As vaias ao apito final retratam o que foi mais um jogo da seleção brasileira. Durante parte do tempo, a equipe até fez uma boa apresentação no aspecto tático. Mas a posse de bola e a troca de passes se tornaram cada vez mais enfadonhas, diante da falta de ímpeto no ataque. No fim das contas, o empate por 0 a 0 com o Equador saiu como lucro, após o frango engolido por Alisson e mal anulado pela arbitragem. E o início do Brasil na Copa América Centenário não empolga, com um time que sofre não apenas para convencer, mas também para vencer nos últimos meses. Desde o retorno de Dunga, são apenas quatro vitórias em 11 jogos oficiais – duas vezes contra a Venezuela e outras duas contra o Peru. Número que diz muito sobre a fase atual do Brasil.

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Em sua estreia na Copa América, a Seleção ao menos apresentou um padrão de jogo, algo que faltou contra Uruguai e Paraguai nas Eliminatórias. A equipe aparecia bem alinhada no 4-1-4-1 montado por Dunga, especialmente pelos lados do campo. Philippe Coutinho e Willian apareciam bastante para dar mobilidade ao time. Enquanto isso, Casemiro fazia ótimo papel à frente da defesa, especialmente na proteção.

Os problemas na criação, porém, pesavam contra. O Brasil tinha a bola, mas não conseguia finalizar. Tirando duas tentativas de Coutinho, uma delas acabando em grande defesa de Dreer, a equipe não ameaçou. Quando conseguia encontrar as brechas na zaga, vacilava na hora de arrematar. Enquanto isso, do outro lado, havia muitos espaços entre as duas linhas de marcação. Por sorte, os equatorianos também não viviam a sua jornada mais inspirada.

Apesar dos problemas, a Seleção encerrou o primeiro tempo melhor, dando pintas de que poderia vencer. O mais puro engano. O ritmo do time caiu drasticamente no segundo tempo, atrapalhado principalmente pela lesão de Willian. A partida seguia modorrenta e a substituição de Jonas por Gabigol pouco surtiu efeito. Já aos 21, o golpe de sorte do Brasil. Bolaños chegou à linha de fundo e cruzou rente à trave. A bola bateu no poste e enganou Alisson, que mandou para dentro. Falha risível salva pelo apito, já que a arbitragem marcou uma saída inexistente pela linha de fundo.

Não foi o susto que acordou o Brasil. Pouco depois, Dunga substituiu Willian por Lucas, e o ponta até entrou mostrando serviço, com duas finalizações para fora. Ainda assim, pouco para alterar o placar. Pelo domínio que teve, a Seleção deixou muito a desejar, especialmente nos avanços pela faixa central, onde a equipe foi praticamente nula. Renato Augusto apareceu pouco, enquanto Elias jogou mal. Na frente, tanto Jonas quanto Gabigol não serviram de referência ao ataque.

Contra o adversário mais difícil da chave, o empate não é ruim, até pelas circunstâncias. Mas sempre se espera mais da seleção brasileira. Além do mais, o tropeço inicial não permite mais desleixos ao time de Dunga. É preciso melhorar, mesmo que o grupo nem apresente grandes desafios, com Peru e Haiti pela frente. De qualquer forma, a impressão inicial não indica grandes credenciais para a Seleção na Copa América. O sofrimento das Eliminatórias segue se arrastando, mas desta vez sem tantos sustos.