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Cinco grandes momentos da história do Estádio Independência

Através de mais um capítulo que começará a ser escrito por Atlético e Cruzeiro nesta quarta-feira – potencialmente o maior do clássico mineiro – , o Independência terá seu lugar na história do duelo garantido por ser palco da primeira disputa da final da Copa do Brasil. Poucas vezes uma disputa nacional teve tamanha expectativa, e, independentemente do resultado, o estádio terá mais um momento especial para sua galeria.

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Construído para a Copa do Mundo de 1950, o Estádio Independência teve na própria competição um de seus grandes momentos. Foi palco de uma das maiores zebras das histórias dos Mundiais. Pela fase de grupos da competição, um time de atletas amadores e semiprofissionais dos Estados Unidos conseguiu bater a seleção inglesa, os criadores do jogo, que ainda se achavam os melhores do mundo no esporte. Relembramos esse e outros quatro capíitulos interessantes desse importante palco do futebol brasileiro, que se prepara para receber atleticanos e cruzeirenses.

Estados Unidos 1×0 Inglaterra (Copa do Mundo de 1950)

Era a primeira participação dos Three Lions em uma Copa do Mundo, contando com atletas como Alf Ramsey, que viria a ser campeão com a Inglaterra como técnico, em 1966, e Jimmy Mullen, que atuou por cerca de 23 anos com a equipe. Stanley Matthews, grande craque dos ingleses, não pode jogar, mas isso por si só não seria motivo para preocupação diante de um adversário como os americanos.

Como esperado, a Inglaterra dominou as ações por quase todo o jogo, mas os norte-americanos conseguiram encontrar um gol com a cabeçada de Joe Gaetjens aos 38 do primeiro tempo. Bravamente, os Estados Unidos seguraram a vantagem magra por toda a partida, conquistando sua única vitória na competição, mas suficiente para fazer a viagem até o Brasil valer a pena.

Atlético Mineiro 2 x 0 Cruzeiro (Final do Campeonato Mineiro de 1954)
Equipe atleticana tricampeã mineira (Foto: Revista O Cruzeiro)
Equipe atleticana tricampeã mineira (Foto: Revista O Cruzeiro)

Na década de 1950, não havia nada maior para um clube de Minas que a glória do Campeonato Mineiro. América Mineiro, Cruzeiro e Villa Nova já haviam conquistado o tricampeonato em alguma oportunidade, enquanto o mais próximo a que o Atlético havia chegado tinha sido um bicampeonato. A primeira vez que emplacara duas conquistas seguidas havia sido em 1926 e 1927, então a espera pelo tri já durava quase 30 anos. Ela enfim chegou ao fim na edição de 1954 da competição – que terminou em 1955 – , e como consequência Belo Horizonte foi tomada por uma grande festa. Toda ela construída no gramado do Independência.

Com um regulamento um tanto quanto maluco, com três turnos e disputas de final em cada um deles, por causa do empate entre Cruzeiro e Atlético na pontuação de todos, aquela foi a edição em que mais clássicos foram disputados entre os dois: 13 duelos. Como havia vencido o segundo e o terceiro turnos, o Cruzeiro tinha a vantagem de precisar de apenas uma vitória numa série final de quatro jogos com o Galo. Mas os atleticanos as duas primeiras, seguraram o empate na terceira partida e chegaram à conquista com um triunfo por 2 a 0 em 1º de maio de 1955, com gols marcados por Ubaldo e Joel. A partir dali começava uma era de supremacia atleticana, que chegaria ao pentacampeonato (ainda que tenha dividido a última taça com a Raposa, por decisão judicial) e a um total de oito conquistas entre 1952 e 1963.

América-MG 1×1 Milan (Copa Centenário de Belo Horizonte de 1997)

O ano de 1997 foi marcante para o América Mineiro não apenas pela conquista da Série B, mas também por um encontro especial com o Milan, pelo torneio amistoso Copa Centenário de Belo Horizonte. Diante dos rossoneri, que contavam com George Weah, o Coelho, de Tupãzinho, não se intimidou e, embora tenha sido vazado pelo liberiano, melhor do mundo dois anos antes, conseguiu o empate com um golaço de Celso, já nos acréscimos da partida, para compensar todo o esforço em um dos duelos mais lembrados da história do clube. A partida não era válida por alguma competição importante nem nada, mas enfrentar de cabeça erguida o grande Milan foi um orgulho para o América.

América-MG 1×0 Vila Nova-GO (Série B de 1997)

O único título do América Mineiro na Série B do Brasileirão veio em 1997, e, para a sorte do Coelho, a equipe pode comemorar a conquista diante do seu torcedor. Após um campeonato que contava com três fases e um quadrangular final, o clube mineiro venceu o Vila Nova, na última rodada do quadrangular e se sagrou campeão, diante de um público de mais de 12 mil pessoas. Celso, o mesmo do golaço contra o Milan, foi o autor do único tento da vitória sobre os goianos. Contando com atletas como Tupãzinho, Pintado e Rinaldo, o técnico Givanildo levou o time a 13 pontos no quadrangular final, dois a mais que a vice-campeã Ponte Preta. 

Atlético Mineiro 1×1 Tijuana (Copa Libertadores de 2013)

Nas últimas duas temporadas, o Atlético Mineiro se consolidou como o time dos milagres, dos resultados improváveis, da garra recompensada e da torcida vibrante. O capítulo inicial desse momento especial do clube teve início em uma partida no Independência, durante a conquista inédita da Libertadores, em 2013. Após empatar em 2 a 2 com o Tijuana, no México, o Galo recebeu os mexicanos no Horto, pelo confronto de volta das quartas de final, e teve uma montanha russa de emoções até garantir de vez a vaga na semifinal.

Após sair perdendo, com gol de Riascos aos 25 minutos do primeiro tempo, o Atlético foi buscar o empate antes do intervalo, aos 40 minutos, com Réver. O resultado garantia o Galo na próxima fase, mas muito mais precisaria ser feito até o apito final para que a classificação se confirmasse. Victor então assumiu toda a responsabilidade e foi o herói do épico. Primeiro com uma defesa fantástica aos 24 da segunda etapa, quando o Tijuana aproveitou uma trapalhada da zaga do Galo, saiu na cara do gol e, com Piceño, desperdiçou uma chance clara, graças a milagre do goleiro. Depois, de maneira mais marcante, “São Victor”, que ganhou a alcunha após aquele jogo, defendeu cobrança de pênalti de Riascos aos 48 minutos do segundo tempo, com a perna esquerda que deixou no caminho ao saltar para o lado, salvando o Galo de uma eliminação que seria bastante dolorida pelas circunstâncias do jogo. Tecnicamente, não foi a melhor atuação do time de Cuca na campanha, mas, em termos de emoção, foi o jogo mais emocionante, ao lado do triunfo nos pênaltis contra o Newell’s, nas semifinais.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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