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[Bastidores] Como o Esporte Interativo conseguiu adquirir os direitos da Champions League

Os direitos de transmissão da Champions League pelos próximos três anos estavam em jogo, e o cenário apontava para uma disputa intensa entre a ESPN, atual detentora, e a Fox Sports. No entanto, o canal de esportes mais novo do Brasil decidiu não fazer nenhuma proposta, e quem surgiu como elemento surpresa, como o volante que abandona a posição e entra na área para fazer gol, foi o Esporte Interativo, que arrebatou a competição de clubes mais importante da Europa até 2018.

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O anúncio oficial ainda não foi realizado e, até que isso aconteça, muitos detalhes continuam pouco claros, pois as partes envolvidas não estão autorizadas a falar. Ainda assim, a Trivela conversou com diversas pessoas familiarizadas com as negociações para entender um pouco como a emissora carioca, que ainda não está nas principais operadoras de TV paga do País, conseguiu vencer a concorrência contra a empresa da Disney. O dinheiro sempre é um fator muito importante, e nos bastidores diz-se que a proposta do Esporte Interativo foi substancialmente superior (fala-se de até US$ 130 milhões pelos três anos, o que seria cerca de 20% da proposta da Globosat/ESPN), mas outros aspectos também foram levados em consideração pela Uefa.

O Esporte Interativo nasceu como um canal de televisão aberta, mas hoje em dia define-se como uma empresa que produz e distribui conteúdo em diversas plataformas. Além do sinal transmitido pela parabólica e no UHF de algumas cidades, também passa seus eventos pela internet, no serviço pago EI Plus, e na TV paga pelo EI Nordeste.

O problema é que esse canal está apenas nas operadoras Claro TV, Oi e Vivo e fora das gigantes do mercado Sky e Net. Mas o que seria um golpe para a proposta do Esporte Interativo acabou se tornando um trunfo, porque no ano passado a Turner tornou-se sócia do canal, com um investimento de R$ 80 milhões. O grupo norte-americano é dono de vários canais de TV fechada no Brasil, muitos deles nos pacotes mais básicos das operadoras e com as melhores audiências.

Em 2013, a ESPN Brasil teve a 30ª maior audiência de TV fechada, a melhor dos canais ESPN. No mesmo ranking, a TNT ficou com a sexta posição e o Space, a décima. Esses dois canais, ambos da Turner, estão nos pacotes básicos das principais operadoras e, portanto, têm uma base de assinantes muito grande. Segundo uma fonte do mercado brasileiro de televisão, a proposta do Esporte interativo abria a possibilidade de a TNT e o Space receberem jogos da Champions League na próxima temporada, algo que teria sido bem visto pela Uefa. Além de uma audiência alta, o grupo Turner poderia usar os canais de séries e filmes como opção caso o Esporte Interativo Nordeste ou o novo canal esportivo que seria criado demorassem a entrar nos pacotes de Net e Sky.

Tática parecida à utilizada pela Fox Sports quando esta adquiriu os direitos exclusivos da Copa Libertadores. Algumas partidas foram transmitidas pelo FX enquanto as negociações estavam em andamento. O torneio sul-americano tornou-se um trunfo nessas tratativas, como a Liga dos Campeões certamente será nas conversas que o Esporte Interativo terá com as operadoras. Por isso, e até porque a verba que receberia dessas operadoras ajudaria a bancar o investimento, é muito difícil que algumas partidas da rodada sejam sublicenciadas para canais rivais neste momento, como a ESPN faz com a Sports+ no atual contrato.

A estratégia de exibição do EI ainda não está definida, mas outra possibilidade contemplada seria colocar partidas exclusivas na plataforma de internet do canal, o EI Plus, e aumentar bastante o número de assinaturas. Afinal, o Esporte Interativo também levou os direitos de transmissão para a internet. Atualmente, o preço do pacote mensal é de R$ 9,90.

Por outro lado, as coisas podem complicar na transmissão da TV aberta. Os direitos dessa plataforma foram mais uma vez adquiridos pela Rede Globo, que sublicencia as partidas de quarta-feira para a Bandeirantes. No entanto, a Globo, por meio do Globosat/SporTV, foi parceira da ESPN no último leilão, e teve de engolir a derrota. Há pessoas no mercado que imaginam que a maior emissora do Brasil dê mais espaço para a Bandeirantes, vendendo os jogos de terça, como forma de retaliação à Turner.

À ESPN, resta tentar controlar os danos. A emissora perdeu anteriormente o Campeonato Alemão para a Fox Sports, mas pode retomar alguns jogos porque a emissora deve sublicenciar partidas para fazer caixa. O canal do Grupo Disney deve vir forte para também readquirir o Italiano, cujos direitos ficarão em jogo após o fim do atual contrato com a Fox Sports, em 2015. Mas a Champions League, carro-chefe da emissora há muito tempo, não tem jeito. Agora está em outra casa.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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