Doze anos depois, o Brasil é novamente o rei da América do Sul. Neste domingo, venceu o Peru, por 3 a 1, em um Maracanã que gerou o recorde de renda do futebol brasileiro, e conquistou a Copa América pela nona vez, depois de assistir a Uruguai e Chile se consagrarem nas últimas três edições. Não foi fácil. Sem seu principal jogador, com técnico e jogadores pressionados, a Seleção teve que conquistar a torcida e encontrar o seu melhor futebol. A competição terminou antes dessas duas missões, mas, diante do baixo nível dos adversários, o Brasil foi mesmo o melhor time. 

Falha de cobertura

O Peru começou dominando a partida, com o Brasil foi acuado, marcando e tentando sair no contra-ataque. Mas em pouco tempo a fragilidade defensiva dos laterais Advíncula e Trauco cobrou o seu preço. Gabriel Jesus, marcado por dois, matou o lançamento no peito, deu o drible pela direita e cruzou. Três peruanos estavam reunidos para atrapalhar dois brasileiros na região da marca do pênalti, e Everton ficou livre na segunda trave para completar às redes e abrir o placar para o Brasil.

Pênalti polêmico

Que a bola bateu no braço de Thiago Silva não há dúvida. A questão bastante discutida é se, dentro da nova regra, aquele braço não teria sido usado como apoio pelo zagueiro do Paris Saint-Germain. O árbitro chileno Roberto Tobar checou o monitor do assistente de vídeo e confirmou a penalidade. Guerrero bateu e empatou para o Peru.

Resposta imediata

O Peru não desmoronou depois de levar o primeiro gol, como no jogo da fase de grupos, mas também não defendeu particularmente bem logo em seguida ao empate. Firmino deu o carrinho no campo de ataque e recuperou a bola, carregada por Arthur até a entrada da área, de onde saiu o passe para Jesus. Contribuíram dois escorregões de marcadores peruanos. De frente para o gol, o atacante do Manchester City tocou no canto e fez 2 a 1.

Coutinho queria deixar o dele

Autor de dois gols na estreia contra a Bolívia, Coutinho não fez uma boa Copa América, mas tentou bastante se despedir com mais uma bola na rede. Sozinho, foi responsável por quatro das 11 finalizações brasileiras no Maracanã. No entanto, duas foram para fora e duas foram bloqueadas. Foi substituído quando o Brasil ficou com um homem a menos.

Gabriel Jesus não consegue uma folga

Mal na Copa do Mundo, reserva no início da Copa América e criticado por boa parte da torcida, Gabriel Jesus começou a reconstruir sua imagem decidindo a semifinal contra a Argentina e a decisão diante do Peru, mas terminou a competição expulso. Recebeu o primeiro cartão amarelo muito cedo no jogo, por uma falta no campo de ataque, e o segundo, meio forçado, em uma dividida pelo alto com Zambrano.

E o fim 

A arbitragem de Tobar foi bem ruim, com erros cruciais para os dois lados, mas o derradeiro foi a favor do Brasil. O Peru havia melhorado desde a expulsão. Trauco exigiu defesa de Alisson na primeira trave, e Flores assustou de longe. Perto dos acréscimos, Everton entrou na área e trombou ombro a ombro com Zambrano. Nada. Mesmo checando o assistente de vídeo, o árbitro manteve a infração. Richarlison cobrou e fechou o caixão.

Renda recorde

Com R$ 38 milhões, um pouco menos do que o Corinthians pagou em Alexandre Pato, a renda da final bateu, de longe, os R$ 22 milhões da abertura da Copa América contra a Bolívia, então maior arrecadação já divulgada no futebol brasileiro. Tíquete médio de R$ 661 no Maracanã, e o total da competição chegou a R$ 215 milhões.

Artilheiros

A final da Copa América começou com uma situação insólita: 14 jogadores estavam empatados na artilharia com dois gols. No fim, sobraram apenas dois. Guerrero e Everton foram os maiores marcadores do torneio, com três tentos cada. O critério de desempate para quem fica com o troféu é assistência, e cada um teve uma. Cebolinha ficou com o troféu por ter ficado em campo menos minutos.

Ficha técnica

Brasil 3 x 1 Peru

Local: Estádio do Maracanã (Rio de Janeiro)
Árbitro: Roberto Tobar (Chile)
Gols: Everton, Gabriel Jesus e Richarlison (BRA); Guerrero (PER)
Cartões amarelos: Gabriel Jesus, Thiago Silva e Richarlison (BRA); Renato Tapia, Carlos Zambrano e Luis Advíncula (PER)
Cartões vermelhos: Gabriel Jesus (BRA)

Brasil: Alisson; Daniel Alves, Marquinhos, Thiago Silva e Alex Sandro; Arthur, Casemiro, Philippe Coutinho (Eder Militão), Everton (Allan) e Gabriel Jesus; Roberto Firmino (Richarlison). Técnico: Tite

Peru: Pedro Gallese; Luis Advíncula, Carlos Zambrano, Luis Abram e Miguel Trauco; Renato Tapia (Christofer Gonzáles), Yoshimar Yotún (Raúl Ruidíaz), Edison Flores, Christian Cueva e André Carrilo (Andy Polo); Guerrero. Técnico: Ricardo Gareca