Por Paulo Júnior

Falcão é daqueles atletas que curtem usar as redes sociais da internet. Pouco antes do jogo contra a Austrália na noite desta quarta-feira, ele postou: “Domingo me tornei o único jogador a jogar 5 Copas do Mundo, hoje me torno o único a jogar 32 jogos em Copas”. Inspirado com a marca e diante de um adversário frágil, foi o destaque da goleada por 11 a 1 sobre a Austrália, com três gols e algumas de suas jogadas características como a tentativa por cobertura desde o campo de defesa e o chapéu de carretilha para cima do marcador.

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Ao entrar em quadra em Bucaramanga, o camisa 12 passou Manoel Tobias no número de partidas em Mundiais. Na artilharia histórica, ele tem um gol a menos que o compatriota (43 a 42), e segue em busca da liderança da lista de goleadores das Copas no sábado, às 18h, contra Moçambique, em jogo que a já classificada seleção brasileira joga apenas para confirmar o primeiro lugar do Grupo D.

A seleção começou a segunda partida na competição com aquela que foi a segunda formação na estreia, com Falcão no quarteto ao lado de Rodrigo, Xuxa e Jé. Antes dos 10 segundos, o camisa 12 já havia feito sua primeira finalização, por cima do gol. Com pouco mais de um minuto, eram quatro chutes. Aos 3, quando Rodrigo já tinha aberto o placar, o capitão arriscou do campo de defesa, encobrindo o goleiro, para acertar o travessão. E se alguém pode questionar o fôlego para recuperar a marcação ou o potencial da arrancada de um atleta de 39 anos, nesse fundamento Falcão segue em alta. Finaliza muito, achando o espaço que poucos acham, e não por acaso se tornaria com alguma naturalidade, após dois jogos, o artilheiro da equipe no Mundial.

Pouco depois da seleção fazer 1 a 0, Giovenali empatou em rápido contra-ataque. Foi o melhor momento do adversário formado por jogadores amadores, na maioria atuando no próprio futsal australiano, e que na estreia venceu Moçambique por 3 a 2. Depois, novas chances apareceram em algumas respostas pontuais. Mas apesar do Brasil oferecer espaço e em certos momentos relaxar na marcação, a Austrália terminou a partida com apenas 27 tentativas de finalização, sendo que 12 alcançaram o gol defendido por Tiago ou Guitta (o Brasil finalizou 103, com 49 no alvo).

Na sequência do primeiro tempo, o Brasil viveu um instante de pouca inspiração, até que a nova formação, a do quarteto que joga inteiramente na Europa – Ari (Dínamo Moscou), Fernandinho (Dínamo Moscou), Bateria (Barcelona) e Rato (Inter Movistar) -, recolocou o time na frente aos 7 minutos, com Fernandinho soltando o pé no ângulo de Spathis. Falcão, de volta à quadra, matou no peito mesmo com a área congestionada e ampliou. E Bateria, em jogada individual, anotou o quarto pouco antes do intervalo.

No início do segundo tempo, Falcão fez o segundo dele na jogada mais bonita da partida, driblando na lateral da quadra e cortando para o meio para acertar uma bomba indefensável para o goleiro australiano. O golaço soltou o capitão, que na sequência deu dois chapéus, e o time, que abriu vantagem para construir a maior goleada da Copa até aqui. Dieguinho, Fernandinho (2), Jé, Lockhart (contra) e novamente Falcão anotaram os gols que fecharam o placar em 11 a 1.

O resultado mais elástico até então havia sido de Portugal, que na terça-feira fez 9 a 0 diante do Panamá com seis gols de Ricardinho, um dos candidatos a craque do Mundial. Pelo grupo do Brasil, a Ucrânia fez 4 a 2 em Moçambique. Além da seleção, Rússia e Itália também têm duas vitórias em dois jogos, e a terceira rodada segue nesta quinta-feira para os grupos E e F.