Não chega a ser uma história de traições e reviravoltas que nem Game of Thrones, mas os bastidores políticos de e , às vésperas das eleições presidenciais neste final de ano, estão aquecidos por articulações e movimentações para garantir as vitórias. No lado azul, não tem mais idade para ser presidente, mas tenta manter o poder sobre o futebol. No vermelho, todos querem o apoio de .

TEMA DA SEMANA: O seu clube também terá eleições para presidente, e você sabe o que esperar?

Koff não será candidato à reeleição e aparece como vice na chapa de Romildo Bolzan Júnior, com a autonomia de montar a sua equipe e gerir o futebol, se for o vitorioso. Usa o seu relacionamento com a construtora OAS para convencer os sócios de que precisa se manter vivo na política do clube para concretizar a compra da Arena Grêmio e garantir o futuro financeiro do tricolor gaúcho.

O grupo que administrou o Internacional entre 2002 e 2010, por sua vez, está cada vez mais fragmentado. O pleito deste ano deve ter três candidatos e todos querem o apoio do grupo Convergência Colorada para passar pelo primeiro turno, com votos dos conselheiros. Nas eleições diretas, o pote de ouro é Fernando Carvalho, que pode apoiar um ou outro dependendo do cenário político que se apresentar.

Grêmio

As eleições no Grêmio já começaram. O clube realizou o primeiro turno do seu pleito para presidente na última terça-feira, apenas com votos de conselheiros para filtrar, entre as cinco chapas inscritas, as duas com mais possibilidades de eleger o presidente. Com votações inexpressivas, Jorge Bastos, Pierre Gonçalves e Nilton Cabistini estão fora da corrida. E sobraram dois: Romildo Bolzan Júnior e Homero Bellini Júnior.

Bolzan, atual vice-presidente, herdou o posto de candidato da situação depois que Fábio Koff decidiu não concorrer à reeleição. Mas Koff não largou o osso. Será o vice de futebol da gestão, caso a sua chapa seja eleita, com autonomia para montar a equipe que quiser. O diretor de futebol seria Duda Kroeff, outro ex-presidente. Tanto músculo político levou o grupo a conseguir 140 votos dos 291 conselheiros que participaram do primeiro turno.

Do outro lado da peleja, está Homero Bellini Júnior, opositor notório de Koff. Conselheiro desde 1995, foi diretor jurídico de algumas gestões nesse período e anunciou Antônio Carlos Maineri como vice de futebol. Escaldado pela derrota para o atual presidente na eleição de 2012, tenta enfatizar que a briga é entre ele e Bolzan. Em entrevista ao jornal Zero Hora, duvidou da capacidade de Koff, 82 anos, de exercer a função para a qual está se propondo, por causa de problemas de saúde. “Respeitando a história vitoriosa do presidente Fábio Koff, a disputa não é Homero e Koff. A disputa é Homero e Romildo”, disse.

Koff, porém, tem um trunfo exclusivo para convencer os torcedores de que precisa se manter no poder. Está liderando, desde junho, uma negociação com a construtora OAS para adquirir todos os direitos de administração da Arena Grêmio. Em português claro, tenta comprar o estádio, porque o contrato, firmado por Paulo Odone, nunca agradou muito o atual presidente, que chegou a dizer que o clube “passaria 20 anos” pagando a construção. Tanto é que já assinou três aditivos para modificar esse acordo e torná-lo mais vantajoso.

O último deles foi firmado em junho, quando ele lançou a “Operação Grêmio” para comprar de vez a Arena. Koff espera concluir as negociações até o final do ano, mas, se falhar, seria importante na condução das tratativas. Pelo menos essa é a ideia que a chapa da situação tenta vender. Bellini Júnior também é a favor da aquisição, mas de uma forma menos entusiasmada. Apenas se o clube “gerar receitas compatíveis”. Os dois devem manter Luiz Felipe Scolari no comando técnico da equipe.

Tudo isso será decidido no próximo dia 18, quando os torcedores que forem sócios do clube vão às urnas depositar os seus votos. Ou não, porque as eleições diretas também permitem que o eleitor faça sua escolha por meio da internet (caso esteja em dia com a mensalidade até 5 de setembro). Virtual ou presencialmente, o futuro do Grêmio será decidido semana que vem.

Internacional
Fernando Carvalho, ex-presidente do Internacional (Foto: Vipcomm)
Fernando Carvalho, ex-presidente do Internacional (Foto: Vipcomm)

É sempre difícil administrar os interesses de uma grande família. Uns preferem viajar para a Disney, outros para a praia. Quando algo parecido acontece em um grupo político que está no comando de um clube há oito anos, é inevitável que haja dissidências. O “blocão” que administrava o Internacional desde 2002 dissolveu-se em 2010 e está pronto para mais uma batalha.

A história é a seguinte: Pedro Affatato deveria ser o candidato único da situação quatro anos atrás, sucedendo . Mas o Movimento Inter Grande, cuja liderança mais proeminente é Fernando Carvalho, decidiu lançar sem consultar os outros grupos. Uma carteirada na cara dura. Piffero, à época, incorporou Pôncio Pilatos, lavou as mãos e não apoiou ninguém.

Luigi venceu e foi reeleito em 2012, no primeiro turno, contra Luis Antônio Lopes, desta vez apoiado por Piffero. Um dos patriarcas da família, ele deseja ver os seus filhos reunidos repartindo o pão novamente, mas admite que isso é muito difícil no momento. Cogita, portanto, lançar uma candidatura à presidência contra o candidato da situação Marcelo Medeiros. Piffero adota o discurso de que ainda é muito cedo para confirmar se vai ou não concorrer ao cargo. As inscrições das chapas vão até 31 de outubro.

O terceiro candidato é Roberto Siegmann, a dissidência. Era membro do Movimento Inter Grande e foi vice de futebol de Luigi no primeiro mandato. Orquestrou o retorno de Paulo Roberto Falcão ao clube como treinador, mas foi mandado embora junto com o Rei de Roma, em 2011. Assim, criou-se uma terceira via para as eleições coloradas.

Todas as três vão atrás do apoio da Convergência Colorada, um grupo político que conta com 78 votos e praticamente garante qualquer candidato no segundo turno das eleições (são necessários aproximadamente 115 votos), quando os sócios depositam os seus votos. A CC ainda cogita uma candidatura própria, mas não sabe se terá apoio suficiente para passar pela fase inicial do pleito. Caso decida que sim, os nomes mais prováveis são Sandro Farias, Humberto Busnello e João Patrício Hermann.

Uma vez no segundo turno, o grande ás na manga é o apoio de Fernando Carvalho, dono do toque de midas necessário para transformar um candidato em presidente, graças à força maciça que tem junto aos torcedores. O natural (afinal, é um dos fundadores) seria que Carvalho apoiasse o candidato do MIG, Marcelo Medeiros, mas pode pender, por causa da grande amizade que tem com Piffero, para o outro lado.

De um jeito ou de outro, a três semanas do prazo final para a inscrição das chapas, o cenário político do Inter está muito incerto. Grupos opositores têm tempo para as articulações e podem fortalecer ou enfraquecer qualquer um dos candidatos. Ou, talvez, mais uma parte da família fique brava e resolva brincar sozinha.

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