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Cristóvão não era único culpado no Corinthians, mas era um problema

Cristóvão Borges não é mais o técnico do Corinthians. O presidente Roberto de Andrade anunciou a saída do treinador do clube e que o auxiliar técnico da comissão permanente, Fabio Carille, fica como treinador interino até o fim do Campeonato Brasileiro. A demissão de Cristóvão é só o erro mais recente de uma série que o clube cometeu. O que não quer dizer que a demissão de Cristóvão seja injusta. Quer dizer que a diretoria errou ao contrata-lo e tem que assumir o erro ao demiti-lo.

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Fazia tempo que o clube não demitia um treinador. O último foi Adílson Batista, em 2010, que ficou pouco mais de 40 dias depois de substituir Mano Menezes. Curiosamente, um técnico que tinha ido para a seleção brasileira. Veio, então, Tite. Agora, foi Tite que deixou o clube para assumir a Seleção e o seu substituto, Cristóvão Borges, não durou muito mais que Adílson. A diretoria é a grande culpada por tudo que o clube passa neste momento. Cristóvão não é o único culpado pelo mau futebol que o time apresentava, mas era, sim, um problema.

O atual campeão brasileiro não deveria estar tão pior que o seu rival, Palmeiras, de quem perdeu nesta tarde, mas o time que levantou a taça em 2015 não existe mais. Foi desmanchado com vendas de jogadores, perdeu o técnico para a seleção brasileira e ainda trouxe um treinador que não conseguiu fazer nem o arroz com feijão. A derrota para o Palmeiras na Arena Corinthians pelo Campeonato Brasileiro foi surpreendente. Nem tanto pelo resultado, mas principalmente pela forma como aconteceu.

O Corinthians que conquistou o título ficou no passado. Dos titulares da partida contra o Palmeiras, só Cássio era titular no ano passado, na campanha do título. Outros dois que ainda fazem parte do elenco e eram titulares, os laterais Fagner e Uendel, não jogaram por suspensão e lesão, respectivamente. Guilherme Arana, titular neste sábado, era reserva em 2015. Rodriguinho, que se tornou titular do time, era um reserva útil. Se tornou titular fundamental.

Cristóvão Borges não é a causa de todos os problemas, mas é inegável que o seu trabalho não tem sido bom e, por vezes, atrapalha o time. A escalação do time não é boa, desde o aproveitamento de Guilherme, Giovani Augusto e Marquinhos Gabriel no início do seu trabalho, até este momento. Desde a escalação até as substituições, suas decisões são bastante questionáveis. O time não consegue jogar bem, o esquema tático, ainda uma tentativa do 4-1-4-1 de Tite, não funciona.

O técnico tinha a desculpa de ter perdido jogadores, mas os seus erros continuaram. Mais uma vez na sua carreira, Cristóvão decepciona em um trabalho. Há pouco nesse time que seja uma marca do técnico. Não há um jogador que tenha melhorado de desempenho com ele. O maior acerto foi a entrada de Marlone do time, que só aconteceu depois do meia ser muito pedido pela torcida, entrar em campo e decidir o jogo. O futebol do time, porém, não melhorou o que se via em campo antes de sua chegada, nem há mudanças significativas. Ficou cada vez mais difícil defender as decisões do técnico.

O time, é verdade, não jogava o fino da bola no começo do campeonato com Tite, mas era um time competitivo. Atualmente, não consegue ser. Sofre em todos os jogos. Sofre com a bola, para criar, sofre sem a bola, para marcar. São poucos jogos no comando, apenas 18, mas o problema é não ver nenhum indício de melhora no time.

A demissão de Cristóvão Borges é um atestado de incompetência da diretoria, que o contratou há 91 dias para ser o técnico do time. Foi a diretoria também que contratou os jogadores que estão por lá, que não contratou reposições à altura. Perdeu jogadores em massa desde o início do ano, em duas grandes levas, no começo e no meio do ano.

É verdade que o Corinthians parecia estar acima do seu rendimento quando brigava até pelo título em determinado momento do Campeonato Brasileiro. Então, é preciso entender que o normal é o time cair de rendimento. Cristóvão, porém, tinha que tentar tirar mais dos seus jogadores. Há como fazer isso. Com Fabio Carille, o Corinthians tentará minimizar o estrago já feito até aqui.

Cristóvão, talvez, pudesse fazer um trabalho melhor em condições melhores, que a diretoria não ofereceu. É bom lembrar que a diretoria já atrapalhava em 2015, quando o time foi campeão. Atrasou salários e não soube lidar com o caso que só foi amenizado porque Tite e os jogadores fizeram um trabalho excepcional. Nem sempre será assim. Nem sempre dá para contar com um trabalho acima da média. Junte-se a isso Cristóvão sem conseguir fazer nem o básico no time e o time desmanchou também em campo.

Para 2017, é bom que o Corinthians tenha uma ideia melhor de time. Não só um dentro do seu orçamento, como um que o seu próximo técnico ajude a montar. Sem isso, não adianta. Em 2016, não dá para esperar muito mais do Corinthians. Brigar por vaga na Libertadores, com o futebol que o time está jogando, parece um objetivo cada vez mais difícil.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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