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Ademir da Guia apoia Nobre, mas avisa: “Palmeiras tem que começar do zero”

Era um atrás do outro. Pelo menos oito pessoas tiraram foto com ele em menos de três minutos. Atendeu todos com um sorriso no rosto e muita disposição para um senhor de 72 anos. A agilidade para sair de uma pose e entrar em outra não é mais a mesma, nem com as palavras. Com a fala lenta, Ademir da Guia comentou a situação do Palmeiras em entrevista à Trivela, salvo do rebaixamento no fio da navalha, na última rodada, beirando o precipício até os últimos segundos do Campeonato Brasileiro.

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Ademir não está satisfeito, e existe alguém que entende mais de Palmeiras do que ele? Jogou 903 vezes com a camisa alviverde e conquistou 11 títulos. Era quase unanime a sua posição como maior ídolo da história do clube de Palestra Itália até Evair marcar aquele gol de pênalti contra o Corinthians e Marcos defender o pênalti de Marcelinho Carioca. Agora, depende um pouco da geração, mas nenhum palmeirense consegue deixar de reverenciar o Divino.

Ele acha que o Palmeiras precisa começar do zero, mudar quase todos os jogadores, mas comemorou a reeleição de Paulo Nobre. Teria direito a voto, mas não pode estar presente na primeira eleição direta da história do clube. Reconhece a quantidade de erros que Nobre cometeu, mas o considera um “palmeirense com vontade de acertar”. Precisa, agora, entender os seus equívocos e consertá-los.

Como foi o seu domingo, com todo aquele nervoso do jogo do rebaixamento?

Na verdade eu tive que viajar, estava voltando da viagem. Era um nervoso muito grande porque dependíamos de alguns resultados também, e era importante ganharmos. Foi um domingo de muita preocupação. Ainda bem que os resultados favoreceram e conseguimos nos manter na primeira divisão porque esse era o objetivo.

Quando o senhor ficou sabendo dos resultados?

Quando o Santos fez o gol, o pessoal estava acompanhando pelo radinho, não tinha televisão no ônibus, sabíamos que o Vitória não havia vencido e nós tínhamos empatado. Quando o Santos fez o gol, foi uma festa.

E a sua reação?

Foi uma festa geral. Sabe que tinha palmeirense, mas os outros, que não eram palmeirenses, estavam torcendo com a gente para o Palmeiras ficar. Porque na verdade é bom que o Palmeiras esteja (na primeira divsão), clássico é melhor que jogar com time pequeno.

O que o senhor acha que aconteceu com o Palmeiras esse ano?

Tudo de ruim aconteceu. Muita gente tem falado que temos que começar tudo do zero, montar outra equipe, e o presidente tem que procurar acertar o que errou.

Você teria mantido Dorival?

Eu não estou lá. Estou longe. Não sabemos se ele quer ficar, se ele quer sair. Se é importante trocar tudo. Depende muito do que aconteceu, do que vai acontecer. Acho importante a gente começar do zero.

O senhor vota na eleição?

Eu não votei. Não pude votar.

O senhor reelegeria Paulo Nobre?

Eu não votei. Eu acho que esses dois anos que deram para o Paulo Nobre foram importantes. Como ele é um palmeirense que quis acertar, pode ver os erros e tentar corrigir. O torcedor quer que a equipe esteja lá em cima, disputando título. Tem que ter grandes jogadores, grandes contratações. Achei importante que ele conseguiu essa vitória e que tenha esses dois anos para ele mudar tudo.

O que precisa mudar?

Os jogadores. São eles que jogam, eles que fazem os gols, as jogadas. A toricda fez o papel dela. Compareceu, torceu.

A reestreia do Palestra Itália foi na sua despedida. Como esse estádio pode ajudar o futuro do Palmeiras?

Como já vem ajudando, a torcida presente, a torcida pressionando, a torcida aplaudindo quando (o time) merecer ser aplaudido. Acho que ter a sua casa, jogar na sua casa, é uma coisa impressionante. É isso que os clubes querem e precisam.

O Ministério Público estava falando em proibir fazer festa em torno do estádio. O que o senhor acha disso?

O que o torcedor precisa? Chegar ao estádio. É importante ele chegar e entrar no estádio. Você está com o seu ingresso, e fica 40 minutos em uma fila. É horrível. Acho que o Ministério Público tem que ajudar nesse sentido, para o torcedor chegar e entrar. Agora, se precisa tirar ambulantes, vender cerveja lá dentro, vender guaraná lá dentro, acho que tem que fazer de uma forma para o torcedor ter, além do jogo, uma festa. É isso que ele quer.

O que o senhor acha do Valdivia?

Ele tem que jogar. Não sei se tem que renovar contrato, mas o Valdivia já tem um contrato, é o jogador mais importante da equipe. É importante que ele jogue. Ele jogando ajuda muito a equipe. Por exemplo, jogávamos 65 jogos por ano. Eu jogava 62, 61. O Valdivia tem que jogar.

O Palmeiras sofreu 20 derrotas, 59 gols, ficou com 40 pontos. Ele merecia ter sido rebaixado?

Eu acho que foi uma vitória termos conseguido nos manter na primeira divisão. O objetivo foi alcançado. Agora, falar de merecimento? O Palmeiras merecia ter ganho contra o Cruzeiro e contra o Corinthians. Eu nunca vi o juiz dar cinco minutos (de acréscimo). Antigamente era sempre três minutos. Agora são cinco, depois serão dez. Perdemos aí seis pontos (quatro, na verdade) que realmente estavam ganhos. Merecíamoas ter esses pontos. Para falar de merecimento, vamos ter que ver todos os jogos, um mês vendo tudo.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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