Brasil

Bebeto, muitos gols e três empregos

A expressão “lobo em pelo de cordeiro”, não é novidade alguma, serve para definir pessoas que aparentam ter bom caráter e espírito tranquilo e que nos surpreendem com canalhices ou falta de educação. Não é nada disso que penso, quando digo que, nunca vi no futebol mundial, um jogador que se adaptasse tanto à esse apelido como Bebeto.

Fraquinho, tranquilo, totalmente perfil baixo, fala mansa e baixa, Bebeto deve ter causado surpresas em muitos zagueiros acostumados a intimidar atacantes sem força. Foram todos surpreendidos. Mais que lobo em pelo de de cordeiro, Bebeto era um tigre pouco percebido na área. Até a hora do bote. Bebeto matava com categoria e tranquilidade. Era quase perfeito na finalização, muitas vezes com o voleio plasticamente inquestionável, que foi sua marca. 

Foram 52 gols em 88 jogos pela seleção. Bebeto não perdia oportunidades.

Agora, aposentado, continua igual. Não perde oportunidades. Tem três empregos: o de deputado, lhe foi dado pelo povo do Rio. O de membro do comitê organizador da Copa, ao lado de Ronaldo, ganhou de Ricardo Teixeira, o ex-presidente da CBF. Agora, José Maria Marin, o sucessor de Teixeira, o escolheu para comandar as seleções de base do Brasil. Cargo conseguido após o vexame do último sul-americano, quando o Brasil ficou em nono lugar, na frente apenasda Bolívia.

Coincidência ou não, um dos projetos de Bebeto deputado tentava dar uma comenda a Marin. Desistiu em tempo.

Bebeto não era um jogado fixo na área, como o parceiro Romário. Mas, mesmo assim, convenhamos que é difícil alguém trabalhar em alto nível em três empregos diferentes. A qual patrão ele está devendo. Ao povo, que lhe deu o mandato ou a Marin, que manteve uma sinecura e lhe outorgou outra, bem mais dura.

Os três cargos são de muita cobrança. Erros na Copa ou seleção dando vexame podem custar até o mandato de deputado, na eleição de 2014. Mas, as cobranças maiores virão pelo desempenho da seleção sub-20.

Ao pegar os juniores em situação tão ridícula, Bebeto tem a vantagem de que será impossível piorar. Poderá apresentar sempre números enganosos. Dizer que, de nono chegou a quinto. É uma melhora, não é?  Mas, bastará uma nova competição com derrotas para Uruguai e principalmente Argentina para as cobranças voltarem com muito mais força. Para o Brasil, não basta melhorar. Tem de vencer.

Vencer campeonatos nessa faixa etária é importante, mas não é o fundamental. Bebeto deveria optar por um trabalho a longo prazo que tornasse cada vez mais difícil a perda de jogadores jovens talentosos. Para isso, nada melhor que a realização de campeonatos bem organizados e de alcance nacional.

Por que não fazer um Brasileiro sub-20 com jogos sendo realizados nas preliminares dos participantes do Brasileiro? Fica caro? Fica, mas a CBF é milionária, pode bancar. Ou outros campeonatos, de modo que os jovens fiquem expostos, sejam observados pelo treinador.

Gallo foi o técnico escolhido. Como ele vai conhecer os jogadores? Alguns, os que estão nos times principais, são alvo fácil. Mas, e os outros? São vistos apenas na Copa São Paulo ou na Copa BH. Muito pouco.

Dar visibilidade a jogador sub-20 deveria ser a principal meta de Bebeto. Será que ele vai ter tempo para isso?

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