O Brasil se complicou no duelo contra a Austrália, na segunda rodada da Copa do Mundo Feminina. Depois de vencer com tranquilidade a Jamaica por 3 a 0 na estreia, o time pareceu entrar em campo confiante, abriu 2 a 0 ainda no primeiro tempo, mas tomou a virada no segundo tempo e perdeu por 3 a 2, depois de perder duas das suas principais jogadoras por lesão no intervalo. Assim, embola o grupo C, já que o Brasil ganhou a primeira e perdeu a segunda e a Austrália o contrário.

Primeiro tempo tranquilo

Apesar da Austrália ser a adversária teoricamente mais duro do grupo, o Brasil entrou muito bem no jogo. Deixou o nervosismo para a Austrália e tocou bem a bola para jogar seu jogo. Marcou mais atrás, tentando ganhar campo para contra-atacar. Foi o que conseguiu fazer em vários momentos, em que foi melhor que as adversárias e, não por acaso, fez 2 a 0 no placar. O nervosismo das australianas as atrapalhava.

Marta de volta

Com a recuperação física de Marta, quem deixou o time foi Beatriz. Assim, o ataque do time foi formado por Marta e Cristiane, duas das mais experientes e das melhores tecnicamente do time do Brasil. Vadão manteve o esquema tático no 4-4-2, com duas linhas de quatro. A linha de meio tinha Tahise e Formiga pelo meio, Debinha e Andressa Alves pelas pontas. Marta ficava à frente delas, com Cristiane como referência, em uma espécie de 4-4-1-1.

VAR de um lado, pênalti de outro

O Brasil tomou um susto aos 20 minutos. A Austrália pressionou a saída de bola brasileira e Kathellen acabou perdendo a bola em dividida. Yallop tomou, invadiu a área e, em dividida com Thaisa, caiu na área. A árbitra não marcou, mas foi chamada a revisar. Na revisão, o que se viu foi que a australiana usou a mão na dividida com Kathellen para continuar na jogada. Foi marcada mão, então, da jogadora australiana. Nada de pênalti.

Logo depois, aos 25 minutos, foi a vez de um lance no ataque do Brasil. Boa jogada trabalhada pela esquerda, Tamires tocou para o meio, onde a outra lateral, Letícia Santos, estava na área e caiu. Não deu para perceber, inicialmente, o que aconteceu. A árbitra marcou pênalti. No replay, ficou mais claro: a australiana Elise Kellond-Knight puxou a camisa da lateral direita do Brasil. Com pênalti confirmado, Marta foi para a cobrança e, com categoria, deslocou a goleira e cobrou no canto para marcar 1 a 0.

Recorde de Marta

O gol fez com que Marta se tornasse a primeira jogadora a marcar gols em cinco Copas do Mundo. Em 2003, marcou 3 gols; em 2007, a melhor colocação do Brasil na história ao chegar à final e perder, foram 7 gols; em 2011, foram mais 4 gols; em 2015, fez um gol. Agora, em 2019, um capítulo ainda aberto, Marta marcou o seu primeiro. E mais do que isso, outro recorde: Marta, que já era a maior artilheira em Copas com 15 gols, ela chega a 16, aumentando a própria marca.

Golaço do Brasil

Cristiane, do Brasil, marca de cabeça (Foto: Getty Images)

O segundo gol veio aos 39 minutos. A lateral Tamires, muito bem no jogo, deu uma caneta em Gielnik, que veio marcar de pernas abertas. Ela então tocou para Debinha, aberta na ponta esquerda, e a camisa 9 cruzou para o meio da área. A atacante Cristiane, muito boa pelo alto, se antecipou à marcação e tocou de cabeça, no canto, para marcar 2 a 0 no placar. Uma cabeçada absolutamente perfeita da camisa 11 do Brasil. Depois dos três gols na estreia, ela marca mais um e chega a 11 gols em Copas do Mundo, uma excelente marca.

Austrália desconta no primeiro tempo

A Austrália, muito pressionada, sentia o jogo. Mas no final do primeiro tempo, as Australianas conseguiram descontar. No primeiro lance, depois da finalização que venceu a goleira Bárbara, Mônica, bem posicionada, tirou. Na continuação do lance, Yallow cruzou, Kellond-Knight ajeitou de cabeça e Citlin Foord, na pequena área, não perdoou. Descontou o placar para 2 a 1, recolocando as australianas na partida.

