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A maior entre as mulheres: Marta quebra o recorde de gols da Copa do Mundo Feminina

Quinze gols em quinze jogos de Copa do Mundo. Uma marca que, pelo menos entre os homens, parece remeter a tempos já remotos no futebol. Mas que, para as mulheres, é o presente que se eterniza. Nesta terça, Marta anotou seu 15º gol em Mundiais, fechando a vitória por 2 a 0 sobre a Coreia do Sul, na estreia da seleção brasileira na competição. O gol tornou a camisa 10 a maior artilheira da história das Copas femininas, superando a alemã Birgit Prinz. E também colocou a alagoana no mesmo patamar de Ronaldo como brasileiro com mais gols em Copas, além de deixar Klose e seus 16 gols na mira. Ao que tudo indica, apenas uma questão de tempo.

Marta disputou a sua primeira Copa em 2003. Aos 17 anos, a promessa já balançou as redes três vezes, em apenas quatro jogos disputados pelo Brasil. Para quatro anos depois aparecer como melhor jogadora do mundo e principal candidata a craque. Cumpriu as expectativas, recebendo a Bola de Ouro e a Chuteira de Ouro por seus sete tentos, embora tenha caído justamente para a Alemanha de Prinz na decisão. Já em 2011, com cinco prêmios de melhor do mundo nas costas, a Rainha fez os dois gols contra os Estados Unidos nas quartas de final e igualou Prinz, mas acabou eliminada nos pênaltis e parou em quatro tentos naquele Mundial.

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Contra a Coreia do Sul, assim como nos últimos anos, Marta não apresentou a intensidade de seus melhores tempos. Não é mais aquela craque que pega a bola, dribla todas as adversárias e acaba nas redes com um golaço. Mesmo assim, aos 29 anos, a camisa 10 continua como um toque de classe. Protagoniza que nenhuma das rivais imaginam e bate na bola como poucas jogadoras (e poucos jogadores) no mundo. Craque em sua essência, algo notável em um simples passe ou drible.

A melhor em campo contra a Coreia do Sul, no entanto, acabou sendo outra recordista: a incansável Formiga, em sua sexta Copa do Mundo. A veterana parecia estar em todos os campos do campo, correndo, marcando e dando ótimos passes às companheiras. Anotou o primeiro gol, aproveitando um recuo errado das sul-coreanas para se tornar a mais velha a balançar as redes em Mundiais femininos. E estava dentro da área para sofrer o pênalti que deu o recorde à Marta. Com maestria, a camisa 10 não desperdiçou.

Dentre as dez maiores artilheiras da história da Copa do Mundo Feminina, ninguém se aproxima da média de gols de Marta. Prinz, por exemplo, precisou de 24 partidas para anotar os seus 24 gols. Michelle Akers, a recordista antes da alemã, balançou as redes 12 vezes em 13 jogos pelos Estados Unidos até 1999. A marca da brasileira pode até ser ameaçada por Abby Wambach, craque americana que soma 13 gols e disputa este Mundial com as favoritas. Mesmo assim, aos 35 anos, a atacante possui menos perspectivas para futuras Copas do que Marta. Sem tanto esforço, a camisa 10 pode chegar a 20 gols no torneio já em 2019. E, se tiver a longevidade de Formiga, terá mais dois Mundiais além desse para fuzilar as goleiras.

Definitivamente, a seleção brasileira é privilegiada em contar com jogadoras como Marta e Formiga. E somente a estreia do time na Copa do Mundo disputada no Canadá ajuda a dimensionar a grandeza das estrelas. Nomes para a história do futebol feminino e que mereciam muito mais consideração também de uma maneira geral no esporte, se colocadas ao lado dos homens. Durante as próximas rodadas, a forma como Marta pode pulverizar o recorde de Klose será emblemática.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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