Uma das críticas mais habituais aos problemas recentes da seleção brasileira é a falta de talento, mas ironicamente foi por causa disso que estaria faltando que o time escalado por Dunga não foi derrotado, nesta sexta-feira, pela Argentina no Monumental de Núñez. Nenhum jogador de amarelo teve atuações individuais memoráveis, longe disso. No entanto, conseguiram equilibrar um pouco mais as ações no segundo tempo, e a partir de um passe brilhante de Daniel Alves, o Brasil conseguiu fazer o gol do empate por 1 a 1, mesmo que coletivamente a equipe tenha continuado inferior.

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A Argentina também não é uma grande time, e Tata Martino trabalha debaixo de muitas críticas. Mas seu time fez um primeiro tempo muito bom. Mascherano, Biglia e Banega deram a sustentação ao meio-campo para Di María jogar solto. Desde o início, o jogador do PSG liderou as iniciativas da partida, embora a primeira grande chance tenha saído com Lavezzi, que chutou da direita para boa defesa de Alisson. Di María foi responsável pela seguinte chance de perigo, em um chute para fora.

O Brasil jogava com uma postura parecida à do jogo contra o Chile, sem se arriscar e buscando o contra-ataque. Teve Lucas Lima na articulação, com ou outro bom passe na saída de bola, Willian caindo pela ponta direita, e Neymar desaparecido. Conseguiu uma cabeçada de David Luiz por cima do travessão. Foi a única finalização da seleção brasileira no primeiro tempo.

Foi o mesmo Lucas Lima quem falhou na jogada do priemiro gol da partida, marcado pela Argentina. Levou um drible fácil de Di María, que na sequência descolou um bom passe em profundidade para Higuaín. O argentino saiu nas costas de David Luiz e cruzou rasteiro para Lavezzi, que se adiantou a Daniel Alves para abrir o placar. Uma das piores partidas da seleção brasileira sob o comando de Dunga continuou no começo do segundo tempo, quando Higuaín deu um esperto toque de calcanhar para Otamendi, que passou a Banega, livre, chutar bloqueado. No rebote, ele acertou a trave.

Dunga trocou Ricardo Oliveira, que não consegue contribuir o bastante se a bola não chega, como qualquer centroavante, aliás, por Douglas Costa, que dá outra dinâmica para o ataque. O jogador do Bayern de Munique entrou em diagonal pela esquerda para completar de cabeça um lindo e perfeito passe de Daniel Alves e acertar o travessão. Lucas Lima pegou o rebote e empatou a partida.

Com Douglas Costa, além de Willian um pouco mais atrevido na partida, até Neymar, em péssima noite, apareceu um pouco mais, e o Brasil passou a devolver alguns socos. Na bola parada, quase conseguiu a virada algumas vezes, mas a Argentina sempre parecia mais perigosa. Ainda mais quando David Luiz foi expulso, levando dois cartões no intervalo de dois minutos. Mas a partida já estava chegando ao fim, para a sorte de Dunga.

Coletivamente, seu time é muito fraco. David Luiz abre buracos em uma defesa pouco organizada, a saída de bola é lenta, o ataque, espaçado, e a seleção brasileira chega ao gol adversário com poucos jogadores. Mas, às vezes, o talento – combinado com os desfalques argentinos e mais uma partida irregular da equipe de Martino – limpa a barra de todos esses problemas.