Amistosos da seleção brasileira não empolgam há algum tempo, mas as coisas tem ficado ainda piores ultimamente. Nesta sexta-feira, em pleno feriado brasileiro de Proclamação da República, o Brasil entrou em campo na Arábia Saudita (que?) para enfrentar a Argentina. Perdeu por 1 a 0, mas poderia tranquilamente ter perdido por três, até 4 a 0, se os argentinos tivessem um pouco mais de sorte.

Com a derrota, o Brasil chegou ao quinto jogo sem vitória, algo que não é muito comum. Os resultados, porém, são o de menos. São apenas amistosos, irrelevantes no contexto geral. O pior é o desempenho, que não dá nenhuma demonstração de melhora. Tite, o treinador, prometeu mudanças, tentativas novas. Não foi o que vimos em Riade.

Na escalação inicial, o Brasil trouxe Lucas Paquetá como titular. Mas em modo de jogar, o time mudou pouco, para não dizer nada. Poderia ter mudado em termos de jogo. O que o campo mostrou foi um time que parece não ter um grande repertório, nem faz uma grande mudança. Tite muda pouco o time, das escalações à forma de jogar. Não é um time com um jeito de jogar claro. E o jogo deixou isso bastante claro.

Logo a oito minutos de jogo, o árbitro Matt Conger, da Nova Zelândia, marcou um pênalti de Leandro Paredes em Gabriel Jesus. O próprio camisa 9 do Brasil partiu para a cobrança, mas mandou para fora. Foi o segundo pênalti perdido pelo atacante em jogos tão próximos. Na semana anterior, pela Champions League, ele perdeu um pênalti contra a Atalanta, em jogo que o Manchester City empatou.

Logo depois, aos 11 minutos, foi a vez da Argentina ter um pênalti a seu favor. Messi entrou na área, Alex Sandro chegou por trás e acabou derrubando o argentino. Foi o próprio Messi que bateu e o goleiro Alisson defendeu. Só que ele mesmo pegou o rebote e colocou na rede: 1 a 0.

Basicamente foi o que aconteceu de importante na partida na primeira etapa. Porque o Brasil, com Lucas Paquetá no meio-campo, não rendeu. Willian, jogando pela esquerda no lugar de Neymar, também não brilhou. Mas não foi um problema individual do jogador: foi coletivo. Ninguém jogou bem. Gabriel Jesus, pela direita, Roberto Firmino, pelo centro, Casemiro, Arthur… Ninguém conseguiu ter um bom desempenho.

Paquetá nem voltou do intervalo. Só que o técnico Tite decidiu não fazer nada muito além do que já fez: colocou Philippe Coutinho. Foi a única mudança no intervalo. Ainda no início do segundo tempo, entrou Fabinho no lugar de Arthur. Também não fez grande diferença. Casemiro e Fabinho ficaram lado a lado, mas isso nem mesmo melhorou a marcação brasileira. Os argentinos seguiram melhores.

Entrou também Renan Lodi, aos 19 minutos, no lugar de Alex Sandro, que não foi bem, assim como quase todos. Ainda entrariam Rodrygo, no lugar de Willian, e Richarlison, no lugar de Gabriel Jesus, os dois aos 26 minutos. Não melhorou. Com a Argentina melhor em campo, os jogadores pegavam pouco na bola.

A Argentina perdia gols. No segundo tempo, só os albicelestes chegavam ao ataque. Aos 34 minutos, foi a chance mais clara do jogo. O atacante Lautaro Martínez recebeu dentro da área, depois de um escanteio. Ele encheu o pé, mas errou: mandou por cima do gol. A Argentina chegava constantemente ao ataque e olha que Messi nem fazia uma grande partida.

Jogando pelos dois lados, a Argentina criava chances, chutava de fora da área e buscava troca de passes. Só os argentinos criavam chances de gols. O Brasil via o tempo passar e quem mais chegava perto de marcar eram os argentinos. Lionel Scaloni não fez nada de muito diferente, nem fez o seu time ter um desempenho muito acima da média. Foi razoavelmente bom, mas só isso. Já foi o suficiente, porém, para ser muito melhor que o Brasil.

No final, Tite ainda tirou Casemiro e colocou Wesley, estreando pela seleção brasileira. Mal teve chance também de aparecer e finalizar. O Brasil não fez por merecer um gol sequer. A Argentina, sendo bastante razoável, venceu merecidamente. Ainda está longe de ser o time forte que já foi um time, mas já é um time, o que é alguma coisa.

Danilo, que ganhou chance na lateral onde Daniel Alves é o titular, não foi bem, mais uma vez. Ninguém conseguiu aproveitar a chance, mas é menos uma questão individual. O time rende pouco, constrói pouco, sofre para levar a bola ao ataque. Não houve absolutamente nada a ser aproveitado do jogo na Arábia Saudita.

A Argentina chutou mais, 11 a 5, e acertou mais também, 8 a 2. A seleção brasileira teve a posse de bola (59% a 41%), mas pouco fez com isso. O Brasil, que saiu campeão da Copa América, termina o ano de 2019 de forma melancólica. Pouco futebol, sem renovação, sem muito o que mostrar em campo.

Tite fala muito em mudar o time, admite que demorou para fazer mudanças na Copa do Mundo em 2018. Admite que o time não joga bem. Então, o que falta para mudar? Se não faltam ideias, falta o que? Há de se questionar se o técnico tem capacidade para mostrar mais. Porque o jogo da seleção brasileira já não é muito empolgante há tempos. Como está jogando, tá difícil de defender.

O Brasil volta a campo na próxima terça-feira, em amistoso contra a Coreia do Sul, às 10h30 (horário de Brasília), em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes.