Por Paulo Silva Junior

Uma Copa do Mundo de Futsal sem Brasil, Itália e Espanha nas semifinais já é histórica – o trio esteve em todas as sete finais das edições organizadas pela Fifa. Ainda nas oitavas, brasileiros e italianos tinham se despedido do Mundial que está sendo disputado na Colômbia, enquanto no último final de semana foi a vez dos espanhóis darem adeus ao sonho de um novo título ao perder para a Rússia por 6 a 2 em jogo válido pelas quartas de final.

Perguntado sobre a presença de uma “nova ordem mundial” do futsal após a eliminação, o goleiro espanhol Paco Sedano, único remanescente do título mundial de 2004, foi cauteloso. “Não sei se eu iria tão longe, mas o que é verdade é que o futsal tem crescido. É bom para o esporte não ter sempre os mesmos vencedores. Nós sempre chegamos às finais antes, mas isso não significa que era fácil. Sempre tiveram grandes times e nós sempre tivemos de trabalhar duro”.

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Dias antes, o capitão brasileiro Falcão falou que, devido ao nível das demais equipes, a seleção precisa se preparar com mais intensidade e tempo, o que não aconteceu para o atual Mundial. “Nos últimos Mundiais, a gente sempre se preparou por 20 dias e foi campeão ou chegou na final, e hoje em dia já não é assim. Sempre falta um trabalho ou outro”. Ele e outros parceiros de time elogiaram muito o Irã, algoz da seleção, que é o único entre os semifinalistas que já havia vencido a Espanha em Mundiais, ainda que antes dos título dos europeus (ver lista abaixo).

Para a Rússia, a vitória em Cali foi duplamente libertadora. Em Copas, a equipe jamais tinha vencido os dois campeões mundiais: eram oito derrotas e um empate em confrontos contra Brasil e Espanha. Nas disputas da Euro, os russos têm quatro vice-campeonatos nos últimos seis torneios, sendo três em finais diante da própria Roja.

Em quadra, a Espanha lutou até o fim depois de estar vencendo por 2 a 1 até a parte final do primeiro tempo, mas os russos foram muito eficientes no ataque a abriram três de vantagem faltando dez minutos. No fim, o goleiro Gustavo (nascido no Brasil assim como Robinho, Rômulo e Eder Lima) aproveitou o gol vazio para fazer o sexto e fechar o placar.

“Eu estava muito confiante na Tailândia quatro anos atrás. Nós não sofremos nenhum gol em quatro jogos e então perdemos por 3 a 2 para a Espanha nas quartas de final e fomos para casa”, lembrou Gustavo.

Enquanto a Rússia busca uma final inédita, o mesmo pode-se falar do rival Irã, adversário da semifinal na terça-feira, às 21h, em Medelín. A seleção asiática, voltando a disputar uma semifinal depois de 24 anos, contou com um gol restando 23 segundos para o fim da prorrogação para bater o Paraguai por 4 a 3. O jogo foi todo iraniano, com 51 a 37 em tentativas de finalização e 66% de posse de bola.

“São 24 anos desde que chegamos nas semifinais, então nosso primeiro objetivo era igualar isso. Agora, queremos ao menos terminar em terceiro e levar a medalha”, disse Ahmad Esmaeilpour, autor do gol da vitória contra os paraguaios, que ainda lamentou não poder reencontrar a Espanha. “Alguns de nós queríamos jogar contra a Espanha, porque estávamos muito animados em reparar os erros que fizemos no jogo de abertura. Acreditamos que a diferença entre os times não se refletiu no 5 a 1. Queríamos ter a chance de mostrar isso, mas o jogo é contra a Rússia e estamos prontos”.

Argentina x Portugal

portugal

O duelo de quarta-feira, às 21h, em Cali, também coloca frente a frente duas seleções que jogam para chegar à final de Copa pela primeira vez na história.

No jogo menos complicado das quartas, a Argentina fez 5 a 0 no Egito, que conseguiu só 29 finalizações contra 52 dos vencedores. “Foi importante para nós marcar dois gols antes do intervalo para que pudéssemos relaxar um pouco no segundo tempo: os últimos jogos tinham sido um pouco estressantes com a gente tentando marcar por muito tempo”, comentou o técnico argentino Diego Giustozzi.

Se a outra semifinal do Irã remete ao ano de 1992, para a Argentina a melhor campanha foi um quarto lugar em 2004. Já a rival por um lugar na decisão, Portugal, tem na memória o terceiro lugar da Copa de 2000. E para jogar novamente a última semana de um Mundial, os portugueses tiveram um duelo dificílimo contra Azerbaijão, equipe que conta com seis atletas e mais o técnico nascidos no Brasil.

O gol da vitória saiu num toque sutil de Ricardinho, artilheiro da Copa com 12 gols que desviou de calcanhar para fazer 3 a 2 aos 27 minutos do segundo tempo. Os gols do Azerbaijão foram “brasileiros”, com Bolinha e Eduardo, em equipe que sentiu falta de outros dois naturalizados, os suspensos Fineo e Vassoura.

Os jogos dos semifinalistas Rússia, Irã, Argentina e Portugal contra Brasil e Espanha na história das Copas:

1989
Brasil 6 x 3 Argentina

1992
Espanha 7 x 7 Rússia
Brasil 5 x 1 Argentina
Irã 4 x 2 Espanha
Espanha 9 x 6 Irã

1996
Brasil 8 x 3 Irã
Espanha 2 x 0 Rússia
Brasil 6 x 2 Rússia

2000
Brasil 4 x 0 Portugal
Espanha 3 x 0 Argentina
Espanha 7 x 2 Irã
Brasil 4 x 1 Argentina
Brasil 6 x 2 Rússia
Espanha 3 x 1 Portugal
Espanha 3 x 2 Rússia
Brasil 8 x 0 Portugal

2004
Espanha 3 x 1 Portugal
Brasil 2 x 1 Argentina
Brasil 7 x 4 Argentina

2008
Brasil 7 x 0 Rússia
Espanha 3 x 3 Irã
Brasil 1 x 0 Irã
Espanha 5 x 2 Rússia
Espanha 2 x 1 Argentina
Brasil 4 x 2 Rússia

2012
Espanha 2 x 2 Irã
Brasil 3 x 1 Portugal
Espanha 3 x 2 Rússia
Brasil 3 x 2 Argentina

2016
Espanha 5 x 1 Irã
Brasil 4 x 4 Irã (Irã nos pênaltis)
Rússia 6 x 2 Espanha