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De virtual rebaixado, Coritiba vence o clássico e dá sequência à reação espetacular

No início de agosto, o Coritiba era o pior clube do Brasileirão. Nem mesmo as campanhas horríveis de Vasco e Joinville conseguiam superar o Coxa. Ao final da 17ª rodada, nada parecia possível para salvar os alviverdes do rebaixamento, com apenas 12 pontos – sendo míseras duas vitórias. No entanto, o time contrariou os incrédulos e iniciou uma reação espetacular a partir de então. São seis triunfos e apenas uma derrota nas últimas dez rodadas, com aproveitamento de 70% dos pontos. O suficiente para tirar o clube da lanterna e alçá-lo à 14ª colocação. E, depois de vencer o Flamengo e sair da zona de rebaixamento pela primeira vez em 22 rodadas (desde o fim de maio), o Coritiba ratificou a ascensão ao bater o Atlético por 2 a 0 no clássico do Couto Pereira.

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Contestado por muitos dos seus últimos trabalhos, Ney Franco assumiu o Coxa em meados de junho, com a diretoria apostando em seu histórico no Alto da Glória. E o início não foi nada bom, vencendo apenas um de seus primeiros 11 jogos, incluindo aí a derrota e a classificação nos pênaltis contra a Ponte Preta na Copa do Brasil. Além disso, no início da boa sequência no Brasileirão, os paranaenses também foram eliminados no torneio de mata-matas pelo Grêmio, com duas derrotas. Nada que minasse a reviravolta que se concretiza agora, com a fuga do Z-4.

Entre os resultados positivos na Série A, contam bastante as vitórias nos confrontos diretos contra Vasco, Chapecoense e Avaí. Porém, o Coritiba também conseguiu bater rivais bem acima na tabela, como Palmeiras e Flamengo. Ou como o próprio Atlético Paranaense, no clássico deste domingo. Acreditando no momento, a torcida alviverde lotou o Couto Pereira, com 34 mil presentes – o melhor público do clube no ano. E, em campo, o time tratou de fazer acontecer, matando o jogo ainda no primeiro tempo.

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O primeiro gol saiu aos 12 minutos. Após cobrança de falta na barreira, Negueba pegou a sobra e ajeitou na entrada da área para Henrique. E o atacante deu mais uma mostra da boa fase que atravessa com um lindo chute de primeira, sem nem dar tempo de reação ao goleiro Weverton. Um dos principais responsáveis pela arrancada do Coxa, o camisa 91 marcou oito gols nos últimos dez jogos, em total de 11 tentos de todo o time. Eleito melhor jogador do Mundial Sub-20 de 2011, o jogador revelado pelo São Paulo tinha rodado sem sucesso por Vitória, Granada, Sport, Botafogo e Bahia. Reencontra os rumos da carreira justamente com Ney Franco, técnico com quem viveu os maiores sucessos.

No final do primeiro tempo, o Furacão teve excelente chance para empatar. Após erro da defesa, Walter partiu em velocidade do círculo central. Porém, sentiu uma fisgada na Coxa, o que o atrapalhou no mano a mano com o goleiro Wilson. Ao finalizar para fora, o artilheiro pediu substituição. E, aos 44, o Coritiba aumentou a vantagem com Negueba – outro pupilo do técnico da seleção sub-20. A jogada começou com um passe primoroso de Lúcio Flávio, outro que ajudou bastante a melhora do time. Já na área, Negueba dominou e fuzilou Weverton, dando excelente vantagem para a sua equipe no segundo tempo. Com o jogo amarrado, o Atlético não passou de uma bola na trave, sem conseguir a reação.

Nas últimas 11 rodadas do campeonato, o Coritiba faz cinco confrontos contra times que brigam pelo G-4, mas também pega outros seis adversários ameaçados pelo rebaixamento. Estes últimos, sobretudo, são importantes para manter a confiança dos alviverdes. Afinal, poucos times em qualquer parte da tabela possuem um aproveitamento tão bom desde o final do primeiro turno. Se parecia precisar de um milagre, agora a missão do Coxa nem é tão difícil assim para assegurar o seu lugar na Série A. A boa fase da equipe e o apoio da torcida ajudam bastante.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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