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Corinthians convidou o São Paulo e fez 6×1 no baile do hexa em Itaquera

O presidente do Corinthians já tinha avisado durante a semana: no domingo, é festa. Se imaginou que talvez isso significasse que o time entrasse só para saudar a torcida. Gil, Elias, Renato Augusto, Jadson e Vagner Love ficaram no banco. O São Paulo, ainda na briga pelo G-4 e classificação à Libertadores, imaginou que pudesse ter um jogo para vencer. Mas a festa tinha dono. O Corinthians goleou, fez um 6 a 1 para marcar a história. Um baile, que poderia ter sido até mais, mas já se torna a maior goleada da história do clássico, superando os 5 a 0 de 1996 e de 2011.

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A festa do hexa não começou no apito inicial, que teve um jogo razoavelmente equilibrado nos seus primeiros minutos. O Corinthians parecia procurar o que fazer em campo, se ajeitar com tantos reservas em campo. Foi preciso 20 minutos, mas o time começou a funcionar. E foi quando o massacre começou. Aos 27 minutos, Bruno Henrique cabeceou, obrigando Denis a grande defesa. Mas seria inevitável: no escanteio, Bruno Henrique marcou, de cabeça, vencendo a marcação de Lucão, e abriu o placar. Uma contagem que seria maior do que luta de boxe, quando o adversário está caído.

Outro escanteio. Outro gol do Corinthians. Desta vez, Angel Romero subiu mais que Lucão e fez 2 a 0. Eram 29 minutos. O Corinthians, elétrico, queria mais. Depois de alguns lances ríspidos, veio mais um gol de escanteio. Edu Dracena tocou de cabeça, novamente vencendo a marcação de Lucão, Denis espalmou mal para frente e ele mesmo, Dracena, completou para o gol, ampliando o placar. Os 3 a 0 já embalavam uma festa na Arena Corinthians. Mas tinha muito mais.

O segundo tempo voltou com o São Paulo diferente. Saíram o lateral direito Bruno e o atacante Rogério, entraram o lateral esquerdo Reinaldo e o atacante Luís Fabiano. Era para ser mais incisivo. Hudson, volante, foi para a lateral, deixando Thiago Mendes e Wesley na marcação no meio-campo. Não adiantou nada. Aos 61 minutos, Bruno henrique fez uma jogada linda girando em cima de Lucão, Danielo recebeu e tocou de calcanhar para Lucca marcar mais um: 4 a 0, aos 16 minutos de jogo.

Foram só três minutos até mais um gol. Bola lançada nas costas de Reinaldo para Romero, que foi à linha de fundo e chutou forte. Hudson meteu para dentro. O gol foi contra, mas foi atribuído ao paraguaio. Antes dos 20 minutos do segundo tempo, o Corinthians tinha um 5 a 0 no placar.

O clima na Arena Corinthians era eufórico. A torcida pedia mais, queria mais, uma chance de golear um rival de maneira história, daquelas que fazem um eco por anos. Vimos acontecer com o Barcelona sobre o Real Madrid no sábado, com um 4 a 0 fora de casa que poderia ter sido muito maior. O Corinthians não perdeu a chance. Continuou bem no jogo e foi mais para cima.

Aos 25 minutos, em jogada pela direita, Alan Kardec cruzou rasteiro para Carlinhos diminuir o placar. No futebol, há quem chame esse tipo de gol como “gol de honra”. No caso de um jogo como esse, não dá para dizer isso. Foi um gol só para descontar o placar, mas sem nenhuma honra.

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Veio mais um gol do Corinthians, em mais uma jogada infernal de Romero. Ele deixou Reinaldo perdido com o drible e acabou derrubado. Péricles Cortez marcou o pênalti. Cristian, que entrou no segundo tempo, cobrou muito bem e marcou o sexto gol corinthiano na Arena, para dar ainda mais loucura ao bando de loucos na Arena Corinthians. Um público recorde, 44.500 pessoas, para um placar recorde. Um 6 a 1 impecável. Uma vitória retumbante.

O São Paulo até teve uma chance de diminuir. Um pênalti incrivelmente mal marcado por Péricles Cortez. Alan Kardec cobrou, mas Cássio defendeu. Ele, goleiro tão importante para o time, conseguiu participar da festa. Há um ditado que diz que pênalti que não é não entra. Não é bem verdade, nem sempre funciona, mas foi exatamente o que aconteceu.

Incrivelmente, o São Paulo, goleado na Arena Corinthians, humilhado por um rival, ainda briga por Libertadores. Continua com 56 pontos, mesma pontuação do Inter. Tem como rival o Santos, que começou a rodada com 55 pontos e, no fechamento deste texto, ainda não tinha jogado com o Coritiba, no Paraná. No ano da sua maior crise institucional, o time ainda brigará por vaga na Libertadores, mesmo mostrando tantos problemas. Em campo, o time não deu esperança à torcida. Na pontuação, tem uma grande chance, porque ainda enfrenta Figueirese em casa e Goiás fora. Depois de tomar um 6 a 1 como esse, o time não parece merecer.

Ao final do jogo, Tite falou que “pelo que os dois times jogaram, só um podia ser campeão”. Uma verdade pulsante, em meio a um estádio vibrante. Fecha um ano que será histórico para o Corinthians, que chega a 80 pontos na tabela e já iguala a melhor campanha dos pontos corridos com 20 clubes. Tem tudo para conseguir ainda mais. Um campeão incontestável em campo, que mostra a distância do time da Fiel para os demais. Por isso, o campeonato não poderia terminar de forma melhor para o Corinthians, nem mais justa. Foi um baile, o baile do hexa, tendo um rival como convidado – e goleado. Uma festa completa para um hospício, para o bando de loucos, que fica em um bairro tipicamente corinthiano na zona leste de São Paulo. É a primeira taça que a Arena Corinthians vê, em um dia que será contado em verso e prosa por toda a sua história.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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