Brasil

CBF cobre marca da Allianz e dá recado: boa sorte para fazer o futebol brasileiro crescer

Se você quiser expor sua marca e ao mesmo tempo contribuir com o crescimento do futebol brasileiro, não conte com a CBF para isso. Em abril de 2013, o Palmeiras fechou um acordo de R$ 300 milhões com a Allianz pelos naming rights de sua nova arena, por 20 anos. A grana investida pela empresa de seguros não é infundada: o futebol é um mercado de muita exposição, e é exatamente por isso que a fortuna é desembolsada. Bom para o Palmeiras, que ganha uma nova receita, para o futebol brasileiro, que ganha um precedente importante que pode significar o início de mais acordos deste patamar, mas aparentemente não mais importante para a entidade que cuida de nosso esporte do que a prioridade para seus próprios parceiros.

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Se você esteve vivo e acompanhando futebol nos últimos meses, sabe que a torcida palmeirense e a Rede Globo tiveram atritos pelo fato de o canal evitar citar o nome Allianz Parque em suas transmissões e programas, por motivos comerciais. Ainda assim, nos jogos do Paulistão, por exemplo, era possível ver atrás das placas de publicidade a marca que acreditou no potencial da imagem da nova casa palmeirense e levou dinheiro ao clube – e ao futebol brasileiro, indiretamente.

Neste sábado, na estreia do Palmeiras no Brasileirão, contra o Atlético Mineiro, a ordem da CBF foi clara: a exposição da marca não seria permitida. Mais detalhadamente, segundo apuração da Folha, o clube não pode exibir propagandas no segundo patamar das arquibancadas, apenas a partir do terceiro. Isso por causa da prioridade em destacar os patrocinadores do evento, que pagam para ter suas marcas nas placas de publicidades que aparecem no quadro das transmissões.

Isso não é um problema nas maiores ligas do mundo, como Premier League e Bundesliga, em que Manchester City, Arsenal e Bayern de Munique, por exemplo, atuam em estádios com naming rights negociados com plena exposição das marcas que os patrocinam. O interesse de outras empresas em patrocinar os torneios ainda existe pela qualidade do produto. Quesito que, teoricamente, virou pauta da CBF, mas apenas com pormenores de enfeite: entrada em campo padronizada, com um tapete vermelho completamente desnecessário e a atração extremamente transformadora de ter uma dupla sertaneja cantando o hino nacional antes do duelo entre Cruzeiro e Corinthians, neste domingo, na cerimônia de abertura que acontece um dia depois do pontapé inicial do torneio.

Pequenas mudanças decorativas não irão alterar o percurso do futebol brasileiro enquanto tantas transformações estruturais não acontecerem. A exposição de uma marca que paga pelos naming rights de um estádio brasileiro nem está entre esses aspectos mais relevantes, mas o caso de hoje é prova de que mesmo nos detalhes estamos muito atrás do que deveríamos. A hesitação da entidade, que diante dos protestos autorizou a retirada das faixas que tampavam a marca, mostra que sequer se trata de uma política clara e previamente esclarecida, apenas de uma resposta a um provável telefonema zangado de algum patrocinador ou dirigente. Uma postura de um provincianismo incompatível com o atual estágio em que o futebol mundial se encontra.

No vídeo abaixo, gravado por um torcedor, o pedido de uma funcionária do estádio para que as placas seguissem cobertas:

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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