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Emily Lima: “Com o coordenador por lá, será difícil outra mulher dirigir a seleção principal”

Emily Lima deu uma entrevista bastante esclarecedora sobre a sua demissão da seleção brasileira no programa Zé no Rádio, na Central 3, nesta segunda-feira. A treinadora foi enfática sobre os problemas com o coordenador Marco Aurélio Cunha e disse que o questionava muitas vezes. A treinadora reiterou que o coordenador várias vezes a repreendeu por trabalhar demais e acha difícil que, com o coordenador por lá, outra mulher dirija a seleção principal.

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Trajano perguntou a Emily como ela recebeu a notícia e se ela entendeu a decisão de Marco Pólo Del Nero. “Eu diria que é melhor não entender. Se você entender, você se revolta mais ainda”, disse. Depois de uma viagem de mais de 40 horas, Emily contou que enviou uma mensagem ao presidente Marco Pólo Del Nero, dizendo que trabalharia na sexta. Recebeu a confirmação de uma reunião às 11h. “Eu sabia que era uma reunião de demissão”, ela contou.

Ele disse a Emily que “precisávamos de mudança” por causa dos resultados. Emily contestou mostrando os resultados que a comissão técnica anterior teve resultados ruins, mas não acabou demitido depois da Copa do Mundo.

“Teve muita influência do coordenador, do Marco Aurélio, sem dúvida, porque eu batia muito de frente com ele. Nessas datas Fifa, nós não tínhamos calendário para 2017”, contou. “Tivemos que chegar e fazer tudo. E está pronto para 2018 se eles quiserem usar”, continuou.

“Me usaram pelo momento, porque a Fifa estava exigindo uma mulher e hoje eles podem dizer ‘poxa, viu como não deu certo, ainda não temos uma mulher preparada’. Eles podem usar isso, que é bem do perfil do coordenador falar isso”, disse Emily.

“Infelizmente, o presidente não acompanha o que está acontecendo, ele ouve do coordenador o que está acontecendo e ele pode falar o que quiser. E ele não estava satisfeito com a gente desde dezembro, quando a gente assumiu. Tanto que ele ficava no banco de reservas, para a minha comissão técnica, dizendo: ‘Por que vocês estão comemorando tanto os gols?’. Na verdade, ele não queria que eu assumisse. Então, iniciamos sem o aval dele”.

Emily ainda deu detalhes sobre a ausência de Marco Aurélio Cunha no dia a dia de trabalho da seleção. “Ele era muito ausente. A gente treinava, não o via mais nos corredores do hotel, porque sempre ficávamos em reunião depois dos treinos, depois dos jogos. Preleção ele nunca participou, ele só veio a participar na Austrália porque o presidente pediu, em uma reunião que tivemos”, contou.

“Mas ele chamava alguns membros da comissão para sair à noite, porque isso era de praxe. Passear era com ele, trabalhar era com a gente. E nós que estamos erradas de trabalhar tanto. Essas são as palavras do agora meu ex-coordenador. Você trabalha demais, não dá para trabalhar tanto assim, não faz tão bem trabalhar assim. Eu virava para a minha comissão e falava: ‘É, nós estamos no lugar errado’”, disse ainda a agora ex-técnica da seleção.

Perguntada por Trajano se ela concordava que seria difícil uma mulher voltar a ser escolhida como técnica da seleção, Emily falou sobre a estrutura da CBF. “Se o coordenador continuar algum tempo, eu acho que vai ser bastante difícil. Pode ser que trocando as peças lá dentro, as coisas podem acontecer, mas eu não digo só do coordenador não. A CBF em si é bastante machista. É bastante complicado uma mulher trabalhar ali, principalmente dentro do departamento de seleções. Tem, sim, mas dentro da parte administrativa normal que mulher fazem em qualquer empresa”.

“Eu vejo que é bastante difícil que uma mulher volte a assumir a seleção principal. Pode ser que isso aconteça na base, porque as assistentes hoje provavelmente vão ser as futuras treinadoras. É o que eu penso, é o que eu faria, mas a gente não sabe o que vai acontecer”, disse a treinadora.

“Na verdade o meu projeto, não meu, da comissão, era de médio e longo prazo, não a curto prazo, a resultados de amistosos, isso não foi pedido para mim na primeira reunião. Ele disse que precisávamos ganhar a Copa América e se classificar para o Mundial e Olimpíada”, disse.

A técnica ainda contou um caso inacreditável da goleira Bárbara, cortada da última convocação por lesão. A técnica contestou a avaliação do médico da seleção, feita por telefone, depois dela mesma ter falada com a atleta, que disse estar bem. Inclusive acabou jogando pelo Campeonato Catarinense, mas o corte foi feito.

Vale lembrar que a CBF decidiu contratar novamente Oswaldo Alvarez, o Vadão, para dirigir a seleção brasileira feminina. Neste ano, o time não tem competições a disputar. Em 2018, joga a Copa América, que classifica para a Copa do Mundo e as Olimpíadas de 2020. O futebol bastante questionável que o time apresentava sob o comando do ex-treinador que voltou a ser o atual pareceu não ser levado em conta.

Se você quiser ouvir a entrevista de José Trajano, Lu Castro e Leandro Iamin com a técnica da seleção feminina, Emily Lima.

E você, o que achou da demissão de Emily Lima e a volta de Vadão ao comando da seleção feminina? Comente!

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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