A estreia do Brasil teve vitória, mas também teve vaia. Diante da Bolívia, terminou o primeiro tempo sendo vaiado no Morumbi. Depois dos 3 a 0, os jogadores falaram sobre a expectativa de ambiente em Salvador. Chegamos em Salvador e o ambiente veio. O estádio, outra vez, não estava lotado, mas a torcida foi mais quente. Porém, não durou muito. Depois de um bom início, o Brasil foi perdendo a força, a intensidade e acabou parando diante de uma Venezuela que foi muito bem. No fim, o empate por 0 a 0 com a Venezuela e vaias. O Brasil não vence na segunda rodada da Copa América.

Arthur de volta

Depois de lesão que o tirou da primeira partida, o meio-campista Arthur foi titular no lugar de Fernandinho. Com o jogador do Barcelona, ex-Grêmio, a bola circulou mais rápido pelo meio-campo. O camisa 8 dá bastante ritmo ao time, com passes rápidos. Apesar da ideia inicial parecer ser Arthur mais à frente em relação a Casemiro, ficando mais alinhado com Coutinho, o que se viu em campo foi o camisa 8 bem próximo da saída de bola.

Ambiente mais agitado

No Morumbi, parecia haver uma fina camada de gelo. O estádio foi um freezer na estreia do Brasil, com vaias ao final do primeiro tempo e pouco apoio ao longo do jogo. Barulho então, menos ainda. Em Salvador, porém, o clima foi mais quente. Nada como um jogo do Bahia no Brasileirão, mas ainda mais quente, mesmo sem o estádio estar lotado.

Só que isso, claro, durou enquanto o Brasil estava sufocando a Venezuela, especialmente no primeiro tempo. No segundo tempo, porém, as coisas ficaram mais complicadas.

Postura intensa desde o início

A entrada de Arthur contribuiu, mas a postura do Brasil foi bastante intensa nos primeiros minutos de jogo. A rapidez dos passes e a velocidade dos pontas David Neres e Richarlison davam um ritmo veloz no início da partida. O Brasil se posicionava bem à frente, praticamente com todos os jogadores de linha no campo de ataque. Isso dificultava a saída de bola da Venezuela, forçava o erro e fazia com que o time da casa recuperasse rapidamente a posse.

Tanto que nos primeiros 15 minutos, o Brasil teve 80% de posse de bola, chutou três vezes a gol e sempre com perigo. David Neres, em jogada que teve passe de Arthur, e Richarlison, em uma das boas jogadas que fez com sua velocidade e força, levou muito perigo em um chute cruzado.

Chegada de perigo

A Venezuela aguentou os primeiros minutos, tomando um sufoco, mas aos 18 minutos, conseguiram levar perigo em uma cabeçada de Salomón Rondón, dentro da área, com o centroavante conseguindo vencer Marquinhos pelo alto. Foi o melhor lance da Venezuela no jogo.

Gol, VAR e anulação

Gabriel Jesus entrou no segundo tempo no lugar de Richarlison. Jogou pela ponta esquerda, deslocando David Neres para a direita. Aos 16 minutos de jogo, um lance que causou discussão: Jesus chutou da esquerda, a bola bateu no defensor venezuelano e sobrou para Firmino. Ele tocou pelo meio para Jesus, que completou de primeira e marcou o gol.

Mudanças estranhas

Gabriel Jesus tinha entrado no intervalo. Com o empate por 0 a 0 no placar, se esperava uma mudança no Brasil. Uma já veio no intervalo, mas foi mais uma mudança de característica, já que são dois jogadores ofensivos. Quando se imaginava outra mudança, quem veio a campo foi Fernandinho, que entrou no lugar de Casemiro. Uma alteração que causou estranhamento.

Por fim, muito pedido pela torcida, Everton entrou em campo no lugar de David Neres. Foi ele a melhor das substituições, que causou muito alvoroço pelo lado esquerdo. Mas isso depois de começar pelo lado direito nos primeiros minutos, render menos do que o esperado. Everton participou do lance que foi mais perigoso – o gol anulado.

VAR, de novo

Mais uma vez, o Brasil chegou ao gol. Desta vez, foi em uma jogada de Everton. Ele fez uma bela jogada de linha de fundo, cruzou, a bola foi para o meio e Coutinho mandou para a rede. Mandou para a rede, sim, mas a bola tocou em Firmino, que estava em posição de impedimento. O gol, que tinha sido dado, foi anulado pelo VAR por impedimento. Pela segunda vez no jogo, o placar foi mudado, mas teve que ser revertido.

Yordan Osorio, nome do jogo

O zagueiro venezuelano foi o grande destaque do jogo, com uma participação excelente na defesa. Sofreu um bocado, sim, porque o Brasil pressionou durante muito tempo. Mas a sua participação é excelente. Fez várias intervenções, chutou para frente, tirou, cortou pelo alto… Foi muito bem.

Venezuela líder?

Olha, não é impossível. Brasil e Peru se enfrentam na próxima rodada, no sábado, 16h. A Venezuela, por sua vez, terá pela frente a fraca Bolívia. Se os venezuelanos conseguirem vencer por quatro gols – vai saber -, a Venezuela termina como líder, independente do resultado do outro jogo. Claro, não é exatamente simples, mas agora isso é possível. Lembrando que classificam-se os dois primeiros, além de dois terceiros colocados. Incrivelmente, as posições neste grupo A estão indefinidas neste momento.

Ficha técnica

Brasil 0x0 Venezuela

Local: Fonte Nova, em Salvador
Árbitro: Julio Bascunan (Chile)
Gols: nenhum
Cartões amarelos: Casemiro (Brasil), Jhon Murilo, Arquímedes Figuera (Venezuela)

Brasil: Alisson; Daniel Alves, Marquinhos, Thiago Silva e Filipe Luís; Casemiro (Fernandinho), Arthur e Philippe Coutinho; Richarlison (Richarlison), Roberto Firmino e David Neres (Everton). Técnico: Tite

Venezuela: Wuilker Fariñez; Ronald Hernández, Yordan Osorio, Mikel Villanueva e Roberto Rosales; Júnior Moreno; John Murillo, Yangel Herrera (Yeferson Soteldo), Tomás Rincón e Darwin Machís (Arquímedes Figuera); Salomón Rondón (Josef Martínez). Técnico: Rafael Dudamel