Brasil

Ambição verde

Quando surgiu a informação de que Fernandão havia acertado com o Internacional, parecia que o Colorado finalmente se colocava como candidato forte ao título. O meia-atacante era o nome que o time gaúcho precisava para ter mais equilíbrio e experiência na frente. Mas o jogador acabou indo mesmo para o Goiás. E criou a expectativa na torcida alviverde de que, pela primeira vez na história, o Campeonato Brasileiro pode ir ao Centro-Oeste.

Não tão cedo. Apesar da excelente campanha (terceiro colocado após 16 rodadas, com 29 pontos e o terceiro melhor ataque), o Goiás ainda precisa se consolidar no campeonato. Resultados impressionantes como a vitória sobre o Atlético Mineiro em Belo Horizonte estão acompanhadas de outros como empate para o Náutico e derrota para o Avaí (ambas em casa).

Em um torneio de tantos altos e baixos por parte de todo mundo, uma boa fase alça o time para uma posição na tabela que pode ser irreal. Só depois de algum tempo é que se vê qual o real nível do time. O Goiás está na fase de aproveitar o bom momento para se destacar. E o papel de Fernandão não é fazer o time subir ainda mais: é manter a equipe goiana nesse nível quando houver a acomodação natural dos times.

O Alviverde não tem um time espetacular, mas foi montado com alguns jogadores experientes que não se encostaram na carreira e nomes pouco conhecidos que querem buscar seu espaço. Uma mistura simples e que muitas vezes dá certo em equipes de médio poder aquisitivo.

Assim, Harlei, Ramalho e Iarley serviam de base para o resto da equipe jogar com mais tranquilidade. Tanto que a dupla Leandro Euzébio e Rafael Tolói tem se mostrado mais segura que o esperado. O lateral Júlio César, pela esquerda, tem ofuscado o companheiro Vítor, que se destacou ano passado pela direita. No ataque, Felipe continua sendo o atacante perigoso do Náutico.

Era uma equipe que poderia fazer uma boa campanha, mas nada muito além disso. Por isso, o Goiás correu atrás de Léo Lima – que pode dar mais experiência ao meio-campo – e Fernandão. O primeiro ainda é incerto, pois tem histórico de oscilar em excesso. Mas o segundo pode dar ao time alviverde um dos ataques mais interessantes do Brasil.

Iarley e Fernandão são dois jogadores que se encaixariam bem em qualquer equipe do país. Técnicos, inteligentes, experientes e dedicados, eles podem jogar como atacante ou meia de armação. Além disso, assumem a responsabilidade de decidir quando necessário. Imagine um jogador desses no Palmeiras que ainda não confia que Obina seguirá em boa fase para sempre, ou no Internacional que ficou sem Nilmar e vê D’Alessandro em má fase, ou no Corinthians que está com Ronaldo combalido e vendeu Douglas, ou no Atlético Mineiro que sente falta de um meia que cadencie o jogo quando preciso, ou no…

Com o reencontro dessa dupla (que já se conhece bem do Inter), o Goiás passa a ter dois jogadores que voltam para armar o jogo e chegam à frente como atacantes, dando suporte para o artilheiro Felipe. Se o trio se encaixar bem, o time ganha fluidez pelo meio. Júlio César e Vítor dão opções pelas pontas, desde que Ramalho e Léo Lima fiquem quase como volantes, ajudando na cobertura.

Sem um elenco muito vasto, o Goiás pode sentir falta de fôlego no segundo turno. Ainda mais se avançar na Copa Sul-Americana. De qualquer modo, não é inviável imaginar o time alviverde ocupando vagas na Libertadores. Mesmo sem ter o glamour, a atenção da mídia ou o dinheiro de equipes como Palmeiras, Internacional, Atlético Mineiro, Corinthians, São Paulo, Flamengo e Grêmio.

Devagar com o andor

Estatísticas explicam muitas coisas, ou servem de retratos para elas. Mas não podem ser tomadas como coisas absolutas. O Palmeiras de 2009 já tem a melhor campanha da história do Brasileirão em pontos corridos depois de 16 rodadas. Além disso, já tem três pontos de vantagem sobre o segundo colocado, com perspectiva de abrir mais nesta quinta. São números de respeito, mas que não podem servir para colocar o Alviverde como “o time a ser batido”.

O Palmeiras, de fato, conquistou o direito de ser visto como o candidato mais forte ao título nacional. Primeiro, porque tem feito sua parte com méritos. Depois, porque seus concorrentes mais fortes não conseguem engrenar.

No entanto, não dá para ignorar que o Alviverde ainda é uma equipe cheia de problemas. A vitória sobre o Sport foi bem pouco convincente, como já havia sido o 1 a 0 sobre o Fluminense no meio da semana passada. Dois triunfos apertados contra equipes que povoam a zona de rebaixamento. Claro, faz parte da campanha de qualquer campeão em pontos corridos colecionar algumas vitórias no sufoco. Mas é sinal de que o trabalho de Muricy no Parque Antarctica não é apenas de “manutenção”, mas de correção em algumas áreas.

Nos dois últimos jogos, o Palmeiras apresentou grande falta de criatividade e força ofensiva. Compreensível: a equipe paulista enfrentou adversários fechados e, principalmente, mudou de sistema de jogo. Muricy sabe que a defesa alviverde é bastante vulnerável e está dando atenção especial a ela, chegando a testar o 3-5-2. Esse tipo de mudança acaba prejudicando o ataque, que precisa se adaptar às mudanças em outros setores.

Desse modo, é fundamental conseguir manter a base junta por um tempo. Só assim o time se tornará sólido, como Muricy tanto gosta. O que explica o desespero da diretoria palmeirense em criar um modo de evitar que o volante Pierre (um dos melhores do Brasileirão na posição) saísse. A partir dessa consolidação tática, o clube do Parque Antarctica pode pensar em questões mais pontuais – exemplo principal: um atacante – para ganhar ainda mais espaço na briga pelo título.

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Equipe Trivela

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