Brasil

Ele fica. Por enquanto

A especulação que Ricardo Teixeira deixaria a CBF ganhou os jornais, a TV, os sites, as redes sociais. O homem mais poderoso do futebol brasileiro, no poder desde 1989, poderia deixar o cargo, o que incluiria também deixar o Comitê Organizador Local da Copa de 2014, do qual também é presidente. Só que não aconteceu.

Não se sabe se não aconteceu porque foi adiado ou se simplesmente Teixeira desistiu da ideia. O que parece evidente é que ele, sim, considerou isso. Tanto que gente da CBF fez questão de negar que o presidente irá deixar o cargo, mas admitiram que ele disse estar cansado e que às vezes pensava em sair.

A viagem para Miami veio a calhar. O afastamento permite que ele pense sobre como agir, depois de ver que não tem exatamente um sucessor. Tanto que as federações já se engalfinham para terem o poder. E as perspectivas não são animadoras. Quem quer que assuma será do mesmo grupo – gente que representa os interesses das federações estaduais e seus modus operandi para lá de conhecidos.

Segundo o estatuto da CBF, se Teixeira renunciar, quem assume é o vice-presidente com mais idade. Este seria José Maria Marin, que apresentei nesta matéria. Só que já articulam para que Marin sequer assuma. Marco Pólo Del Nero quer que Ricardo Teixeira peça um afastamento para manter o poder em São Paulo – Marin é ligado ao estado.

Já os demais presidentes de federações estaduais querem a renúncia, o que implicaria em eleições o mais breve possível. E, assim, o nome que ficaria mais forte é o de Weber Magalhães, vice que representa a região Centro Oeste. Ele é o preferido de um grande número de federações. Por ser próximo a Teixeira – e alinhado com ele, diga-se -, é visto com bons olhos como uma forma de evitar os paulistas no poder. Para isso, seria necessária uma assembleia com as federações, que pode ser convocada caso Teixeira renuncie. Vem forte nos bastidores.

Outro nome que surgiu como possível candidato é Fernando Sarney, o segundo na linha sucessória por idade. Ele é o vice da CBF que representa a região norte e poderia ser uma forma de impedir os paulistas de estarem no poder. Além de, bom, ser um Sarney, o que pode si tem um peso político.

Ainda assim, a saída de Ricardo Teixeira pode ser um início de mudança. Ninguém atualmente é tão forte politicamente quanto ele. A insatisfação da busca pelo poder pode gerar dissidências que não tínhamos antes e, assim, abrir espaço para mudanças. É possível que surjam nomes que possam trazer ao futebol brasileiro as medidas necessárias para evoluir.

Curtas

– Assumo novamente esta coluna com muita alegria. Acompanharei com vocês. Fiquem à vontade para falarem comigo, mandarem críticas, sugestões ou simplesmente conversar.

– O Grêmio demitiu mesmo o Caio Júnior. Depois de apenas oito jogos. Pelo Gauchão. Pagará a multa rescisória. Como os dirigentes conseguiram avaliar um trabalho com esse baixo número de jogos eu não sei. Deve ser algum método inovador.
– Vi Moneyball (“O homem que mudou o jogo”). O filme é sobre beisebol, mas vale para qualquer esporte. Inclusive futebol. E a ligação é bem direta: um dos personagens que aparece no filme é John Henry, dono do Boston Red Sox e também do Liverpool. Recomendo o especial do Extratime sobre o filme.

– A Série C será transmitida pelo Sportv nesta temporada. Ponto para a emissora e ótimo para o campeonato, que merece essa atenção. O Brasil tem times muito tradicionais que ficavam escondidos. Que criem uma faixa de horário diferente para podermos apreciar. Os amantes do futebol certamente vão gostar.

– Aliás, o mesmo poderia ser feito com a Série D. Certamente é um campeonato mais interessante que grande parte dos esvaziados estaduais. Quanto mais fortalecermos as divisões nacionais, mais o futebol ganha.

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Equipe Trivela

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