Campeonato Brasileiro

América, Red Bull Bragantino e Juventude não atraem tantos holofotes, mas viveram grandes emoções nesta rodada final

Numa rodada final sem tantas reviravoltas, três torcidas menores comemoraram bastante nesta quinta

Antes que o Brasileirão começasse, muita gente apontava o América Mineiro como candidato ao rebaixamento. E era compreensível pensar assim, diante da posição recente do Coelho como time ioiô. Porém, a campanha dos americanos enfatizaria muito mais os acertos do clube ao buscar uma continuidade em relação ao que deu certo em 2020, com o acesso na Série B e o grande desempenho na Copa do Brasil. Mesmo com as mudanças no comando, os mineiros preservaram a base de seu elenco e trouxeram reforços experientes. O resultado se notou especialmente na rodada final do Brasileirão, em que o América cumpriu com louvores sua missão no Estádio Independência e derrotou o São Paulo para conquistar a classificação inédita à Libertadores. Deu a tônica de uma quinta-feira em que resultados notáveis vieram em estádios acanhados, mas pulsantes na noite.

Não seria uma rodada final de grandes reviravoltas na tabela. Três dos resultados mais importantes aos rumos do campeonato, no fim das contas, vieram de equipes que não são as mais badaladas. O Red Bull Bragantino garantiu seu lugar na fase de grupos da Libertadores de uma forma épica, com o golaço de Artur nos acréscimos do segundo tempo. O América, em meio à ampla disputa pela oitava posição, aplicou os 2 a 0 sobre o São Paulo num clima fantástico dentro do Independência. E ainda teve o Juventude, que bateu o Corinthians numa atmosfera vibrante dentro do Alfredo Jaconi, para escapar do rebaixamento no último dia.

O América Mineiro viu diversos heróis de 2020 se repetirem em 2021. Nomes como Matheus Cavichioli, Eduardo Bauermann, Juninho, Alê, Rodolfo e Felipe Azevedo foram destaques recorrentes nesse ciclo. Mas ninguém comparado a Ademir, que contribuiu muito no acesso e se tornou um jogador determinante para a vaga na Libertadores. É o grande símbolo desse Coelho que confiou em seus protagonistas da segundona para atingir um patamar inédito. É o principal nome para ser lembrado pela torcida, aquela que encheu o Independência e empurrou a equipe num jogo em que a vitória era mais do que necessária. Foi o complemento a um bom trabalho nos bastidores, com acertos na gestão que parecem recompensados. Pode até se discutir o excesso de vagas a brasileiros na Libertadores, mas, diante da chance posta, os americanos agarraram a oportunidade.

O Red Bull Bragantino, com um investimento alto para exatamente estar na principal competição continental, também conseguiu a classificação inédita – e, diferentemente do América, direto na fase de grupos. A campanha do Massa Bruta indicava tal possibilidade desde cedo, ainda mais num ano que também rendeu a presença na final da Copa Sul-Americana. De qualquer maneira, a confirmação viria com um dos gols mais importantes da história do clube, com o talento do grande protagonista da temporada. Artur foi brilhante para garantir o 1 a 0 sobre o Internacional no apagar das luzes em Bragança Paulista. A comemoração no alambrado do Estádio Nabi Abi Chedid seria frenética.

E o Juventude conseguiu um grande feito ao escapar do rebaixamento. Diante do andamento da rodada, um empate no Alfredo Jaconi já bastaria para livrar os alviverdes do descenso. Melhor ainda com a vitória por 1 a 0 sobre o Corinthians, garantida graças a um pênalti convertido por Chico aos 38 do segundo tempo. O clima das arquibancadas em Caxias do Sul igualmente seria quente, com o apito final proporcionando uma alegria coletiva que se alastrou pelo estádio. Cenas bem distintas daquelas vistas em Porto Alegre, onde o Grêmio venceu e não escapou do terceiro rebaixamento de sua história.

No fim das contas, três das torcidas que mais comemoraram não eram exatamente as mais aclamadas. Mas certamente carregarão as histórias dessa rodada final por longos anos. O ineditismo de América e Bragantino, bem como a salvação do Juventude, valem como títulos dentro de contextos mais acanhados.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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