Já pudemos perceber ao longo da competição que a Copa do Mundo Feminina deste ano foi um grande sucesso de audiência, mas os números que seguem chegando vão dando uma dimensão ainda maior de como o torneio foi acompanhado. O Brasil, mesmo não estando presente na decisão do Mundial, teve o maior número de espectadores em todo o mundo para a final entre Estados Unidos e Holanda, segundo o site da Fifa.

A audiência brasileira combinada para a partida foi de 19,935 milhões de espectadores, contando as transmissões de Globo, SporTV e Band. Só a da Globo correspondeu a 41,7% da audiência total no horário, com o pico chegando a 21,635 milhões.

Esta cifra é a maior já registrada no Brasil para um jogo neutro da competição, com o recorde anterior sendo bastante inferior – 6,262 milhões para o duelo de quartas de final da Copa de 2011 entre Suécia e Austrália. Mesmo em comparação com a única final do Mundial que contou com participação da seleção brasileira, a audiência da decisão deste ano é significativamente maior: 19,935 milhões contra 9,296 milhões para Brasil e Alemanha, em 2007, quando as alemãs se sagraram campeãs.

Os Estados Unidos, presentes na final deste ano e com forte tradição de futebol feminino, tiveram audiência combinada de 15,277 milhões, sua maior do torneio e também superior à da final da Copa do Mundo masculina, em 2018 (11,33 milhões).

Já na Holanda, a outra finalista, a audiência média foi de 5,481 milhões, com 34,5% da audiência potencial da TV ligada no jogo, um recorde para a modalidade no país, cuja marca anterior havia sido a semifinal deste mesmo ano, contra a Suécia. O número de TVs holandesas sintonizadas na decisão foi de 88%, com pico em 6,316 milhões de pessoas, valores que superaram, segundo a Fifa, competições como as Copas femininas anteriores, a Eurocopa Feminina de 2017 e até mesmo a Copa do Mundo masculina do ano passado – vale apontar, no entanto, que a Holanda não se classificou para esta última.

Os dados compilados pela Fifa não reúnem os números de streaming, que devem ser incluídos até outubro em um relatório mais completo. Ainda assim, já é possível dizer que o impulsionamento das marcas ao redor do mundo resultou em maior interesse na modalidade. Quanto ao Brasil, o tratamento inédito da Globo, dona dos direitos de transmissão, ao torneio – com chamadas atrativas, cobertura maior que as anteriores e, em geral, mais atenção à competição – serviu para mostrar que o público estava pronto para abraçar o futebol feminino. O que faltava era só o empurrão de quem deveria promover o espetáculo.

Se os números alcançados sem uma liga nacional forte e difundida foram esses, é de se imaginar que o potencial de crescimento é muito alto em um cenário em que o produto é tratado com mais cuidado e atenção ao longo do ciclo de quatro anos entre as competições, não apenas nos 30 dias do torneio.