se afastou em 2013, lançará o seu diretor político Vágner Lombardi. José Carlos Peres, fundador da ONG Santos Vivo e diretor executivo do grupo G-4, que reúne os quatro grandes do estado, fecha o cenário (por enquanto porque o grupo do conselheiro Orlando Rollo também está pensando em participar da festa, afinal, por que não?).

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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