Alterações que pesaram

Vadão fez logo duas alterações no time brasileiro já no intervalo. Formiga deixou o gramado para a entrada de Luana, e Ludmila substituiu a capitã Marta. A camisa 10 e craque brasileira ficou no banco de reservas no segundo tempo fazendo tratamento com gelo na coxa, onde ela se lesionou. Aparentemente, entrou em campo no sacrifício e, com a vitória parcial do time, Vadão a tirou de campo para não forçar mais.

O problema é que são duas das três mais experientes jogadoras do time. Cristiane ainda saiu depois, quando o Brasil já tinha tomado a virada. O Brasil perdeu mais do que apenas a qualidade técnica das jogadoras, que são as melhores, tecnicamente. A questão é que são as mais experientes, são as jogadoras que chamam o jogo. Formiga dava o ritmo no time no meio-campo. Já tinha cartão amarelo e, suspensa, não poderia jogar o terceiro jogo. Não se sabe se a saída foi por uma questão física ou só pelo cartão. Cristiane deixou o gramado, cansada. Mas com o jogo como estava, pareceu uma decisão errada também de Vadão, que fez o time jogar sem nenhuma das suas referências em campo.

Empate por acaso, virada em gol contra

Jogadoras da Austrália comemoram gol de Logarzo contra o Brasil (Foto: Getty Images)

A Austrália nem voltou muito bem no segundo tempo, mas o que se viu em campo foi um gol por acaso das australianas. Chloe Lagarzo cruzou a bola para a área, a bola pingou, a defesa não cortou, a goleira Bárbara demorou a saltar e a bola entrou, sem tocar em ninguém. Empate da Austrália: 2 a 2 em Montpellier, aos 13 minutos do segundo tempo.

E logo depois, as coisas pioraram ainda mais. Aos 20 minutos, lançamento longo para Sam Kerr, que estava impedida. Mônica se antecipou à atacante australiana, tocou de cabeça para tentar cortar, mas acabou marcando contra. A árbitra inicialmente anulou o gol. O VAR revisou o lance e a árbitra foi chamada para revisar o lance. Após olhar o replay, a arbitragem determinou que a interferência de Kerr, impedida, não foi grande. E assim, validou o gol: 3 a 2 para a Austrália.

Nervosismo mudou de lado

Depois de um primeiro tempo com muita tranquilidade do Brasil, o que se viu em campo foi a inversão desses papéis no o segundo tempo. Depois do empate da Austrália, o Brasil pareceu perder aquela tranquilidade, passou a errar muitos passes, mesmo os mais simples, e não engatava nenhum ataque com facilidade.

Polêmica no final

Em um dos últimos lances do jogo, a zagueira Stephanie Catley agarrou Andressa Alves na área. Na continuação do lance, Beatriz subiu de cabeça, mas mandou para fora. A árbitra sequer foi chamada para ver o lance, que era bastante discutível. Pareceu um lance que precisava ser revisto, já que houve um agarrão dentro da área.

Ficha técnica

Austrália 3×2 Brasil

Local: Stade de la Mosson, em Montpellier
Árbitra:
Esther Staubli (Suíça)
Gols:
Marta aos 27’/1T, Cristiane aos 38’/1T (Brasil), Caitlin Foord aos 46’/2T, Clhoe Logarzo aos 13’/2T, Mônica Alves (contra) aos 21’/2T (Austrália)
Cartões amarelos:
Formiga, Andressa, Luana (Brasil)

Austrália: Lydia Williams; Ellie Carpenter, Alanna Kennedy, Steph Catley e Elise Kellond-Knight; Tameka Yallop, Emily Van Egmond e Clore Logarzo; Emily Gielnik (Hayley Raso), Sam Kerr e Caitlin Foord (Karly Roestbakken). Técnico: Ante Milicic

Brasil: Bárbara; Leticia Santos, Kathellen, Mônica e Tamires; Debinha, Formiga (Luana), Thaisa e Andressa Alves; Marta (Ludmila) e Cristiane (Beatriz). Técnico: Vadão